terça-feira, 6 de setembro de 2011

Artigo do Levon: Taiobeiras e a liberdade das consciências

"Liberdade" para o povo caminhar e ser dono
do seu próprio destino
Artigo publicado na edição impressa do Jornal Folha Regional, Taiobeiras/MG, Ano IX, Nº 187, Agosto/2011, página 4.

Vou escrever este artigo em forma de tópicos para elencar os valores que, em minha opinião, deveriam compor a consciência livre de Taiobeiras.

a) Ir além das aparências. O consumismo arraigado na cultura taiobeirense faz com que as pessoas se endividem em “mil” prestações, de modo que “aparentam” certo status e condição econômica que não são os verdadeiros. Busca-se muito o ter e o aparecer. Investe-se pouco no aprender novas coisas úteis e no “Ser” um alguém com consistência.  É necessário avançar além dessa escravidão moral que, além de tudo, contribui para a degradação pessoal e ambiental. Cada um deve aprender a superar a cultura da aparência e do modismo fútil; e a viver com mais naturalidade e verdade as relações sociais.

b) Coragem não é mico. Os conceitos de “crítica” ou de “protesto”, em Taiobeiras, são verdadeiros palavrões. Organização coletiva, então, um “bicho-de-sete-cabeças”. O “medo” de participar de algo mais questionador e, assim, desagradar ou “pagar mico” é muito grande. O normal é a apatia, o comodismo e a bajulação venial. É preciso ver o exemplo de outros lugares, cidades pequenas, médias ou grandes, onde a população se organiza, reivindica e participa. Lutar adequadamente é o que transforma o mundo e a história. O medo “do mico” reduz as pessoas a criaturas medíocres. Mediocridade não pode ser característica definidora da identidade de uma cidade que pretende ser pólo.

c) Não precisamos de salvadores da pátria. Politicamente, as atitudes gerais da população ainda são muito infantis. Os políticos são vistos de forma maniqueísta. Fulano é do bem. Sicrano é do mal. O prefeito e os vereadores são nossos “pais”. Há uma atitude alienada de entregar a vida coletiva nas mãos dos políticos, sob a justificativa simplória de que “tudo depende deles e não podemos fazer nada”. Ou então... persiste a velha prática de “toma-lá (meu voto)”; “dê-cá (alguma benesse)”. De direitos reais negados, pouca gente fala. É o “cada um para si mesmo”. Há muitas coisas pelas quais se pode lutar e participar, ampliando a ação política para além dos políticos profissionais ou da dependência de apadrinhamentos.

d) Questionar as informações oferecidas. Os taiobeirenses têm que fazer conta do dinheiro público. É urgente questionar as informações que os políticos deixam conhecer, principalmente referente ao valor dos investimentos e dos gastos públicos. E ir além delas, buscando as que estão sofisticadamente sob o mistério da complexidade contábil. Dizem eles: “Estamos trazendo tantos mil reis em obras”. Que se use a cabeça. Que se façam contas. Que se questione a utilidade deste e não daquele outro investimento. Que se veja se tais operações batem com os valores alegados e os de custo, a partir daquilo que se conhece, pela vivência, sobre os preços reais. Pagam-se muitos impostos. Aliás, Minas é um dos estados que mais os cobra. IPVA, por exemplo, aquele imposto sobre os automóveis, é repartido meio-a-meio com a Prefeitura. O que é feito disso?

e) Ter consciência de quem se é. Não sentir vergonha de si mesmo ou do seu (pouco ou muito) saber. Não ter vergonha de viver no meio rural ou nos bairros mais afastados do centro. Não se intimidar por ter características que historicamente são vítimas de preconceito, como a cor da pele, o tipo de cabelo ou a condição social. Ter orgulho da própria origem de vida. Respeitar a história pessoal e a da família. Ocupar um lugar na sociedade a partir do que a pessoa é e não do que imagina que os outros dizem que deva ser. Participar da política pelo bem que pode prestar à sociedade. Não buscar somente para si mesmo. Avançar na noção do bem comum. Aprender, conhecer, lutar e se esforçar. Não deixar a consciência pessoal ser dominada ou manipulada por interesses aparentemente grandiosos.

