quarta-feira, 14 de julho de 2010

Em Minas não vale o que está escrito

* Pelo Professor Wladmir Coelho (foto) neste link.

O governo de Minas prometeu em 2009 o reposicionamento na carreira criando, como sempre, um estardalhaço na imprensa anunciando tempos fabulosos com muito dinheiro no bolso e saúde prá dar e vender neste ano da Graça de Nosso Senhor de 2010. Era tudo mentira. E vejam os ilustres leitores que o então governador Aécio Neves publicou um decreto, assinando, carimbando e datando a farsa. Em Minas não vale o que está escrito.

A brincadeira de gosto duvidoso foi desfeita no dia 30 de junho quando a secretária Renata Vilhena reuniu os sindicatos em seu gabinete e de forma debochada afirmou: Sorriam vocês estão na sede do governo!

Para piorar o quadro poucos dias antes do aviso da nova pegadinha governamental os subservientes deputados da situação haviam aprovado o novo plano de carreira possibilitando, dentre outras maldades, congelar os vencimentos, demitir contratados e efetivados conforme denunciamos no artigo “Lei 18975 permite congelamento de salários”. Para completar o humorístico sem graça o síndico do Palácio Balança Mas Não Cai determinou a elaboração de um comunicado aos servidores informando que: “O aumento decorrente do posicionamento na tabela do subsídio é variável, pois dependerá do nível da carreira em que o servidor estiver posicionado em 31 de dezembro de 2010”. Perceberam o golpe? O governo vai retirar o direito de acesso ao nível imediatamente superior daqueles portadores de graduação (situação de professoras com antigo curso normal e funcionários burocráticos) especialização, mestrado e doutorado e também dos demais funcionários que teriam a prerrogativa de promoção em função da conclusão do ensino médio situação observada – principalmente – entre os auxiliares de serviços gerais.

O sindico do Palácio Balança Mas Não Cai ainda determimou a destinação de cinco das 10 horas reservadas ao planejamento – para a jornada de 30 horas – a substituição de docentes. Perceberam a outra pegadinha? O governo não vai precisar contratar substituto, por exemplo, nos casos de licenças médicas ficando o grupo de professores de 30 horas com a responsabilidade de suprir a falta. O professor Euler Conrado trata deste ponto em seu blog vale consultar clicando AQUI.

Hélio Costa

Em minha última coluna observei o silêncio do candidato Hélio Costa diante da situação dos professores. Pouco tempo depois os jornais publicaram declarações do senador criticando a política salarial do governo Aécio/Anastásia e acabei recebendo muitos emails pedindo para comentar o tema. Minha opinião: O senador continua devendo uma proposta de política salarial aos funcionários da Educação e ficar declarando que o professor tem baixos salários é conversa de todo candidato, portanto eleitoreira. Vamos falar sério: O quadro econômico internacional apresenta claros sinais de aprofundamento da crise ficando o Brasil como sério candidato a “bola da vez” tendo em vista a preferência dos tais investidores internacionais por nossos títulos da divida em função dos elevados juros pagos em nossa auri-verde nação. Recentemente o Banco Central amargou o cancelamento de leilões de títulos – de longo prazo – indicando problemas para o pagamento dos papéis com vencimento de curto prazo. O sinal está claro e será necessário no próximo ano ampliar os cortes nos gastos públicos para pagar o títulos comprados por banqueiros e fundos de investimentos. O que temos com isso? Perguntem aos professores da Grécia, Espanha, Portugal e Itália. Aqui pergunto ao senador Hélio Costa: QUO VADIS.

Balança mas não cai

Utilizei nesta coluna o título de um antigo programa de humor da Rádio Nacional do Rio de Janeiro o Balança Mas Não Cai. Acredito que muitos jovens leitores não devem conhecê-lo, por isso estou disponibilizando o quadro Primo Rico e Primo Pobre bastando clicar AQUI.

* Wladmir Coelho é Professor de História da Escola Estadual Coração Eucarístico, em Belo Horizonte (MG). Seu e-mail é wladmircoelho@gmail.com.

Um comentário:

Rosa L Magalhães disse...

Estou mais uma vez decepcionada com o nosso governo mineiro. Fui muito ingênua, acreditei que após 13 anos ,receberia alguma coisa ,sentindo-me mais digna! Nada valeram anos de dedicação como professora e diretora.Sr.Anastasia, o sr foi um ótimo aluno! Parabéns! Mas, meu voto, nunca será seu!