quinta-feira, 31 de julho de 2014

Católicos ou petistas?

Lula e o Cardeal Dom Cláudio Hummes, amigos desde os tempos
das missas do trabalhador no ABC Paulista, na década de 1970
Um dos três grupos principais da fundação e da história do PT, junto com sindicalistas e intelectuais, foram os agentes de pastorais das comunidades católicas. Infelizmente, um grupo de católicos tem passado a falsa ideia de que a militância política libertadora no PT é incompatível com o exercício da fé católica, amparados numa impressão incorreta de que todo o PT defende a legalização do aborto. Nada mais equivocado! Há, sim, no PT, grupos que defendem a legalização do aborto. Há outros que são contrários a tal proposta. Como é um partido democrático, há espaço para o debate de diferentes ideias e tendências. Ao contrário de outros políticos e partidos que, supostamente se fazem de moralistas mas, no fundo, praticam iniquidades (vide o caso da mulher de José Serra que, segundo relatos de ex-alunas, teria feito aborto na juventude, mas em público chamava Dilma de abortista em 2010). Esse grupo de católicos, ao discriminar e "demonizar" o PT, consciente ou inconscientemente, fecham os olhos e acabam por "abençoar" outros grupos e partidos políticos, muitas vezes com projetos e ações muito mais nocivos e letais às pessoas e aos valores cristãos.

As inúmeras políticas públicas que geram MAIS E MELHOR QUALIDADE DE VIDA para milhões de brasileiros só foram possíveis graças à chegada do PT à presidência. É o ideal da "vida em abundância" de João 10,10 (que tem uma interpretação muito mais ampla, reconheço) relativamente aplicado também às condições sociais das pessoas, conforme a DSI (Doutrina Social da Igreja). Logo, participar do PT, e votar nele, é também uma forma de exercer o cristianismo católico no campo da CARIDADE, como dizia o Papa Paulo VI. Não é a única e nem a forma exclusiva. Existem outras maneiras de participar da política. Mas não pode ser demonizada nem desprezada. Católicos petistas são igualmente católicos e o fazem pelo interesse do bem comum dos irmãos e irmãs. Porém, acho que a questão religiosa é de foro íntimo e que não deveria pautar o debate político. Afinal, o Brasil tem muito mais a discutir nas eleições do que a denominação à qual cada um pertence.

Nenhum comentário: