sábado, 16 de junho de 2012

Artigo do Levon: Bons líderes e boas ações


* Artigo escrito em outubro de 2009.

A sociedade atual necessita de bons exemplos (cf. Mt 7,17). Mais que isto, precisa urgentemente de líderes que exemplifiquem os bons valores com a prática de suas vidas. Não devemos nos conformar em ver nossos filhos seguirem a moda das mulheres “frutas”, o ranço dos bandidos “da hora”, a ética dos políticos vigaristas ou o exibicionismo das celebridades que nada produziram de célebre (cf. Rm 12,2).

Os bons líderes não desapareceram, ao contrário do que se pode imaginar. Continuam por aí, distantes dos holofotes da grande mídia. Muitas vezes incompreendidos pelos próprios parentes e amigos. Vivem a gritar contra a “onda do momento”, a falsa modernidade. Atraem para si a ira do mundo (cf. Jo 15,18-26). São desprezíveis aos olhos da multidão consumista. Podemos citá-los: Chico Mendes, Dorothy Stang, Eloy Ferreira, Galdino Pataxó, Gisley Azevedo Gomes, Josimo Tavares, Margarida Alves, Oscar Romero, Santo Dias, Tito de Alencar, Vladimir Herzog, Zuzu Angel. Estes pagaram com a vida pela ousadia de enfrentar o “sistema”. Restos humanos para a humanidade decaída, por seu sacrifício, se revestiram de uma humanidade transcendente, luminosa, que se interliga à exuberância da glória divina (cf. Jo 16,12-15).

Outros não ostentaram uma causa política ou religiosa, mas viveram os bons princípios como condição da sua própria identidade humana. “Lutaram o bom combate até o fim” (cf. 2Tm 4,7). Testemunhas anônimas, aptas ao tribunal da vida eterna (cf. Ap 6,10-11). Morreram injustamente como vítimas do tráfico, do preconceito racial-classista-machista-homofóbico, da violência urbana, dos ruralistas que matam sem-terras, dos predadores que destroem as florestas e o cerrado, das balas perdidas que os encontraram em suas trajetórias infernais, do sistema de saúde voltado exclusivamente para os ricos e da ganância desenfreada do aparato econômico (cf. Jr 5,28). Mártires de nossos dias, homens, mulheres, idosos e crianças que nunca se corromperam, injustamente foram imolados no altar idólatra do “deus-mercado” (cf. Ap 6,9). Salvos, estão de pé diante do trono da verdade. Vestem-se com roupas límpidas, paradoxalmente alvejadas num sangue precioso; e seguram palmas verdejantes nas mãos, a indicar a esperança futura (cf. Ap 7,9-15). Aguardam pelo momento em que a justiça do alto dará conta de todos os homens e mulheres (cf. Mt 25,31-46).

Os bons líderes, a oferecerem bons exemplos, poderemos ser eu que escrevo ou você que lê este artigo (cf. Lc 4,18-19). Serão atingidos pelas nossas boas ações, os nossos filhos, irmãos, pais, amigos, colegas de trabalho e vizinhos. Também as demais pessoas com quem, em algum instante, nós nos encontrarmos e viermos a sentir suas dores e a tratar com carinho, benevolência, solidariedade, respeito e igualdade (cf. Lc 4,43).

O custo de ser bom pode ser a mal-querência do mundo. O custo de ser mal pode ser o fracasso eterno (cf. Rm 6,23). Escolhamos “o caminho, a verdade e a vida” (cf. Jo 14,6).

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