terça-feira, 7 de setembro de 2010

A Independência


A história do Brasil é profundamente marcada pela riqueza cultural de seu povo, mas também pelas tristezas resultantes do processo exploratório da colonização portuguesa.

No princípio, desde a Pré-História, o que viria a ser nosso país, foi ocupado por homens e mulheres que deram origem aos povos indígenas. Eles viviam daquilo que a natureza lhes oferecia. Caçavam, pescavam, plantavam milho, mandioca e coletavam os frutos dos cerrados e das florestas. Viviam em harmonia. Tinham sua cultura, suas crenças e seus próprios modos.

Em 1500, durante o processo de expansão comercial e marítimo dos europeus, chegaram a estas terras os brancos portugueses em suas caravelas comandadas por Cabral. Vieram para ocupar, explorar as riquezas e, segundo alguns, expandir sua fé cristã. No entanto, mataram, pilharam, ludibriaram e corromperam os primeiros habitantes. Escravizaram os indígenas. Usufruíram de vários ciclos econômicos. Pau-brasil, cana-de-açúcar, drogas do sertão, criação de gado extensivo. Quando o índio já não mais lhe servia, igualmente foram ao Continente Africano trazer de lá, amarrados em navios-senzalas, os povos negros, e os escravizaram, retirando-lhes a dignidade e a liberdade.

Muitos foram os que resistiram. Quilombos pipocaram por todo o Brasil. O mais famoso foi o de Palmares, onde os negros Ganga Zumba e Zumbi, reis e heróis dos povos escravizados dos Brasis, lideraram a resistência contra a opressão.

Aprofundando-se mais e mais por este território, os portugueses miscigenados com os índios e com os negros, transformaram-se em Bandeirantes, conquistando do Atlântico até a grande Floresta Amazônica.

Ao chegar o século XVIII, com ele vem o ciclo do ouro em Minas Gerais. Tudo o que os portugueses sempre buscaram. Nas Minas, a riqueza do ouro, dos diamantes, do barroco de Atayde e Aleijadinho. As intrigas e os mistérios da Chica da Silva do Tijuco.

O mundo aspirando à liberdade burguesa, a revolução acontecendo na França e nos Estados Unidos. Tudo isto faz os brasileiros sonharem com a Independência. Tiradentes, o alferes, foi o primeiro a bradar. Vieram os conjurados baianos depois, e os pernambucanos em seguida. Por fim, o próprio filho do Rei de Portugal proclama a independência.

Independência para os ricos fazendeiros brancos, donos de escravos negros. Morte para indígenas, negros e brancos pobres. A independência proclamada em 7 de setembro de 1822 não serviu de nada aos pobres, que ainda lutam, até hoje, para alcançar a emancipação. Em 1889 veio a República. Passamos a ter presidentes. Deodoro foi o primeiro. Hoje temos Lula, o primeiro operário a chegar lá.

Ao longo deste tempo, tivemos pais dos pobres e mães dos ricos no poder. Getúlio e JK. Construção de Brasília e ditadura militar sufocante e escandalosa sobre nossos ombros. Mas o povo sempre resistiu. Muitos morreram pelo caminho, na luta por reforma agrária, distribuição de renda, melhores salários e condições dignas de trabalho.

Hoje estamos conquistando a democracia. Não sem esforço e luta. Muitos já tombaram por ela. O que queremos do futuro? O futuro é dos homens e das mulheres, todos iguais perante a lei e em dignidade. Marchemos pela nossa Independência verdadeira!

Este artigo também está disponível no site da Arquidiocese de Montes Claros. Clique aqui para conferir.

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