terça-feira, 11 de abril de 2017

Taiobeiras: quando a oposição chegar lá

* Levon Nascimento

Pressinto que a oposição política de Taiobeiras está próxima de chegar ao comando do município. O resultado de 2016 foi como uma bola na trave numa decisão de pênaltis, embaralhando um roteiro que o destino já tinha escrito. Mas o dia está próximo.

“Deus escreve certo por linhas tortas” ou “o que não nos mata nos fortalece” poderiam ser os ditados empregados para o adiamento dessa mudança de rumo para a história de Taiobeiras. Sim, por que já passou pela cabeça das lideranças oposicionistas o que fazer quando chegar lá?

Tenho pensado muito sobre isso. O que a oposição faria ao chegar à prefeitura? Há clareza dos rumos? Como corrigir a rota de uma cidade que caminha para o precipício? Quais as estratégias para reverter o esgarçamento do tecido social? Como salvar as vidas que se perdem na guerra da violência urbana? Como perenizar a água? São questões que demandam mais do que voluntarismo e boa vontade. São necessárias consistência e assertividade.

De todas essas perguntas, uma coisa já é certa, os problemas saltam às nossas vistas e a lista é grande. Mas o que os provocou? Quem é o nosso povo? Por que se mata e se morre tanto em Taiobeiras? O que fazer para garantir a vida plena e com dignidade como direito básico e fundamental a todos os taiobeirenses? Quais os métodos para alcançar a cultura de paz? Se as respostas forem encontradas, a oposição fará um bom trabalho.

Analisando os planos de governo oposicionistas, apresentados nas duas últimas eleições, uma coisa alegra. Há uma lúcida noção quanto ao compromisso pela promoção da dignidade da pessoa humana. Mas é, por enquanto, só uma frase numa carta de intenções. Como fazer ao chegar lá, no dia que certamente se aproxima, para que ela se torne efetivamente real?

De antemão, sabe-se que Taiobeiras é herdeira de uma forte cultura elitista, hierarquizante e discriminatória. A política por aqui sempre foi feita para determinadas castas bem nascidas, correias de transmissão do atraso, ainda que travestidas de elegante fachada modernizante. É preciso romper com este ciclo que criou um escandaloso fosso social entre os que podem consumir e os que só desejam, mas não podem. Tem-se que fazer com que o taiobeirense sonhe alto – e lute por isto – mais do que consumidor, cidadão.

Creio que o primeiro passo será ouvir o povo que nunca foi convidado às mesas da “Casa Grande”. Conhecê-lo. Compartilhar de suas dores e participar de seu cotidiano.

Em seguida, promover pesquisas e sondagens científicas para desvendar o porquê de nossa violência tão acentuadamente mais forte do que em cidades de mesmo perfil. Dar respostas sobre quem são os nossos jovens que adentram ao mundo da criminalidade. Entender o que pensam e o que sentem. Interpretar seus sonhos e conhecer o que lhes falta. Lutar ao lado deles para salvá-los, a partir de suas experiências concretas, da sina da morte certa.

Há que se empreender um grande esforço investigativo e interpretativo, sem a pretensão de deter o controle da verdade, abrindo espaço de diálogo com aqueles que se pretende salvar das garras da violência. Construir com eles alternativas reais e integrá-los à condição de cidadãos de primeira grandeza.

Por fim, descobrir métodos e maneiras de fazer superar as ideologias de dominação que ainda teimam em agredir a inteligência da classe política e do povo. É preciso sepultar a arrogante e falsa ideologia de que “Taiobeiras é a melhor cidade para se viver”. Embora para muitos seja útil cultivar esta ilusão aborrecida, porque se sentir superior serve para mascarar a covardia ou a apatia, ainda assim é preciso insistir e fazer enxergar que não vivemos numa cidade modelo. Tomar consciência da realidade é psicologicamente fundamental para que a sociedade taiobeirense comece a mirar numa utopia nova, mais generosa, melhor e mais justa, para todos.

Quando a oposição política chegar lá, precisará dar respostas rápidas, firmes, humanitárias e consistentes. Agora, já, é necessário diálogo, esforço e preparação para o dia que já foi agendado na história pelo destino.

* Levon Nascimento é professor de História, sociólogo e mestrando em “Estado, Governo e Políticas Públicas” pela Fundação Perseu Abramo/Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais.

4 comentários:

BARRETO disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Edmar Rocha Almeida disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
BARRETO disse...

De qual cartola tiraram essa falácia :"Taiobeiras lugar bom de se viver" se isso foi proferido no sentido de colocá-la como exceção , como cidade ímpar , livre das inúmeras carências que assolam muitas cidades brasileiras. Creio que essa expressão é fruto de devaneios de panelinhas que têm no erário a fomentação de suas luxúrias.
Ainda que eu não viva aí em Taiobeiras, não me sinto confortável com as inúmeras postagens do Folha Regional denunciando a criminalidade - é lastimável constatar que são jovens os atores dessa tragédia. A facilidade de se apoderarem de armas de fogo. Incompreensível são as ditas "autoridades competentes" (legislativas e executiva) não se manifestarem com planos de curto a médio prazo para amenizar a violência - estão como no cancioneiro popular de Zé Geraldo : "isto tudo acontecendo e eu aqui dando milhos aos pombos.
Não entendi porque não deram oportunidade ao Carlito - empresário local. Não que ele venha como o um Messias. Todavia , a situação pedia mudança - e quem sabe alguém com mais vontade de construir , de fazer o óbvio. E isto começa por implantar uma gestão pensando com e para os menos favorecidos.
Sabemos que a tarefa de gerir uma cidade num contexto de insegurança. Num momento em que temos um golpista na presidência e uma cambada de parlamentares irresponsáveis ... administrar Taiobeiras seria uma missão para muita transpiração e muita inspiração. .Lídio Ita Blue

Edmar Rocha Almeida disse...

Como todos os municípios Taiobeiras tem problemas, disso não temos dúvidas. Agora aqui as coisas são diferentes, quer a oposição queira ou não. Na saúde, por exemplo, só quem morou em outro município da região para saber a diferença! Não sou filho de Taiobeiras, mas aqui me estabeleci justamente por ter vivenciado outros lugares e aqui encontrar "um lugar diferente". Sobre a violência, de fato é um problema que inclusive é potencializado pela mídia tendenciosa (Folha Regional) que insiste em mostrar somente o que não funciona, o que está ruim (como se no município só existe problemas). Tem tanta coisa boa acontecendo, a cidade é tão bonita e de um povo tão bom. Pena que a oposição se esquece que ao tentar destruir a imagem da situação política, de quebra está acabando com a reputação de uma cidade e de um povo! Toda oposição deveria ser propositiva (em termos práticos e nao somente no discurso), pois ai sim fará o seu papel!