quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Natal caloroso brasileiro X neve de papai Noel

Um presépio (lapinha) brasileiro
Não sei se é só comigo, mas me dá uma ânsia, uma sensação muito ruim, quando vejo decorações de natal que tentam imitar o clima de inverno do hemisfério norte. Nada a ver com o Natal verdadeiro (do nascimento de Jesus numa estrebaria de Belém de Judá), muito menos com nossa cultura tropical brasileira, em pleno início do "caloroso" verão do hemisfério sul.
Talvez seja algo como a indignação do grande e clássico sociólogo pernambucano Gilberto Freyre (1900-1987) quando lançou o Manifesto Regionalista, no qual atacou o péssimo hábito brasileiro de aceitar cegamente as "novidades estrangeiras". Disse ele: “esse carnavalesco Papai Noel que, esmagando com suas botas de andar em trenó e pisar em neve as velhas lapinhas brasileiras (presépios), verdes, cheirosas, de tempo de verão, está dando uma nota de ridículo aos nossos natais de família, também enfeitados agora com arvorezinhas estrangeiras mandadas vir da Europa ou dos Estados Unidos pelos burgueses mais cheios de requififes e de dinheiro”.
Falando em "lapinhas brasileiras" (presépios), esta descrição de Gilberto Freyre me fez relembrar a infância, de um natal que fomos passar juntos aos parentes na comunidade rural de Mandaçaia, no município de Condeúba, na Bahia. A descrição é a mesma, muito enfeitadas com flores do campo, verdes, contendo além das imagens do Menino Jesus, Virgem Maria e São José, uma série de elementos singelos e significativos da nossa cultura sertaneja. Tomavam quase que o espaço inteiro da sala de visitas de cada casa por onde passávamos. E acompanhadas de simples, porém genuína, hospitalidade. Saudades daquele tempo!

Um comentário:

Cícero Vieira Torres disse...

Sempre questionei o fato de nossas comemorações de Natal, fora as comemorações oficiais da Igreja, fosse uma mera imitação do que se faz no hemisfério norte, terras de nossos colonizadores europeus e os EUA. Tirante às diferenças climáticas gritantes, temos a grande distinção cultural que nos distanciam dos tão mirados países do norte.
Quando você Lembra o Gilberto Freyre, lembrei-me imediatamente de uma crítica que sempre fiz de “papai Noel brasileiro” com estas roupas vermelhas, botas viajando em uma carruagem puxadas por renas. Sempre defendi, que o “legitimo papai Noel brasileiro” antes de qualquer coisa um negro, sim um negro vindo da historias do “racista” Monteiro Lobato, que vestindo em roupas simples viajasse por todo país, montado em um pequenino jegue, e, ao invés de um saco de presentes, levasse a sua maravilhosa memória cheias de estórias, vividas ou concebidas por sua brilhante criatividade a contar seus casos as nossas crianças. Eu que vivi minha infância e adolescência nas décadas de 1960 e 1970, garanto que esse papai Noel seria mais salutar aos nossos jovens.