sábado, 2 de abril de 2016

Artigo do Levon: O valor dos líderes

Beatriz Cerqueira, do SindUTE/MG e da CUT/MG
Às vezes fico indignado quando percebo que boa parte das pessoas não é digna do esforço de algumas lideranças que as guiam e defendem. Vou citar dois casos, um da Bíblia e outro da nossa atualidade política brasileira.

Nos tempos bíblicos vemos a luta de Moisés para convencer, organizar e conduzir o povo de Israel na luta contra a escravidão no Egito. E, mesmo depois da espetacular fuga pelo Mar Vermelho, em meio às óbvias dificuldades de travessia do deserto, os hebreus se põem a conspirar contra Moisés, reclamando do racionamento de comida e desejando o retorno à vida dos tempos de escravidão. A liberdade e a autonomia são bens duros de serem conseguidos e vividos. Nem todos estavam amadurecidos para compreendê-las e, delas, usufruírem. “Pau no líder”!

Atualmente, vejo a consistente atuação da professora Beatriz Cerqueira, do Sindicato Único dos Educadores de Minas Gerais (SindUTE/MG) e da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG). Uma baita liderança! Inteligente, coerente e bem articulada. Organizou e lutou bravamente contra os desmandos dos governos tucanos na educação mineira. Tem feito a luta, mesmo com um governo simpático às demandas dos professores, sem abrir mão do essencial aos interesses da categoria. Mesmo assim, tem professor que nem lê o que ela escreve, não sabe o que pensa e, pior ainda, fala mal, acusa com leviandades e prefere dizer que “o Sindicato ou a Beatriz nada fazem por eles”. Vivem da murmuração e se recusam a participar efetivamente das lutas.

Ah, e se tiver alguém que venha me acusar de misturar a história bíblica para dar sustentação a esta narrativa claramente política, digo logo que parem de ser hipócritas e desinformados. Estudem! Em geral, os que assim procederem são aqueles mesmos que conhecem a Bíblia de cabo a rabo quando o assunto é “teologia da prosperidade”, busca de milagres espetaculares ou julgar a vida alheia, mas que sabem como ninguém utilizar o famoso “jeitinho” brasileiro quando se deparam com a passagem na qual Jesus afirma que “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino do céu”. Para essa gente, a agulha era uma grande porta típica das cidades do Oriente Médio. Típico descaramento na interpretação. O mestre Jesus não se valeria de uma comparação que indica dificuldades utilizando exemplos que permitem concluir por facilidades. Agulha é agulha, camelo é camelo, rico é rico, hipocrisia é hipocrisia.

Enfim, há casos em que muitos liderados não fazem jus ao valor, à luta e ao sacrifício de seus líderes. E vice versa!

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