sábado, 9 de julho de 2016

Novo FEBEAPÁ: o golpe de 2016

FEBEAPÁ (Festival de Besteiras que Assola o País) é o título de uma série de três livros escritos pelo cronista, escritor, radialista e compositor brasileiro Sérgio Marcus Rangel Porto (Rio de Janeiro, 11 de janeiro de 1923 — 30 de setembro de 1968), mais conhecido por seu pseudônimo Stanislaw Ponte Preta. No FEBEAPÁ, Ponte Preta ironizava as pérolas dos anos iniciais da Ditadura Militar brasileira. Pois não é que com o golpe de 2016, um novo FEBEAPÁ está acontecendo na vida política e social brasileira!
Conta-nos, Stanislaw, que nos anos 60 do século passado, a repressão invadiu um sindicato à procura de todos os livros do "comunista comedor de criancinhas" Karl Marx, o velho filósofo alemão que viveu no século XIX, mas que acabou fichado no DOPS (órgão da ditadura brasileira) como figura muito suspeita que ameaçava o regime. O primeiro livro estranho encontrado foi levado e queimado na rua por ter a capa vermelha. Era uma Bíblia doada aos líderes sindicais do mundo inteiro pelo Papa João XXIII, durante uma solenidade de São José Operário, em algum 1º de maio. Mas, como estava escrita em latim e, ainda, com capa vermelha, só podia ser coisa de comunista ateu (risos). "O Capital", livro de Marx, permaneceu incólume, pois tinha capa preta e edição discreta. Agora, nos tempos do usurpador golpista temerário, do deputado Bolsonaro, que elogia torturadores na sessão do impeachment, de Eduardo Cunha, que apronta todas e nunca vai preso e dos parlamentares obscurantistas, uma professora do Paraná foi afastada da escola - pasmem! - por ensinar as teorias de Karl Marx na aula de sociologia, coisa que consta do curriculum de qualquer escola brasileira, americana, inglesa ou japonesa que preze por oferecer um ensino de qualidade.
A julgar pelo ridículo e pelo desmonte das políticas públicas que o governo golpista está operando em apenas dois meses, todos os professores de História, Ciências, Sociologia, Geografia e Filosofia que se preparem, pois a nova ditadura "temerária" brasileira, que pôs fim à Nova República inaugurada por Tancredo Neves em 1985, vai em breve nos censurar e perseguir por ensinar Paulo Freire, Milton Santos, Guerra Fria, evolucionismo darwinista, cultura afro-brasileira e indígena, teoria do subdesenvolvimento e o artigo 5º da Constituição de 1988, aquele que trata sobre os direitos dos cidadãos e cidadãs do Brasil.
Não bastasse querer elevar a aposentadoria para 70 anos, entregar o pré-sal para as multinacionais americanas, aumentar a jornada diária de trabalho de oito para doze horas, agora é a tal da "Escola Sem Partido", defendida pelo ator pornô Alexandre Frota na visita que fez ao Ministro da Educação do governo golpista de Temer, ainda em maio.
Fora Dilma! Bem-vinda nova ditadura! A história se repetindo, como em 1964. Quantos serão torturados e mortos novamente?

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