terça-feira, 28 de maio de 2013

Artigo do Levon: O cliente sempre tem razão, até na eleição!

Deveria ser assim!
Publicado no Jornal Folha Regional, ano IX, nº 215, maio/2013, p. 4, Taiobeiras/MG.

Ganhar a eleição em Taiobeiras/MG não é coisa fácil. Válido para prefeitura e vereança. Aqui imperam o clientelismo e todos os defeitos eleitorais dele originados. Não há sombra dos votos ideológicos ou de protesto.

Sufrágios ideais, em candidatos de esquerda e direita, ou ligados a bandeiras temáticas (negros, mulheres, meio ambiente, cultura, educação, religião), são chamados de ideológicos. Como exemplos, podem ser citados: o dep. Rogério Correia (PT/MG), movimentos sociais e educação; o dep. Zé Silva (PDT/MG), campo, trabalho e emprego; o dep. Jean Wyllys (PSOL/RJ), movimento LGBT; o dep. pastor Marco Feliciano (PSC/SP), evangélicos; a senadora Kátia Abreu (PSD/TO), ruralistas; dentre outros. Já as eleições de figuras como o falecido dep. Enéas Carneiro (PRONA) ou o palhaço Tiririca (PR/SP) são classificadas como voto de protesto, justificadas pelo descontentamento do eleitorado com a classe política convencional. Tanto no ideológico quanto no de protesto, o voto é espontâneo e livre. O eleitor vota porque confia no candidato ou repudia uma situação. Ocorre, principalmente, onde o contato do eleitor com o político se dá por meio midiático ou em associações, sindicatos e grupos organizados.

Já os votos de clientela – e sua pior forma, o voto vendido – são comuns nos lugares em que o contato do eleitor com o político é direto e pessoal, individualizado e informal. Trata-se daquele tipo encabrestado pelo que se convencionou chamar de “serviços prestados”, ou seja, pela concessão de benesses públicas, de direito legal estendido a todos os cidadãos, mas que são levadas ao povo por intermediários políticos que se auto-promovem com tais atitudes. Exemplo clássico desse tipo de formação de “currais eleitorais”, o sujeito que, no lugar do cidadão, vai à secretaria de saúde, busca a ficha de consulta ou o remédio e os entrega in loco de mão em mão. O intermediário dos direitos torna-se beneficiário da gratidão popular. Em todos estes casos, o clientelismo é possível porque o grau de cidadania dos indivíduos é precário. Ao invés de sujeitos, as pessoas se transformam em objetos de submissão. Contribui para isto a pouca filiação ou participação dos trabalhadores e das pessoas comuns em entidades sociais, sindicais e políticas, além da baixa escolarização. Os indivíduos são atomizados ao máximo, estimulados a não se organizar e a ter medo. Geralmente, são “alimentados” pela política do “pão e circo” e pela falsa ideia de proximidade em relação aos políticos detentores de mandato (vereadores e prefeito). Além do mais, o povo é manipulado, desde jovem, a enxergar o político e os órgãos do Estado como entes eternos, insondáveis e dotados de poderes supremos.

O passo seguinte na “linha evolutiva” do clientelismo é a venda do voto ao político. Uma vez sabendo que a eleição é um jogo de interesses poderosos, as pessoas imbuem-se da lógica capitalista mais selvagem: “o salve-se quem puder” ou “o mundo é dos espertos”. Negociam o voto com todos os candidatos que estão dispostos a pagar. Vendem-no por dinheiro, serviços ou produtos: combustível, remédio, pagamento de contas, cimento, alimentos, etc. Estes indivíduos, cada dia em maior número, a despeito das leis rigorosas contra a captação ilícita do sufrágio, deseducados pela lerdeza ou complacência do Poder Judiciário, descaracterizam o ideal democrático. Ironicamente, formam uma “maioria” robusta de seres humanos individualistas e míopes em relação ao sentido de “bem comum”.

