quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Wernner Lucas: Ao meu irmão

Wernner Lucas
* Por Wernner Lucas em seu blog.

Um amigo será sempre um irmão.
(Benjamin Franklin)


Bruno Volpiano, meu querido amigo. O conheci em 2006, ele fazia um trabalho voluntário com alguns Demolays pelas ruas da cidade, entregando comida e agasalho para mendigos. Não sabia, mas naquele dia, conhecia também meu irmão. Nesse primeiro momento, reparei em sua maior qualidade: ele tratava aqueles moradores de rua como iguais, o que eles realmente são. Com o passar do tempo, percebi que todas as pessoas que ele encontrava na vida, foram tratadas da mesma maneira. Pode parecer pouco, mas isso é tão raro e belo, que ele foi colecionando amigos e admiradores. É difícil encontrar alguém que não gostasse do Volpiano, pois apesar dos seus defeitos, inerente à qualquer pessoa, ele transpirava honra, companheirismo e lealdade.

O Volpi era parceiro para todos os momentos e apesar das diferenças que tínhamos, éramos muito mais que parecidos. Tudo o que eu amo fazer nessa vida, o Volpi fazia ou já havia feito junto comigo. Longos papos cabeças, noites jogando RPG, poker, W11, as melhores baladas que fui em Pouso Alegre. Fui a todo tipo de lugar com meu amigo, por isso digo que ele era parte de mim. Afinal ele sempre estava comigo, pra tudo. E essa ausência gigante que hoje existe é que dói.

Em uma das jantas que fiz aqui em casa, surgiu um papo sobre morte e ficar triste quando alguém querido falece. Naquele momento eu disse que no máximo ficaria triste um ou dois dias se alguém querido morresse, porque sabia que a morte é algo natural e que nada natural pode ser ruim. Mas hoje eu conheci a morte de um jeito diferente. Não é a morte de famintos na África, ou a morte de pobres vítimas de um terremoto no Haiti, essas, quando tive que encarar de frente, eu tirei de letra . É a morte de um irmão, é um pedaço meu que é amputado.

Por mais que eu seja forte e não goste de choros compulsivos em velórios, hoje eu descobri que chorar e se entristecer pelo falecimento de alguém que a gente ama, é tão natural quanto a própria morte. E nada natural pode ser mau. E essa foi a última lição que o Volpi deixou pra mim. De tantas outras que aprendi desde o nosso primeiro encontro, desde o início da nossa parceria. Mas essa dor não vai permanecer. Por ele e sua alegria de viver, ela vai passar.

Fiz questão de carregar o caixão até a sepultura e ser o último a tocar a nova casa do corpo do meu amigo, para poder mostrar através de uma atitude que ia com ele até o fim desse ciclo. Ciclo, e não morte. Porque agora o Volpiano vive no rosto, nas atitudes, nos gestos de todas as pessoas que conheceram e receberam um pouco do seu amor. A natureza não deixa que nada acabe, e o fim, na verdade, é só uma ilusão que ela usa para nos ensinar lições importantes da vida. Com a morte, a vida se renova, e o Volpiano agora vive em todos nós.

* Wernner Lucas nasceu em 25 de dezembro de 1985 em Taiobeiras. Foi meu aluno no Ensino Médio no Centro Educacional Beliza Corrêa. É um intelectual orgânico e acadêmico. Mora em Pouso Alegre/MG.

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