quinta-feira, 23 de março de 2017

Juízo Final brasileiro, por Levon Nascimento


Quando a Dor na Consciência vier na sua glória, acompanhada de todos os seus remorsos e arrependimentos, então se assentará em seu trono glorioso. Todos os brasileiros serão reunidos diante dela.

Então a Dor na Consciência dirá a uma parte deles: “Afastem-se de mim malditos. Vão para o fogo eterno preparado por Temer e por seus ministros. Porque eu falei que era um golpe de Estado, e vocês me chamaram de ‘petralha-esquerdopata’; eu disse que era para retirar seus direitos, e vocês gritaram ‘Fora Dilma’; eu disse que a Lava-jato era seletiva, e vocês berraram ‘Lula-ladrão-nove-dedos’; eu falei que a democracia ia se acabar, e vocês exaltaram ‘mito... mito... na ditadura é que era bom’; eu disse que impeachment por pedaladas era uma falácia, e vocês me chamaram de “mortadela-fanático”; eu afirmei que o golpe ia destruir a economia, gerando desemprego em massa, e vocês disseram ‘que era para combater a corrupção’.”

E essa parte dos brasileiros respondeu à Dor na Consciência: “Senhora, quando foi que te vimos falar que era golpe, dizendo que retirariam nossos direitos, afirmando que a Lava-jato é seletiva, que a democracia se acabaria, que o impeachment era uma falácia ou que o golpe destruiria a economia gerando desemprego em massa?”

Então, a Dor na Consciência responderá a eles: “Eu garanto a vocês: todas as vezes que vocês bateram panelas da varanda gourmê, vestiram e desfilaram com as camisas amarelas da corrupta CBF contra a corrupção dos outros, ajoelharam-se e adoraram patos amarelos de borracha da FIESP ou trollaram militantes pela defesa da democracia nas redes sociais, foi a mim que deixaram de escutar. Portanto, vocês irão para o castigo eterno, trabalhar sem esperança de aposentadoria, virar terceirizados com salários bem mais baixos, ver os governos deixarem de realizar concursos públicos para a classe média e viver num país que tinha tudo para dar certo, mas que virará chacota permanente entre as nações civilizadas”.

(Inspirado em Mateus 25,31-33.41-46)

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