quinta-feira, 10 de março de 2011

Artigo do Levon: Intolerância ou 'dar a outra face'?

Xenofobia: universitária paulista divulgou frases incitando a
violência contra nordestinos no Twitter após vitória
de Dilma no segundo turno
O ressurgimento e crescimento rápido de movimentos xenófobos, homofóbicos, racistas e religiosos-intolerantes em todo o mundo – os quais, se suponha, mortos e enterrados desde o fim do Nazismo – desencadeados pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 e amplificados pela grave crise do capitalismo de 2008/2009, tornam ainda mais grave a luta daqueles que defendem os direitos humanos como meio para uma sociedade mais justa, equilibrada e pacífica.

Exemplo dentre os movimentos intransigentes, está o Tea Party nos Estados Unidos. Organização de extrema direita dentro do Partido Republicano, dirigido pela candidata derrotada à vice-presidência dos EUA, Sarah Palin (Eleições 2008), apela ao ódio racial e à aversão aos imigrantes latino-americanos, árabes e de outras partes pobres do Planeta. Estimula uma visão religiosa-intolerante, despolitizada e preconceituosa sobre as políticas sociais do Governo Obama em favor das minorias empobrecidas, especialmente nas áreas de saúde, educação e imigração. Recentemente, um simpatizante do Tea Party matou várias pessoas num estacionamento de supermercado norte-americano na tentativa de atingir uma deputada federal do Partido Democrata, que defendia bandeiras em favor dos imigrantes e dos excluídos.

No entanto, não se resume somente aos estadunidenses a marca da intolerância. Em toda a Europa, sobretudo após a crise econômica que ainda não amainou por lá, crescem ondas de desprezo em relação a africanos, latino-americanos e árabes, vistos como inferiores, degradados sexuais ou fanáticos religiosos.

No Brasil, o nosso Tea Party se manifestou de forma muito clara e organizada nas eleições presidenciais de 2010. A turba xenófoba, homofóbica e farisaico-religiosa-intolerante se postou no submundo da internet ao lado do candidato derrotado José Serra. Foi como se o PSDB, seu partido, tivesse sido desconsiderado pelo próprio concorrente. Em lugar da ideologia neoliberal ou social-democrata do partido, o candidato preferiu seguir as orientações de um tal guru indiano-norte-americano que presta serviços ao Tea Party ianque. Este o incentivou a lançar mão da internet, de modo a difundir preconceitos e mentiras, não somente contra a candidata de então – Dilma Rousseff (PT) –, mas combatendo principalmente todas as políticas sociais redistributivas e os direitos humanos duramente conquistados ao longo da história brasileira, valendo-se de artifícios que promovem o ódio coletivo, o preconceito com as minorias, a manifestação farisaica da fé e a fragmentação de classe.

Para quem não está atento, xenofobia significa aversão a pessoas ou a culturas diferentes. Em São Paulo, por exemplo, nordestinos em geral são tratados como figuras inferiores pela chamada elite ou até mesmo pela classe média “pequeno-burguesa”. Quanto à homofobia, ela é a violência moral e física contra pessoas que apresentem características homossexuais. Nas grandes metrópoles, além do bullyng (gozação e desprezos morais), tornou-se comum a agressão material a homossexuais. Quanto a isto, vale um conselho: com aqueles (gays e lésbicas) a quem não se entende as características, que sejam respeitados simplesmente por serem humanos e, só por isto mesmo, merecedores das mesmas deferências que qualquer outra pessoa. Já a intolerância religiosa é aquela que se baseia numa suposta vontade de Deus sobre comportamentos morais e sociais, que deveriam ser procedimentos pessoais daquele que se converteu, mas que se transformam em artifícios para movimentos políticos radicais e esquizofrênicos, a atacar quem pensa diferente ou pratica outra forma de crer. A questão do aborto, nas últimas eleições, a meu ver, nada tinha de respeito a Deus ou à vida. Tornou-se motivação escandalosamente apropriada por oportunistas políticos, de dentro e de fora das igrejas. A própria CNBB, por meio de seu secretário-geral, em encontro recente com Dilma, afirmou que este assunto está encerrado para a Igreja.

Quando, no primeiro parágrafo, alertei para o crescimento deste tipo de movimento que, reconheço, tem grande respaldo no senso comum da sociedade, o fiz como Professor de História e como Cristão, de modo a instruir a todos os que me leem, informando-os, de que o horror nazista que vitimou milhões de seres humanos durante a Segunda Guerra Mundial, também começou com este tipo de procedimento. Não haverá justiça nem paz numa sociedade que insiste em não aprender a lição de “dar a outra face”.

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