segunda-feira, 23 de outubro de 2017

O que significa a vinda de Lula a Salinas em 26 de outubro?

Visita de Lula a Salinas em 1981
* Levon Nascimento

A presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Salinas na tarde da quinta, 23 de outubro, através da caravana Lula Pelo Brasil em Minas Gerais, será um momento de reencontro. Como em 1981, em sua primeira vinda, ainda operário em busca de organizar o PT, virá como símbolo de resistência da luta contra o golpismo de lesa-pátria.

O povo do Alto Rio Pardo, esquecido pelas tradicionais lideranças que se revezam no poder, amargurado pela seca agravada pela ganância de uns poucos, agredido pela violência crescente e insatisfatoriamente representado nas esferas de poder, terá a chance de rever um velho aliado.

Sim! Um aliado! E dos grandes!

Durante os governos de Lula, pela primeira vez na história a região conheceu o que se pode chamar de políticas públicas. Ao invés de favores, direitos.

A criação do Território da Cidadania do Alto Rio Pardo, como instância aglutinadora de políticas e organizadora da sociedade, foi uma experiência única e produziu frutos. A consolidação da Escola Família Agrícola Nova Esperança, sediada em Taiobeiras, é a joia da coroa dessa brilhante história.

O “Bolsa Família”, que muitos equivocadamente julgam assistencialismo, salvou famílias da fome, empoderou mulheres chefes de núcleos familiares e proporcionou a universalização do acesso à educação fundamental no Alto Rio Pardo.

A integração da antiga Escola Agrotécnica Federal de Salinas à rede dos Institutos Federais de Educação garantiu ensino tecnológico, técnico e superior de qualidade na microrregião, garantindo a jovens de todos os estratos sociais, principalmente das famílias trabalhadoras, o acesso ao conhecimento e à profissionalização.

O “ProUni”, o “Sisu” e a vitaminação do “FIES” garantiram universidade para muita gente que jamais teria a oportunidade caso persistissem as velhas políticas de segregação do ensino superior, anteriores a Lula.

O “Programa de Aceleração do Crescimento” (PAC) deu à maioria das cidades a possibilidade de pavimentação de ruas, de construção de redes de saneamento e esgotamento sanitário, uma velha demanda da saúde pública regional. Só para lembrar, antes de Lula Taiobeiras tinha 0% de rede de esgoto, uma marca vergonhosa para um município que se gaba do planejamento urbano desde tenra idade.

Os financiamentos do “Minha Casa Minha Vida” permitiram o acesso ao sonho da casa própria a muitas famílias.

O “Compra Direta” fez a merenda escolar mais nutritiva e aumentou a renda dos agricultores familiares locais.

As políticas para a agricultura familiar, o “Programa de Cisternas” (caixas para armazenamento de água) e vários outros do mesmo tipo fizeram com que não houvesse uma onda gigantesca de migração, como ocorria no passado, mesmo com a região enfrentando a mais grave seca de que se tem notícia na história.

O “Luz Para Todos” levou iluminação e informação às famílias da zona rural.

Com Lula, o Brasil crescia e o povo tinha esperança. O Alto Rio Pardo se projetou, alcançou melhorias que antes eram apenas sonhos. Claro que não o suficiente, mas inéditas.

Esqueçam do Lula que a velha mídia carcomida por interesses patrimonialistas e imperialistas, antinacional por origem e princípio, apresenta debochadamente. O Lula que sofre lawfare (perseguição jurídica baseada em muitas acusações e pouca ou nenhuma prova) por parte dos luminares de Curitiba mimetiza o povo resistente do Alto Rio Pardo, gente de potencial que resvala na elite tosca que teima em dirigir para o precipício os rumos da microrregião.

E não chamem os que forem a Salinas vê-lo de ignorantes. São de tudo, menos isso. Potencialmente, pessoas atentas ao cenário e que sabem perfeitamente de que lado estão as lideranças e as instituições nacionais, se do povo ou de interesses mesquinhos. São os brasileiros corajosos a ponto de desafiarem as tramas do golpe, a retirada de direitos e a destruição da Nação. São os verdadeiros patriotas de que o Brasil necessita.

O Lula que vem a Salinas é mais do que o homem, imperfeito e frágil. É o símbolo histórico do sertanejo que, apesar da crueza da seca, da ruindade dos coronéis e das agruras da vida, cisma em continuar vivo, pelejando, em romaria pelas estradas da vida, rumo à esperança da dignidade que só os fortes hão de conhecer.

Lula e o povo do Alto Rio Pardo são duas lendas. São vitoriosos por serem justamente quem são, contra toda sorte de exploração e de exploradores.

Bem-vindo, Lula. Pode chegar, a casa é sua.

* Levon Nascimento é professor de História e mestrando em Estado, Governo e Políticas Públicas pela Fundação Perseu Abramo. Mora em Taiobeiras/MG, uma das cidades do Alto Rio Pardo, desde os três anos de idade.

Um comentário:

Jose VICENTE FILHO disse...

Sim, Levon Nascimento, cumpramos nosso papel, de fazer circular outras palavras,que não sejam de ódio e preconceitos que o alimentam,contra um homem, que tem o direito sagrado, de ser respeitado e, amado, pelas multidões,que formam a base e a fonte de sua verdadeira identidade.
Lula, não precisa ser endeusado, pelo que fez,como se fosse um salvador, mas pelo menos, tem o direito de ser reconhecido como Governante que fez e fará,por muito tempo, a diferença, de sendo Migrante Nordestino, torneiro Mecânico, com pouca escolaridade,elevar a auto-estima do povão e do Brasil,como País,frente as nações do Mundo. E isto não é pouco. É demais,principalmente para seus adversários,que o classificam e o elegem, como inimigo a ser destruído.
Que encontre nos braços dos pobres de Minas Gerais e de todos os lugares,onde passar, um sinal deste respeitoso e verdadeiro reconhecimento. Zé Vicente - poeta e cantor popular do Ceará.