quinta-feira, 28 de abril de 2011

Homenagem a Donila Maria de Souza

Donila Maria de Souza (1907 - 2011)
* Por Levon do Nascimento

Ela nasceu Donila Maria de Oliveira, em 15 de setembro de 1907, um domingo, dia do Senhor em quem ela tanto confiou nesta vida terrena. Filha de Antônio e Teodora, veio ao mundo como inúmeros brasileiros e brasileiras, nordestinos e sertanejos, na pobreza dura do sertão, na comunidade rural de Baraúnas, município de Jacaraci, no Estado da Bahia. Por força do casamento, passou a se chamar Donila Maria de Souza.

Fez sua caminhada sobre este chão que “geme em dores de parto” por exatos 103 anos, 7 meses e 6 dias. Um tempo dela, mas, sobretudo, um tempo de Deus. Taiobeiras, em Minas Gerais, a acolheu há 32 anos.

Este mesmo Deus e Senhor, “Nossinhô”, em seu linguajar carinhoso, a chamou de volta ao lar na última quinta-feira, 21 de abril de 2011, às 8 horas da manhã. Notem, não foi uma quinta-feira qualquer. Foi a quinta-feira que antecede o grande dia em que o Senhor Jesus se entregou, por nossas limitações, a toda sorte de suplícios, pelo nosso reencontro com o Pai. Foi na quinta-feira na qual a Igreja celebra o grande dom da partilha fraterna, da comunhão solidária e da Eucaristia – alimento eterno – que faz nosso corpo e nossa alma nunca desanimarem da caminhada rumo ao Reino Definitivo.

O Senhor efetivamente escolheu o melhor dia. Um dia de festa. Sim, porque Eucaristia, comunhão e partilha são festas. Festa na Terra e festa no Céu. O povo que crê em Jesus, definitivamente, é um povo que crê na comum-união. É um povo que não se apega às coisas que possui. É um povo que doa bens e dons. E Donila era assim.

Sua mesa de pobre do sertão sempre foi rica no pouco que com Deus sempre se fez muito. Sim, “o pouco com Deus é muito”, repetia ela o provérbio sábio do povo brasileiro. Seu prazer era se colocar a serviço. Não estudou. O Brasil no qual ela nasceu não lhe ofereceu este benefício. Mas aprendeu. E aprendeu muito. E também ensinou.

Aprendeu a servir sua família. Aprendeu a servir ao próximo. Parteira de comunidade rural aonde médico não ia, ajudou a trazer dezenas de filhos de Deus à luz divina irradiada sobre esta Terra de Santa Cruz, chamada Brasil. Não havia hora certa. Certa era a hora em que necessitavam dela e ouviam um sim corajoso.

Casou-se com Leordino. Viveram juntos até que o Senhor o chamou em 1988. 12 filhos tiveram. Três o Senhor chamou ainda nos primeiros dias de vida. Outros três também fizeram a passagem, mas já com as famílias constituídas. O seis restantes louvam a Deus pela vida de Donila, vida de ensinamentos e de exemplos.

Catequista por excelência, de sua boca nunca se ouviu um lamento contra a vontade do Pai. Uma crença muito forte em Jesus e na misericórdia intercessora de Nossa Senhora. Vida de oração, sem fanatismo ou pedantismo. Vida de oração. Vida de tolerância e de respeito, até mesmo quando alguns dos seus passaram a professar crenças diferentes da sua. Acreditou até no último instante. Levantou os ramos (mesmo diante da celebração televisionada) para o Senhor entrar mais uma vez em Jerusalém, a Jerusalém do seu coração, até no último domingo, o de Ramos, em que pôde estar presente nesta Terra.

Hoje, nesta celebração, rogamos ao Deus da Vida, que ressuscitou Jesus dentre os mortos, que conforte os corações dos que lamentam a passagem de Donila.

Porém, mais do que isto, aqui nos reunimos no entorno do altar da Eucaristia, do Pão Vivo descido do Céu, neste tempo Pascal em que o Senhor Ressuscitou, orando para que Jesus receba Donila junto de si, que ela compartilhe do banquete celestial, que ela tenha morada junto do Pai, que ela seja feliz eternamente...

Bendito seja Jesus Cristo, pela salvação que nos ofereceu pelo mistério da Cruz. Bendito seja Jesus Cristo que, pela sua Ressurreição, ressuscita dentre os mortos, para a vida eterna, todos aqueles que crerem e praticarem o seu eterno amor.

Amém!

* Mensagem lida durante a Ação de Graças da Celebração Eucarística de 7º dia, em 28/04/2011, às 19h, na Igreja Matriz de São Sebastião de Taiobeiras (MG).

Texto publicado também no site da Arquidiocese de Montes Claros (MG). Clique aqui.

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