sábado, 16 de setembro de 2017

Terrorismo religioso no Brasil?

Sete terreiros, templos religiosos de matriz africana, foram invadidos no Rio de Janeiro por bandidos armados que se auto-denominam como evangélicos (veja aqui), humilhando e impedindo os frequentadores de exercerem a sua fé.

O que é o grupo terrorista Estado Islâmico, senão o desvirtuamento dos ensinos da religião muçulmana? Como você acha que um grupo terrorista religioso começa?

Vamos deixar que aconteça a mesma coisa com o cristianismo do século 21?

Quando, no final de 2015, a significativa imagem de Nossa Senhora de Fátima, abrigada na histórica capela octogonal em Taiobeiras, Norte de Minas, foi destruída por um homem supostamente com problemas mentais (veja aqui), que bradava frases típicas de grupos religiosos cristãos anti-católicos - aliás, episódio que nunca ficou bem explicado -, uma luz de alerta se acendeu sobre a manifestação da intolerância religiosa através de formas mais agressivas.

Também em Montes Claros/MG, a Igreja Matriz foi alvo de uma ação desse tipo, dessa vez por um jovem identificado como membro da Universal, igreja dona da Record (veja aqui).

As religiões afro sempre sofreram este tipo de ataque, vítimas de intolerância associada ao secular racismo. Os indígenas viram suas crenças serem ridicularizadas e demonizadas pelo colonizador europeu. É preciso ressaltar ainda que no passado as religiões de origem protestante, atualmente evangélicas ou neopentecostais, sofreram muito preconceito e perseguição num Brasil majoritariamente católico.

Hoje os terreiros, amanhã as igrejas, as casas espíritas, as sinagogas, as mesquitas, a liberdade religiosa e a vida das pessoas. Vamos esperar novas fogueiras inquisitoriais se acenderem?

Cristão intolerante com a religião dos outros não é verdadeiro seguidor de Jesus Cristo. É blefe, é terrorista.

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