domingo, 10 de junho de 2012

Artigo do Levon: Miltinho e a juventude

Uma das várias homenagens na rede social Facebook
Eu tinha uns 13 ou 14 anos de idade quando a adolescente Gabriane faleceu depois de muito lutar contra uma doença que acabou por levar sua vida tão precocemente. Não a conheci pessoalmente. Mas me lembro com muita clareza da imensa tristeza que tomou conta de todos nós, adolescentes e jovens do início dos anos 1990. Como todos nessa idade, não nos preocupávamos com a morte. Ela não estava no nosso horizonte. Éramos imortais. E o desaparecimento físico de alguém como nós, chocou-nos ferozmente.

Um pouco mais adiante, no 2º ano do Ensino Médio, mais uma morte de alguém da mesma faixa etária. Estávamos com 16 anos. José Aleatson, meu colega de sala, morto num acidente de moto no cruzamento da Rua Pedra Azul com a Rua Tamoios, num tempo em que usar o capacete ainda não era algo tão natural em Taiobeiras, como hoje. Mais uma vez a morte desafiando a juventude. E nós nos comovemos e choramos mais uma vez.

Agora, com a morte de Miltinho, 19 anos, eu já na condição de adulto, mais uma vez constato o quanto os jovens e os adolescentes, do alto de sua imortalidade gloriosa, são sensíveis à dor e à despedida. Não são alienados como equivocadamente se supõe. Sua vocação é a vida, instantânea e intensa, livre dos limites físicos e materiais, aberta ao caminho da eternidade.

Foi a primeira morte de um jovem querido, trabalhador e humilde na “Era Facebook” em Taiobeiras. As redes sociais virtuais e reais transbordaram de dor e de sentimento. Emoções somente capazes de ser tão intensas no universo luminoso da juventude.

Uma torrente de lágrimas e flashes memoriais abriu caminho por entre a fatalidade. Uma overdose de dor e de carinho soprou como brisa suave em meio à ventania da tempestade do acaso. Jovens prantearam um jovem. Comoveram a todas as idades. Comoveram-se a si mesmos e, amargamente, tomaram parte e consciência da fragilidade de seus corpos físicos. Porém se constituíram, na dor e na crueldade dos fatos, em herdeiros da transcendência que a amizade verdadeira e a memória positiva passaram a conceder às suas existências concretas e permanentes.

Miltinho passou da vida terrena à condição de ícone de uma juventude que, ao contrário do que se suponha, tem sentimentos, sonha e deseja, ardentemente, continuar vivendo. Que ele esteja com Deus!

Miltinho vive! E seus pares, jovens, também! Para sempre!

* Levon Nascimento é professor. Miltinho foi seu aluno do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental, na Escola Estadual Presidente Tancredo Neves.

6 comentários:

Liah Oliveira disse...

Graças a Deus, eu nunca senti na pele a dor da perda de um amigo tão próximo ou de um familiar sabe... Perdi minha avó paterna, porém eu era criança na época e mesmo assim não estava na mesma cidade que ela e só soube da morte alguns dias depois. Com relação á juventude, tenho a dizer que acho lindo a maneira como acreditamos que somos imunes a morte. em nosso mundo de cores e sons não nos damos conta da nossa fragilidade e insegurança. É muito triste quando uma fatalidade assola um jovem, é como se todos os corpos fossem interligados, a amizade é algo como uma extensão de nós no outro. Mas nesse momento de dor eu desejo meus sinceros pesares á todos que amavam este jovem querido. E um conselho clichê:É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se pararmos pra pensar... na verdade não ha... bjss

Geiza eu sou + eu!!! disse...

é complicado se pensar na vida e na morte... por que o único sentido da vida é a morte... e por mais que o tempo aqui seja passageiro e curto o que realmente importa são as nossas atitudes e decisões. Para que nessa pequena estadia possamos contribuir para o bem de um mundo melhor, mesmo que a vida nos traga surpresas desagradáveis e leve nossos amigos e parentes mais queridos. por isso faça a diferença quanto vivo como meu amigo fez e mesmo que a carne morra viveremos para sempre trazendo boas lembrança em todos os corações das pessoas que tivermos o prazer viver momentos de felizes.....

Zé Carlos/BB Taiobeiras disse...

Caro Levon,

A morte será sempre a nossa companheira inseparável. Quando nascemos, começamos a morrer. Entretanto, sofremos quando nossos irmãos, ainda jovens, partem para outros mundos. Será sempre um momento de reflexão sobre a vida que levamos no momento, não devemos desperdiçar. Acredito, na minha fé cristã, que Deus já nos coloca no mundo com data marcada para retorno. O que precisamos, sempre, é estarmos preparados para não chegar do ládo de lá com as mãos vazias...
Parabéns pelo seu post...Leio-os sempre...

LEVON NASCIMENTO disse...

Obrigado, Zé Carlos.

Anônimo disse...

ERVISON GOMES
Eternas são as lembranças
Que o coração aflora
Iluminando a saudade
Daqueles que foram embora

Deixando marcar de carinho
Cicatrizando no peito
A fé vai curando a dor
Daquilo que não tem jeito

Leva me a acreditar
Que no dia que eu partir
Eu vou reencontrar
Aqueles que amei aqui
Saudades eternas
(Milton Junior)

Wanderson Sabino Leivas disse...

Vai ficar marcado em nossas vidas.
Um menino cheio de saúde e amor.
Não tinha poblema com ninguém

Vai deixar saudades Miltinho

Seu texto é muito bom Levon