quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

O DVD do massacre amazônico se esgotou: a que ponto chegou o Brasil?

De acordo com a repórter Bruna Chagas, da Folha de São Paulo, o DVD com as imagens do massacre nos presídios do Amazonas se esgotou nas bancas dos camelôs. Que conclusões podemos tirar desta informação?

Primeira. A sociedade brasileira está doente. Sofre de sadismo.

Consultando o dicionário online se descobre que sadismo é um substantivo masculino que significa "satisfação, prazer com a dor alheia" e "extrema crueldade".

Pronto. É uma doença social. Está nos meios de comunicação, naqueles programas policiais de fim de tarde, tipo Brasil Urgente ou Cidade Alerta. Os adoecidos são aqueles que sentem um prazer quase que sexual quando as seguintes frases são ditas, escritas ou repetidas: "tem que prender", "tem que arrebentar", "pega, bate, esfola", "bandido bom é bandido morto", "tá com dó, leva pra casa", etc.

Segunda. O povo brasileiro se acostumou com a crueldade. Afinal, foram quase 400 anos de escravidão e massacre!

Era corriqueiro a senhora mandar cortar a orelha ou arrancar o bico do seio da negrinha bonita que despertava a libido do senhor de engenho. Era comum o bandeirante invadir a aldeia e retirar o bebê do útero da índia a golpes de facão. Normais as cenas como a de levantar Antônio Conselheiro da sepultura em Canudos, cortar a cabeça do cadáver e desfilar com ela pelas ruas de Salvador. Idem para Lampião e Maria Bonita.

Terceira. A violência é algo banal no Brasil e não desperta indignação. É mais fácil bater-panela porque o preço da gasolina aumentou. Claro, só se o preço for elevado durante um governo dos trabalhadores, porque nos governos da burguesia pode subir o tanto que for que ninguém pia.

Está na TV, nos filmes, nos games na internet, nas conversas familiares, no poder do patrão sobre o empregado amedrontado pela onda de desemprego, no político que movimenta grandes cifras para comprar os votos e fraudar a democracia, no governo golpista que estupra a Constituição para destruir direitos trabalhistas e previdenciários, na mãe que assassina o filho e toca fogo no corpo porque ele era homossexual, no ex-marido que invade a festa de réveillon para matar a ex, o filho de oito anos e as mulheres da família dela e ainda recebe apoio em comentários de rede social.

Quarta. A crueldade acomete principalmente as pessoas que se julgam "gente de bem" quando elas se omitem ou se acovardam de participar de qualquer possibilidade de transformação social, passando a tratar com ironia e humor de baixo calão o inominável e o inadmissível.

É como aquela gente que tem o prazer de publicar um vídeo ou uma foto de gente morta, esguichando sangue, seja num acidente automobilístico ou assassinada numa rua qualquer, mentindo para si mesma de que está apenas transmitindo informação pelo WhatsApp.

O primeiro passo para combater a violência é admitir que nós mesmos temos um coração violento, mesquinho, cruel e vingativo. E, a partir dessa tomada de consciência, converter-mo-nos para uma condição superior de civilização.

Mais educação!

2 comentários:

Clebson Manoel disse...

Infelismente apenas verdades, este é o nosso povo brasileiro...

Clebson Manoel disse...

Infelismente apenas verdade, este é o povo brasileiro...