segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Artigo do Levon: Debate e polêmica em Taiobeiras

Independentemente do quadro político local atual (de crise na administração municipal por conta de denúncias de supostas irregularidades em licitações, veiculadas na internet e na imprensa escrita), sempre percebi e escrevi em meus artigos (republicados nos livros) que Taiobeiras tem um grande medo do "debate" e da "polêmica". E isso não é de agora. É histórico. E ocorreu, também, em adminstrações passadas. Basta lembrar que no auge do poder de Joel, ele era defendido com a mesma paixão e reverência com que Denerval o é agora. Coitado do que se atrevesse a denunciá-lo ou a criticar suas práticas. A história se repete... como farsa e ironia.

Aliás, essas duas palavras (debate e polêmica) são as responsáveis pelo progresso e pelo desenvolvimento da humanidade. Mas em Bom Jardim das Taiobeiras, "debater" e "polemizar" são vistas como baixaria ou perseguição. Um engano grave. Na verdade, quem pensa assim, quero crer, não age de má-fé. Apenas ainda não ultrapassou os umbrais da infância cultural para a vida adulta dos potenciais intelectuais e do exercício da cidadania plena.

Quanto mais se avança no conhecimento e na compreensão do mundo, mais se valoriza o bom debate, a boa polêmica e a boa contradição de ideias e de posicionamentos políticos. Ao invés da noção negativa, eles passam a compor um quadro novo, e se transformam em molas propulsoras dos avanços sociais. Eu sonho com o dia em que Taiobeiras estará neste patamar.

Não há - e nem pode haver - verdade única e inquestionável nas coisas estritamente humanas, como na política, na cultura e na economia. Apesar de todos os avanços de Taiobeiras nos últimos anos, há um entrave que nos atrasa. Trata-se do fato de que aqueles que possuem o poder de mando sustentam a "sua verdade", pretendendo-a única e sufocando as demais concepções. Como nada (humanamente falando) dura para sempre, a estátua de ouro com pés de barro começou a ser derrubada. E isto é muito bom para todos, até para quem não aceita essa realidade, geralmente porque ainda não a compreendeu por inteiro.

3 comentários:

Sávio Marques (via orkut) disse...

Parabéns pelo artigo. O fato é que as pessoas só entram em "zonas de conforto" e não reagem às mudanças necessárias. Mas inexoravelmente as coisas mudam e elas são obrigadas a sair dessa zona de conforto. Abraços...

Anônimo disse...

Caro Levon, tive a oportunidade de ler o seu artigo, e aqui em Rio Pardo discutimos muito o mesmo, pois algumas colocações sobre Taiobeiras encaixam perfeitamente num contexto de alto rio pardo. Parabéns pelo que e como foi escrito. Belíssimo artigo!
Ancelmo Augusto - Rio Pardo de Minas de Minas

Éverton Tárik disse...

Levon, o que percebo em nossa cidade, é que esse "medo", é cultural, no meu caso, eu sempre gostei de debates e discussões que levasse a algum lugar, que promovesse a melhoria de algo, mas sempre tinha algo (ou alguém) que dizia pra não fazer, pra deixar de lado porque não iria adiantar de nada, e eu só iria criar inimizades, me ensinaram a aceitar calado, pois se fosse debater contra ou a favor da idéia poderia estar pendendo para algum lado, com o tempo, assim que entrei na faculdade, percebi que não se deve "ficar em cima do muro", tem sim que tomar uma posição, defender um lado, lutar por suas idéias e ideais. E no seu artigo, você descreveu muito bem tudo isso, acho importantíssimo debates inteligentes, em minha opinião tem que começar dos jovens, os temos que saber, o que é certo e o que não é, tem de haver mais clareza nas idéias propostas, buscar melhorias, e não ficar de braços cruzados, achando que está tudo legal. Bom, ano eleitoral já vem ai, não sei se já ouve ai em Taiobeiras, mas seria interessante, um debate, em um local público, para que todos, de forma organizada, possam participar e questionar os candidatos a governar nossa cidade. Desculpe se fugi um pouco do tema, é culpa da correria do trabalho e da faculdade!
Um abraço.
Éverton Tárik