Taiobeiras precisa que cada cidadão e cidadã, com sua simplicidade e entendimento, participe da política, com suas histórias de vida, de sofrimentos e de vitórias; com pluralidade e ideias inovadoras, para além da cultura mercantilista, colonialista e consumista que se impôs historicamente sobre o povo e o município.

Retroagir, nunca! Avançar, sempre!

11 comentários:

Júnior PraísoFest (via Facebook) disse...

Li no blog! Interessante a questão levantada por você Levon ... Parabéns por impulsionar sempre uma discussão democrática aos cidadãos taiobeirenses e norte-mineiros ... Siga firme!

Karen Daniela (via Facebook) disse...

"É isso, cada um tem que ter consciência do que se é realmente, do valor que tem. Não podemos ficar parados nem retroagir! Avançar, sempre!"

Leonardo Mendes (via Facebook) disse...

"Parabéns Levon! Importante o trabalho que vem fazendo."

Angela Cristina Rodrigues (via Facebook) disse...

"Eu sempre acompanho e gosto muito do material que escreve!! Parabéns!!! abraços"

Carlito Arruda (via Facebook) disse...

"Levon, mais uma vez, parabéns pela matéria. Também creio que a essência do ser humano vale mais do que tudo aquilo que o circunda, no entanto, muitos ainda estão alienados no capitalismo e no consumismo, onde o «ter», mesmo que aparente, vale mais do que o «ser»."

Elisiana Alves disse...

Lucidez sempre.

Nícolas Marques disse...

Levon , vou ter que concordar com você mais uma vez . O taiobeirense , assim como toda e qualquer pessoa dever focar-se no que ela é , e não nos bens materiais que a " circundam " como disse o Carlito . Está se tornando uma situação comum pessoas que buscam prestígio social e político baseados em consumismo , as "mil" prestações ,que poderiam ser usadas em investimentos não imediatos bem mais favoráveis . Parabéns pelo ótimo artigo levon .

Geanne Lopes (via FacebooK) disse...

"Gostei muito do seu artigo Levon. De fato, acredito que a população taiobeirense necessita repensar seus valores, considerando que esta noção está deturpada. As novas gerações carecem de uma visão ampla do que realmente ocorre em nossa sociedade. Percebo, que a população possui uma certa dificuldade no sentido de posicionar-se acerca de determinados assuntos, gostam da cômoda posição de ficar 'em cima do muro', isso não é atitude de Cidadão. As mídias sociais são um importante instrumento para difundir ideias e alertar a sociedade de maneira geral, para que posicionem-se, indagem, critiquem (críticas construtivas), apresentem possíveis soluções. A sociedade organizadas pode contribuir para a mudança de mentalidade das novas gerações, já que são os jovens de hoje que estarão a frente deste país amanhã."

Rhansley S. disse...

Otimo artigo , assim como o primeiro ! E concordo com topicos apresentados no artigo .
Parabéns pelo o artigo e assim como o primeiro irá direto para meu Blog , estes tipos de documentos que devem ser divulgados!

Nathália Lucas disse...

Mais uma vez, você está de Parabéns Levon!
Pois mostra, que as pessoas estão cada vez mais consumindo exageradamente e esquecendo que a gente tem que ser o que a gente é. Mais infelizmente, muitas pessoas daqui de Taiobeiras não pensão assim, e preferem se encher de dívidas a mostra o que verdadeiramente elas são, e de mostrar a personalidade em si mesma.

Lucilene Ferraz (via Facebook) disse...

"Parabéns Levon pelo seu espírito de luta e coragem! Não desista jamais!!"