quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Artigo do Levon: Rumo a Jesus, com Francisco, nas areias de Copacabana

Caravana de Taiobeiras na JMJ Rio 2013, em julho.
* Levon Nascimento
Artigo publicado originalmente na edição impressa do Jornal Folha Regional, Taiobeiras/MG, agosto de 2013, ano IX, n. 218.




Entre os dias 24 e 29 de julho participei da 28ª Jornada Mundial da Juventude na cidade do Rio de Janeiro, juntamente com outras pessoas da Paróquia São Sebastião de Taiobeiras.

Foram dias especiais, de aprendizado, oração e partilha. A presença do Papa Francisco, sempre gentil, afetuoso e firme na mensagem do Evangelho, a todos nós encantou, educou e fortaleceu na fé e nos valores cristãos.

Especialmente, nos chamou a atenção a enorme “Babel” de povos do mundo espalhados pelo Rio de Janeiro. Gente de todos os países a falar em seus idiomas. Muitos argentinos barulhentos e alegres, conterrâneos do Papa Francisco. No entanto, a “Babel” carioca, ao contrário da bíblica, parecia-se mais com o Pentecostes, no qual os apóstolos e Maria receberam o Espírito Santo. Apesar dos diferentes povos e línguas faladas, no Rio todos se entendiam, se confraternizavam e compartilhavam as experiências com carinho e admiração. Fez-se ali uma pequena demonstração do que deve ser o desejo de Deus para o seu povo: união, amor, misericórdia, compaixão, partilha.

Aprendemos que é preciso cultivar a fé sem deixar de estar atentos à realidade vivida. Como nos ensinou Francisco, a fazer eco ao Evangelho de Cristo, não é possível que julguemos o diferente ou o excluamos. A todos sem exceção, temos de amparar, acolher, respeitar e promover o diálogo ecumênico e inter-religioso. Precisamos “ir às ruas”, abraçar, acolher, “globalizar a solidariedade e combater a indiferença”.

Seguindo o ensinamento de Francisco, já não é mais possível uma Igreja com mentalidade “de príncipes”. É hora dos católicos avançarem e “fazerem a Igreja nas ruas”, compartilhando da pobreza concreta ou espiritual dos destinatários da mensagem cristã. Destinatários que devem ser encontrados não mais nos centros civilizacionais ou econômicos do mundo, mas nas periferias do planeta, periferias existenciais e geográficas.

Devido à dinâmica acelerada dos eventos da Jornada e da dificuldade de locomoção pelo Rio, uma vez que muitas vias estavam interditadas por causa do evento, não pudemos subir o Corcovado para ver a estátua do Cristo Redentor. Muitos de nossos companheiros de viagem lamentavam. Só ao final de tudo, quando fizemos um momento de oração e partilha, é que entendemos. Na verdade, o Redentor esteve pedagogicamente conosco durante toda a viagem, assim como no “desconhecido” Jesus ressuscitado que acompanhou e explicou as escrituras aos dois discípulos que se dirigiam a Emaús na tarde do domingo de Páscoa. Amedrontados com a crucificação do mestre e ainda sem saber do ocorrido naquela manhã, eles não eram capazes de ver naquele estranho o Senhor que ressuscitara. Somente tomaram conhecimento disso quando Ele partiu o pão em sua casa. Assim foi conosco. Não vimos de perto a estátua do redentor. Nem por isso o Redentor (de fato) deixou de compartilhar conosco todo o seu amor e ensinamento durante a JMJ Rio 2013.

As areias e o asfalto de Copacabana, tomados por quase 4 milhões de pessoas na manhã do domingo 28 de julho de 2013, demonstraram ao mundo que ainda há uma enorme sede de fé e uma grande fome de união universal; um enorme espaço para que a mensagem do jovem carpinteiro de Nazaré da Galileia, de amor e fraternidade, permaneça mais viva e útil do que em qualquer outro momento da história humana.

Um comentário:

MARCIA disse...

Concordo com Francisco - mais cristianismo e menos religião. A exemplo do mestre Jesus, próximo aos excluídos.