segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

A marcha rumo ao fascismo brasileiro continua em 2017, Por Levon Nascimento

Li há pouco sobre a chacina de Campinas na noite de Réveillon. Li também a matéria contendo a carta que o assassino deixou. Ele matou ex-esposa, filho de oito anos e vários parentes e amigos dela, principalmente mulheres.

Na carta, o sujeito enumera uma série de imbecilidades que andam pela boca de muitos brasileiros, principalmente dos estúpidos seguidores de Bolsonaro e dos telespectadores de programas televisivos "mundo-cão" de fim de tarde, tipo o do Datena e o do Marcelo Rezende. Machismo, misoginia, "contra os altos impostos", a favor do porte de armas, chama mulheres autônomas de vadias, critica a Lei Maria da Penha ("vadia-da-penha" nas palavras dele), xinga Dilma Rousseff por "estimular as feministas", ataca os direitos humanos e os seus defensores.

Disse, ainda, que ia feliz para a cadeia porque lá teria várias refeições, salário pago pelo governo e que os defensores dos direitos humanos iriam lhe "puxar o saco"..., mas não manteve a palavra, cometendo suicídio ao final da barbárie.

Planejou o atentado para a noite de réveillon porque teria a oportunidade de matar não somente a "vadia" mãe de seu filho, mas "o maior número de vadias da família dela", segundo suas próprias palavras na carta.

Em relação ao filho, segundo a carta, deixou transparecer que era apenas um objeto em disputa com a mulher, que não lhe deixava aproximar. A típica vaidade machista falando mais alto do que o amor de pai.

Um ignorante típico, alienado como a maioria da classe média brasileira. Mas, sobretudo, um ser humano sofrendo da criminosa patologia fascista que vem irresponsavelmente sendo estimulada no Brasil desde que o golpe de Estado se sagrou vitorioso, seja pela mídia canalha ou pela omissão de um Poder Judiciário mais preocupado com os holofotes da política ou com a manutenção das regalias de casta do que em exercer o seu verdadeiro papel constitucional.

Não me cabe condená-lo. Precisamos condenar e destruir os valores invertidos da sociedade que o criou e o levou a cometer essa barbárie. Vamos continuar fingindo que não é com a gente?

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