sábado, 2 de julho de 2011

Itamar Franco

Itamar Franco
A morte do ex-presidente da República e ex-governador de Minas Gerais Itamar Franco, hoje (02 de julho de 2011), finaliza mais um capítulo da chamada Nova República (iniciada em 1985). A grande mídia que já xingou muito Itamar quando este fez oposição cerrada a Fernando Henrique Cardoso (entre 1999 e 2002), tratou de enaltecer o então senador da República eleito no ano passado ao lado de Aécio Neves.

Itamar, de fato, me pareceu um político honesto e de personalidade. A estabilização da economia é obra sua que melhorou muito a vida dos brasileiros. No entanto, é bom lembrar, o mesmo Plano Real (1994) que suplantou a inflação, trouxe o neoliberalismo que sucateou e privatizou quase todo o patrimônio público do Brasil, bem como elevou os índices de desemprego às alturas, no país, nos oito anos seguintes.

Itamar, mesmo sendo ético, não foi um exemplo de coerência nas alianças. Isto não chega a ser um problema. Mudar de ideia é um direito de quem está vivo. Disputou o Governo de Minas contra Newton Cardoso em 1986 e perdeu atirando verbalmente contra o adversário. Foi eleito vice-presidente ao lado do "caçador de marajás" cassado Fernando Collor de Mello. Tornou-se presidente por obra do impeachment do titular. Foi o responsável pela eleição de Fernando Henrique à presidência em 1994. Com quem brigou logo depois. Apoiou Lula em 2002, rompendo logo a seguir. Apoiou Alckimin em 2006 e Serra em 2010. O mesmo Serra a quem negou palanque em 2002. Em 1998, quando se elegeu governador de Minas, teve como vice Newton Cardoso, o mesmo a quem acusara de deslealdade e trapaça em 1986.

Enfim, um político... um grande político mineiro e brasileiro!

Um comentário:

Dirlene Marques disse...

Ola Nevon
Concordo com voce. No Brasil, se esquece muito rapidamente o passado. Em especial, os politicos e a imprensa. Sua materia resgata bem esta logica. Quanto as aliancas, o Itamar teve o comportamento logico do politico, ou melhor, da politica brasileira. Quando voce iria pensar que o Lula iria chamar o Sarney de companheiro. Ou abracar e se aliar ao Collor. Ou mais ainda, implantar uma politica de financiar os grandes grupos empresariais nas fusoes, como agora ocorre com o Abilio Diniz. Enfim, coerencia politica nao faz parte do comportamento dos politicos brasileiros, em especial dos mineiros. Do Itamar nao temos conhecimento de ter enriquecido a custa do dinheiro publico. Assim, ele pode ressaltado.
Dirlene