quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Artigo do Levon: Taiobeiras e a liberdade que se alcança aos 60

Taiobeiras na década de 1940, ainda distrito, na região
hoje conhecida como Praça da Matriz em confluência
com a Avenida da Liberdade
Artigo escrito em homenagem aos 60 anos de emancipação de Taiobeiras, comemorados em 12 de dezembro de 2013, data em que se relembra a assinatura da Lei Estadual de Minas Gerais, n. 1.039, de 12/12/1953.


Outro dia conversávamos na escola durante o recreio sobre o aniversário próximo dos 60 anos de emancipação de Taiobeiras, quando um colega professor saiu-se com esta: “60 anos?! então já pode requerer os direitos da Lei dos Sexagenários!” Rimos bastante. Fui pesquisar e encontrei que a Lei Imperial nº 3.270, de 28 de setembro de 1885, também conhecida como Lei Saraiva-Cotegipe ou simplesmente Lei dos Sexagenários, dava o direito à liberdade não aos escravos negros que completavam 60 anos, mas aos 65. Uma lei estúpida, pois era raro o negro que chegava vivo a esta idade, devido aos maus-tratos e ao trabalho insalubre. E aos sobreviventes, qual outra opção senão continuar “livre” na dependência do senhor? Para onde iria e o que fazer para sobreviver um ancião de pele escura e sem qualquer outro direito? No entanto, é de liberdade que quero tratar. Liberdade para uma sexagenária senhora, minha cidade de Taiobeiras.

De certa forma, o colega tinha razão! O município de Taiobeiras bem que poderia fazer uso dos direitos simbólicos que emanam da Lei dos Sexagenários e libertar-se de uma série de jugos atravancadores do desenvolvimento de sua sociedade civil e dos seus órgãos públicos constituídos. Talvez, os cidadãos de hoje pudessem fazer valer, com maior ênfase, o gesto de alguns conterrâneos do passado. Conta a história informal que, ao saber da assinatura da lei emancipatória, em 12 de dezembro de 1953, alguns taiobeirenses mais afoitos trataram logo de retirar a placa que dava nome à principal via da recém-cidade. Conhecida por todos como “Rua Larga”, oficialmente chamava-se “Idalino Ribeiro”, homenagem por imposição ao chefe político salinense que de tudo fazia para impedir a concretização do processo de emancipação. Aquele gesto, de banir a placa, mais que vandalismo, constitui-se simbolicamente numa atitude ousada de declaração de liberdade. Não por coincidência, os mesmos ativistas instantaneamente escreveram no mesmo local os dizeres “Avenida da Liberdade”, rebatizando o logradouro com o ideal que ainda se deseja alcançar nos dias atuais.

Fazer valer o pequeno e utópico gesto fundante daqueles idealistas, movidos por contagiante rivalidade bairrista, significa hoje ir muito além do que personificar inimigos como fizeram com o velho Idalino ou com Salinas. Com efeito, a liberdade de hoje deve ser conquistada na capacidade criativa dos taiobeirenses e na competência para resolver os problemas. As algemas que impedem o desenvolvimento humano e social devem ser rompidas. Para Taiobeiras dar um novo brado de liberdade, agora aos 60 anos, é necessário reconhecer as deficiências, praticar a autocrítica, banir os vícios patrimonialistas, romper as segregações já intrínsecas na cultura, avançar na construção de uma nova sociedade e derrubar as “novas placas” onde se inscrevem as injustiças sociais.

Para ser realmente livre aos 60 anos, Taiobeiras tem de: cuidar de sua gente, especialmente dos pobres; enfrentar e vencer a escandalosa violência que ceifa vidas, inclusive dos jovens; avançar na educação cidadã e permanente, estendendo as oportunidades de conteúdo a todos; melhorar a qualidade dos agentes e das instituições políticas municipais, aprimorando a democracia e destruindo os vícios coronelistas e clientelistas do autoritarismo e da compra/venda do voto; transformar as relações sociais, abandonando a cultura do consumismo e do exibicionismo vazios, trocando-a por uma nova era onde valham mais as pessoas e o seu conteúdo interior, do que a aparência e os bens que eventualmente possuam.

Cuidar, enfrentar, vencer, avançar, melhorar e transformar: verbos que precisam sair do papel da teoria e materializarem-se na práxis de Taiobeiras. Só assim, a partir dos 60, a cidade encontrará a liberdade. A liberdade que só se encontra numa nova cultura de paz a ser construída. Parabéns, Taiobeiras, pelos 60 anos de emancipação!

13 comentários:

Paulinho Taiobeiras disse...

Parabéns Levon pelo texto, é engraçado como somos filhos de Taiobeiras, mas olhamos para ela como se nós fossemos os País.
Estamos sempre gritando vai que você consegui, toma cuidado, como você cresceu e ficou linda. kkkkk é o amorrrrr.

Anônimo disse...

Cyntia Pinheiro: Parabéns Levon Nascimento! Ótimo texto.

Anônimo disse...

Mara Ester Lucas: Muito bom levon parabéns

Anônimo disse...

Judith Diniz: Parabens Levon,por essa comemoraçao!foi mto bom relembrar o passado,rever pessoas que fizeram historia,deixaram suas marcas,e contribuiram para o progresso da nossa querida Taiobeiras!parabens Taiobeiras!!!

Anônimo disse...

Luis Henrique: Parabens a Taiobeiras heheheu

Anônimo disse...

Maxwell Gomes Santos: EX-CE-LEN-TE

Marileide Alves Pinheiro disse...

Parabéns, Levon! Taiobeiras se constrói através de boas atitudes e valores. Taiobeiras 60 anos!

Anônimo disse...

Carlito Arruda: Parabéns professor Levon pelo entusiasmo e empenho em que se dedicou para não deixar os 60 anos de nossa querida Taiobeiras passar sem o devido reconhecimento. Seu esforço foi importante e também oportuno, pois além de nos agraciar com seu conhecimento sobre nossa cidade, nos presenteando com seus textos ricos em conteúdo e saber, também fez com que o município, a toque de caixa, improvisasse algo para valorizar esta data tão importante.
No mais, nos resta aguardar seu novo livro em comemoração aos 60 anos de nossa cidade.
Que Deus abençoe a nossa cidade. Viva Taiobeiras, parabéns pelos 60 anos! VJ

Anônimo disse...

Sebastião Antônio de Almeida: Parabéns Levon, mesmo de outra cidade, mas o seu coração é taiobeirense!

Anônimo disse...

Lucimar Pereira: Parabéns Levon por essa iniciativa em estar relembrando pessoas e fatos históricos da nossa magnífica Taiobeiras.

Anônimo disse...

Mônica Alves Costa: Parabéns Levon pela brilhante iniciativa e valorização a história de Taiobeiras, numa perspectiva de valores e fatos de pessoas que marcaram este tempo: "Os 60 anos " de história. Foi um momento de oportunidades e lembranças em que todos expuseram em seu tempo um pedaço de TAIOBEIRAS, esta cidade grandiosa.

Anônimo disse...

Parabéns Levon por sempre nos presentear com belos textos. Taiobeiras60anos...
Marileide Alves Pinheiro.

Anônimo disse...

Parabéns, levon. Vc sempre nos presenteia com belíssimos textos. Taiobeiras merece ter um filho ilustre como vc. Grande abraço!
Ass: Marileide Alves Pinheiro