Na ausência dos votos ideológicos ou de protesto, predominam em Taiobeiras a formação de clientelas e dos similares de baixa reputação ética. Candidatos a vereador ideológicos, defensores de bandeiras civilizatórias, dificilmente se elegem, independente de estar na situação ou na oposição. Em 2012, nenhum representante da educação, do esporte, da cultura ou do meio ambiente foi eleito para a Câmara Municipal de Taiobeiras. Até as mulheres, maioria do eleitorado, estão há cinco eleições seguidas sem emplacar uma vereadora. Sinal de que não há nem mesmo ideologia de gênero. No caso majoritário, vence o grupo mais rico e bem entranhando na administração municipal. Qualquer discurso relativo à eficiência na gestão é mera maquiagem ou decoração para iludir desinformados e incautos. No jogo político taiobeirense, ganha quem consegue reunir clientela maior. E não há futuro promissor para nosso paradigma civilizacional se isto predominar pelas eleições seguintes.

Mas, se nem mesmo o consagrado direito ao voto é bem compreendido e estimulado, haverá quem venha a se importar com o PARADIGMA CIVILIZACIONAL de Taiobeiras?

4 comentários:

Cicero Vieira Torres disse...

Parabéns Levon, como sempre muito lúcidas as suas colocações. A questão não atinge apenas a "civilização Taiobeirense".

ROMARÃO disse...

..Taiobeiras mg..29/05/2013 01:35 horas da madrugada.caro Levon Nascimento,gostaria aqui de deeixar registrado o meu respeito por sua ilustre pessoa e minha umilde opiniâo sobre o asunto "Ocliente sempre tem razão,até na eleição "Para começar eu sou comerciante todos sabém e sôu contra este ditado popular que "o cliente sempre tem razâo"Na minha opinião o dito cliente tèm que fazer valer a minha consideração pois sé nâo perde qualquer regalia que possa vim á merecer ,e asim e meu dia dia è seria asim sé caso tivese sido eleito..hojé enxergo com muita clareze õ porque um candidato á veriador como eu que veio da clase pobre e trabalhadora do BRASIL e tâo dificil conseguir ser eleito,sei que não é inposivel mais muito,muito dificil..durante a campanha tive muitos momentos que presencièi que tenho até vergonha de relatar,tipo..pessoas mim fazendo propostas de uma posivel venda de votos,esquemas como..sè vc bancar uma viagèm para minha turma para ir à praia depois da eleição posso garantir para tí 50 votos,agiotas que emprestam apartir de 50.000 (cinquenta mil reais ) com á condição de pagar durante os quatro anos de governo e mais troca de favores.Foram muitas coisas sujas que ví e presencièi..mais não tive coragèm de aceitar nemuma graças á DEUS.Quando terminou a politica o que presenciéi mim deixou mais triste alguns daqueles candidatos que não respeitaram as leis eleitorais foram todos eleitos ou muito bém votados,aqueles mesmos que se venderam para os agiotas,onibus sairam cheios para porto seguro,alguanhas pessoas ganharam reformas em suas casas e carros,sem falar em materiais de construção e nos MEGA CHURRASCOS que promoveram.Sabe o que mim restou de lição desta campanha politica de 2012 em Taiobeiras..È que antes eu achava que os politicos do Brasil não valiam nada,nâo prestavam ,mass o que descobri que uma boa parte dos eleitores é que sâo podres,corrupidos,oportunistas e mal acustumados com essa politica de esmolas e sem progetos que poçam tentar melhorá á vida delles mesmos. O que eu poder fazer pelo meu proscimo de agora indiante serà com o suor do meu rosto sem espera agradecimentos e nem reconhecimento de niguém tentarei apenas fazer o que for posivel da minha parte..agradeço pelo espaço para mim desabafar o que já algum tempo estava emgasgado na minha garganta e parabèns professor Levon pela iniciativa.Romario Barbosa ( ROMARÃO )

Claudionor Gonçalves (via Facebook) disse...

Artigo excelente, parabéns pela exposição textual da pura realidade especialmente local.

Sidney Batista Azevedo (via Facebook) disse...

não é a toa querem oficializar os lobistas