quarta-feira, 6 de setembro de 2017

O 7 de setembro: comemorar? #7deSetembro

* Levon Nascimento

Por que não quero estar nas comemorações oficiais do sete de setembro de 2017?

Porque o Brasil passou por um golpe de Estado em 2016, que retirou a suprema mandatária eleita com 54 milhões e meio de votos, sem que ela tivesse cometido crime de responsabilidade, para colocar uma quadrilha em seu lugar. Golpe que continua em pleno movimento catastrófico, nos conduzindo ao inferno nazista.

Porque há um governo ilegítimo no poder destruindo as conquistas sociais e os direitos mais fundamentais dos brasileiros e enchendo as elites de mais privilégios.

Porque as instituições da República foram entregues a gângsteres ou a patifes.

Porque quem saiu às ruas vestido com a camisa amarela da corrupta associação de futebol nacional, adorando o pato de borracha e batendo em panelas, eram zumbis inoculados com ódio através da mídia cartelizada e antinacional.

Porque no Brasil a lei não é para todos. Um jovem pobre, negro e favelado é condenado a onze anos de cadeia por portar um pinho-sol numa passeata, acusado de terrorismo, enquanto o filho traficante da desembargadora, o helicóptero do pó e a mala monetária do “mineirinho” permanecem impunes. As malas do baiano e do Drácula, idem.

Porque o MPF segue o roteiro da mídia.

Porque aquela vara de Curitiba parece se conduzir pela prática do lawfare.

Porque a Consolidação das Leis do Trabalho, fruto das lutas populares dos trabalhadores, foi rasgada pela antirreforma trabalhista, devolvendo os brasileiros à condição de empregados semi-escravos.

Porque só um partido é criminalizado, enquanto o analfabetismo político é estimulado.

Porque o governo ilegítimo e golpista pôs a Amazônia à venda aos estrangeiros.

Porque as castas superiores das carreiras de Estado ejaculam sobre a lei, fingem combater a corrupção e estupram a Constituição.

Porque no Brasil se pratica um jornalismo de guerra, panfletário, manipulador, assassino da verdade e avesso aos interesses nacionais.

Porque, em nome do combate à corrupção, concederam-se regalias aos corruptores, enlamearam a política como via correta da resolução dos conflitos, destruíram o conhecimento e o patrimônio acumulados das companhias empresariais brasileiras, promoveram o desmonte da economia nacional e a miserabilização da maioria do povo, abrindo espaço generoso ao imperialismo dos mercados internacionais e à loucura do pensamento fascista.

Porque a idiotice reina nas redes sociais, vertendo ódio pelos poros, travestida de bom-mocismo da “gente de bem”, coberta sacrilegamente pela sagrada Bandeira Nacional.

Porque enquanto os fascistas do ódio e os aventureiros da política têm espaço, nosso maior estadista sofre perseguições injustas e julgamentos-espetáculos à moda das ditaduras de direita e de esquerda, para se impedir que o povo reconquiste o poder central.

Porque no Brasil a classe média se escandaliza com o direito ao Bolsa Família, mas não se envergonha dos privilégios concedidos e dos altos salários dos escalões superiores do sistema judicial.

Porque nossos índios continuam a ser exterminados por ambiciosos exploradores da terra.

Porque a lama de Mariana – e de quantas Marianas mais? – ainda está sem punição.

Porque nossa terra e os alimentos nela cultivados permanecem envenenados por antiéticas figuras que em mais nada pensam senão no próprio bolso.

Porque os negros, os jovens, as mulheres, os homossexuais e os pobres persistem a sofrer discriminação, preconceito, machismo, homofobia e retirada de direitos.

Porque a perseguição ideológica pelas elites só aumenta na forma de projetos esdrúxulos em nossas casas legislativas.

Porque quem paga imposto no Brasil é o pobre, enquanto os bancos têm a melhor remuneração do planeta.

Porque há provas concretas contra uns, que estão livres, leves e faceiros, mas apenas palavrórios em delações premiadas de presos querendo ganhar a liberdade servem para perseguir os líderes políticos do campo ideológico oposto ao da elite.

Não, não vou assistir à marcha de sete de setembro, porque o Brasil não é independente. Quem gosta de marchas mecânicas são os ditadores e os candidatos a ditadores, a exemplo das sincrônicas paradas da Coreia do Norte.

Continuo amando a Nação que tem por símbolo a bandeira verde, amarela, azul e branca. Amando seu povo, sua diversidade e sua cultura. Mas não vou ver a marcha carnavalesca de sete de setembro. O carnaval é melhor em fevereiro. Porque, em geral, quem patrocina essa atração momesca temporã não é verdadeiramente patriota, não luta pela soberania nacional e se vendeu à ideologia ultra-liberal para a qual as pátrias são apenas espaços de bons negócios.

Como um bom brasileiro, prefiro lutar pelo Brasil, por sua soberania e por seu povo, exercendo meu patriotismo a gritar com e pelos excluídos, fazendo eco ao nosso lindo Hino: “Verás que um filho teu não foge à luta”!

5 comentários:

ABRINDO ESPAÇO EM BUSCA DE SONHOS disse...

Todos os seus porquês nesse artigo carecem de luta e conscientização, merecem, inclusive, serem transformados em perguntas diretas para que à população brasileira obtenha as respostas.

Neusa Francisca do Nascimento disse...

Parabéns, Levon, pelo texto, pela coragem e clareza de expressão!Isto mesmo. Ir às marchas de 7 de Setembro é apoiar o ridículo e a baixaria em curso no Brasil q tem o governo Temer como símbolo da tirania contra o povo deste país, sobretudo, os pobres e trabalhadores

Neusa Francisca do Nascimento disse...

Parabéns, Levon, pelo texto, pela coragem e clareza de expressão!Isto mesmo. Ir às marchas de 7 de Setembro é apoiar o ridículo e a baixaria em curso no Brasil q tem o governo Temer como símbolo da tirania contra o povo deste país, sobretudo, os pobres e trabalhadores

jhon33 disse...

Parabéns parabéns Levon pelas sábias palavras.

Adilson Tuca Silveira disse...

Parabens, amigo. O 7 de setembro virou algo somente para q alunos ganhem pontos em disciplinas escolares. Mesmo porque é uma farsa, pois, como vc mesmo disse, cadê a independência?