sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Artigo do Levon: O aniversário do Menino-Crucificado

Publicado na edição impressa do Jornal Folha Regional, Taiobeiras (MG), ano IX, nº 192, página 4, dezembro/2011.

O capitalismo devorou o Natal e os religiosos de mercado aplaudiram. Só não engoliu o indigesto Menino-Crucificado que teima em nascer nesta época do ano. Nem a ele nem aos discípulos dele. Ao Menino, porque o capitalismo não suporta suas manias: a de repartir pão e peixe ao invés de vendê-los nem a de acolher igualitariamente a cada um nos banquetes que organiza. Aos discípulos dele, porque o mercado não aceita que se adore outro deus senão a divindade do regime monoteísta do capital.

Cada vez mais cedo, lâmpadas chinesas piscam conclamando ao grande ritual de adoração consumista. Indicam o caminho da satisfação passageira. Adornam o altar-mor do hedonismo. Obscurecem a luz verdadeira do “Sol da Justiça” que, apesar de todo agravo, insiste em permanecer irradiante no horizonte dos deserdados e dos heréticos críticos do culto cujo símbolo é o cifrão.

O “bom” velhinho cinicamente cobra pelo abraço que empresta às crianças. Os sinos repicam melodias ocas, inaudíveis aos corações que anseiam por justiça e paz. Apelos são feitos em nome de uma felicidade esvaziada de propósito, nos quais o principal personagem que a proporciona é (pelo menos tentam) escamoteado e substituído por figurantes descartáveis e canastrões.

Em meio à algazarra das vielas de venda e compra, nas sarjetas da história, pessoas insistem em dizer não a esta festa da morte. Elas ocupam as ruas e as avenidas reais e virtuais. Reafirmam a plenos pulmões que “santo, santo, santo” é somente um. E que este Único pode também ser chamado de “caminho, verdade e vida”. Que seu caminho não exige pagamento, mas compromisso. Que sua verdade é duradoura, não se desgastando como produto do mercado. Que sua vida é nova e plena, justa e necessária, eterna e completa para todos.

Os que de fato infringem o Natal do capital postam-se do lado das causas dos pobres, defendem a vida dos inocentes e dos encarcerados nas inúmeras prisões que o tempo lhes condena; assumem a condição dos destituídos de toda dignidade. São os fortes; os que fazem de sua fraqueza material seu estofo moral e ético, sua grandeza espiritual e fraterna.

Por isso, deseja-se mais do que feliz natal. Dizemos, com a ênfase dos que gritam sem auto-falante em meio ao barulho do trânsito: Feliz aniversário, Menino-Crucificado! Feliz aniversário àquele que não se deixa ser comprado! Viva o que se doa a quem o procura, por inteiro e por amor!

Restam, pois, apenas duas perguntas para a celebração do aniversário ficar ainda mais completa. Quem é o Menino? Quem são seus discípulos?

7 comentários:

Anônimo disse...

A Bíblia não apresenta nenhuma referência relativa à data do nascimento de Jesus Cristo. Os Celtas, tratavam o Solstício do Inverno, em 25 de dezembro
Em Roma, o Solstício do Inverno era celebrado, muitos séculos antes do nascimento de Cristo. Os Romanos o chamavam de Saturnálias (Férias de Inverno), em homenagem a Saturno, o Deus da Agricultura, que permitia o descanso da terra.

Em 274, o Imperador (270-275) Aureliano (214-275), proclamou o dia 25 de dezembro, como “Dies Natalis Invicti Solis” (O Dia do Nascimento do Sol Inconquistável). O Sol reinando com seu calor no espaço, muito acima do frio inverno na Terra.
O Papa (337-352) Júlio I (280-352), decretou em 350, que o nascimento de Cristo, deveria ser comemorado no dia 25 de Dezembro, pois o calor do seu amor eterno, era mais importante do que qualquer outra forma de proteção.

LEVON NASCIMENTO disse...

Sabe-se que a data de 25 de dezembro não é a exata do nascimento de Jesus, mas uma data escolhida a posteriori, para reverenciar o nascimento do Verbo que se fez carne entre nós para nos salvar.

Se a data anteriormente era uma comemoração pagã, melhor ainda. Sinal de que Cristo assumiu o seu lugar e solapou as antigas crenças.

Mas o artigo chama a atenção justamente para isto. Um novo paganismo, o do capital (do dinheiro e do lucro) tenta tomar o lugar do Deus verdadeiro (não só no Natal, mas no dia-a-dia das pessoas).

A fé verdadeira no Cristo vai além dessas questões. Ela promove o coração, a bondade e a misericórdia entre os povos.

Orlindo Wally (Via Facebook) disse...

A importancia de lembrar que Natal é Jesus e não papai noel.

Orlindo Wally (Via Facebook)

(Hélvia Cristine, via Facebook) disse...

Li o artigo,muito real Levon Nascimento...Parabéns

(Hélvia Cristine, via Facebook)

Edilson Marques Art (via Facebook) disse...

oBRIGADO PELO ARTIGO.

Edilson Marques Art (via Facebook)

Anônimo disse...

Quando o meu aniversário é quarta-feira eu comemoro no sábado... portanto, a data não importa NADA! Algumas religiões não comemoram o Natal apenas em razão de confusão de datas... isso é nada perante a felicidade de glorificar a esse menino lindo que renasce em nossos corações! O consumismo avança e é real, mas há pessoas de bem que sentem no coração o toque da graça de Jesus e são aquelas que, de fato, vivenciam o Natal!

Que Jesus abençoe a todos!

Célio Brito Mendes (via Facebook) disse...

É isso aí Levon, infelizmente não é só o princípio do natal que os homens estão confundindo; também estamos confundindo o objetivo da nossa rápida existencia aqui na terra.Parabéns pelo belíssimo insentivo para á reflexão.