quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Conto: A Estrada de Maria

Nesse dia a mais que o ano bissexto nos proporciona viver em 2012, façamos uma reflexão sobre a terceira idade. Escrevi essa historinha para crianças. Acho, porém, que serve para todos. Veja aí a ESTRADA DE MARIA.

Levon, 29/02/2012.


Maria é uma senhora que vive numa casa de repouso para idosos. A casa é um lugar onde ficam os velhinhos que não são cuidados pelos seus próprios parentes. Maria nem sempre morou na casa de repouso. Quando era jovem ela se casou e teve dois filhos: Pedro e Ester.

Um dia, seu marido se foi e ela criou Pedro e Ester sozinha. Todos os dias ela saía cedo para trabalhar e, desta forma, conseguia sustentar seus dois filhos.

Quando eles cresceram, Pedro se casou e foi morar em outra casa. Ester foi-se em busca de trabalho na cidade grande. A mulher de Pedro não gostava muito de Maria e a tratava mal. Ester quase não mandava notícias para a mãe.

Pedro teve filhos com sua esposa. Dois meninos e uma menina. Eles quase não visitavam a avó Maria. Ela sentia-se sozinha e triste.

Um dia, Maria ficou sabendo que sua filha Ester, a que morava na cidade grande, havia sofrido um acidente e morrido. Ela ficou mal e adoeceu.

Seu filho Pedro, a mulher dele e os netos, ao invés de cuidar de Maria, colocaram-na na casa de repouso. Diziam que trabalhavam muito e que não tinham tempo suficiente para ficar com ela. É verdade que todos tinham muitas ocupações, mas geralmente eles não a procuravam nem nos domingos ou feriados.

Todo dia Maria esperava pela visita do filho Pedro ou de um dos netos. Eles nunca vinham. A pobre mulher foi ficando cada dia mais infeliz. Chegou a pensar que ninguém gostava dela.

Um dia, porém, um menino negro de cabelos crespos foi visitá-la na casa de repouso. Conversou muito com Maria. Ouviu-a contar toda sua história de vida e, em seguida, foi-se embora. No dia seguinte ele tornou a voltar. Contou histórias. Maria ficou alegre.

Outro dia e o menino novamente apareceu. A pobre idosa e aquela criança conversaram bastante. Maria não se sentia mais sozinha e abandonada. Todos os dias a cena se repetia. O menino vinha e lhe fazia muita companhia.

Numa das visitas, Maria perguntou ao menino qual era o seu nome.

– Eu sou Miguel – respondeu ele.
– De onde você é Miguel? – falou a mulher.
– Eu sou de um lugar onde sempre tem amor. Lá, ninguém se sente sozinho – Disse Miguel.

Ao falar isto, o menino Miguel abriu um sorriso largo e pediu a Maria que olhasse para o alto. No mesmo instante, a idosa virou-se para o céu e enxergou uma luz muito forte vinda em sua direção. Apesar do inusitado, seu coração sentiu felicidade, carinho e esperança naquele momento.

No meio da luz intensa se avistava uma pequena estrada ladrilhada com pedrinhas brancas brilhantes. Mesmo doente, a mulher se levantou e seguiu o caminho. Miguel segurou sua mão e foi com ela. Maria não mais olhou para trás nem ficou infeliz. Seguiram para a luz misteriosa e cheia de paz.

Os funcionários da casa de repouso avisaram a Pedro e sua esposa que Maria não acordou naquela manhã. Também disseram que ela passara as últimas semanas muito satisfeita e contente, sem reclamar, mesmo não tendo recebido nenhuma visita naquele período.

3 comentários:

Bruna Sena disse...

Parabéns Levon, belo conto, grandes exemplos para aplicarmos na vivência do 4º mandamento (honrar pai e mãe).

Me chamou a atenção os nomes usados, pois representam muito para nós cristãos.

Abraços de paz.

Anônimo disse...

"Parabéns, Levon Nascimento! Amo histórias infantis, e com a sua ñ foi diferente!!!"

Marina Alves (via Facebook)

Anônimo disse...

Que história emocionante! Neste dia em especial eu aconselho a todos: encha seus pais com muito muito muito carinho. Por mais que vc faça isso, quando partirem, vc vai pensar que poderia ter feito mais. Saudades dos meus queridos paisinhos ...

Professora Martinha (via Facebook)