sábado, 12 de junho de 2010

Juventude com autonomia

* Levon do Nascimento

Ser autônomo significa pensar e agir com liberdade e independência. Mas o que fazer para conseguir a liberdade na medida certa e a independência em relação às demais pessoas?
A resposta é encontrada no ato de aprender. Aprender é uma atitude tão importante quanto comer, beber e dormir. É uma necessidade do corpo e da mente de cada pessoa humana. O homem ou a mulher que se coloca em atitude de aprendizado, desenvolve o pensamento, amplia a reflexão, faz crescer a inteligência e se torna senhor (controlador) dos rumos de sua própria vida e das relações que mantêm com as demais pessoas.

Basicamente, a pessoa humana aprende em todos os lugares e situações por meio da vivência prática. No entanto, a cultura humana criou determinados meios especiais para a educação. A família é o primeiro desses meios. Em seguida vêm os grupos religiosos (as igrejas), procedidos da escola formal. Importante é saber que família, igreja e escola são apenas espaços que facilitam o ato de aprender. De fato, a busca de conhecimentos deve ser uma atitude de cada pessoa. E o resultado irá variar de acordo com o interesse de cada um.

Quanto mais um jovem busca o saber, o conhecer, o entender, ele se põe em atitude de encontro, de aprendizado e de compreensão. E assim, descobre que pensar é bem mais do que repetir fórmulas matemáticas descobertas por outros, teses geográficas e históricas formuladas em tempos anteriores ou normas gramaticais rebuscadas e fora de uso. Percebe, então, que pensar é uma atitude viva e pulsante, dependente daquilo que já foi produzido por outros, mas que pode ser intensamente e livremente conduzido por si próprio, pela sua criatividade e por sua capacidade de construir. Cada pessoa é uma unidade criadora em potencial. E isto só tende a aumentar quando se aprende a pensar em grupo, no coletivo.

Desta forma, quando mais conhecimento uma pessoa é capaz de produzir por meio do aprendizado; e transmiti-lo através de seu convívio social, tanto mais ela será detentora de poder. Não do poder que escraviza e domina. Mas do poder que é útil para transformar o mundo e torná-lo um lugar melhor para a vida de todos.

O jovem autônomo é aquele que consegue unir o conhecimento que adquire na família, nas igrejas e na escola, com a capacidade de criar e transformar, colocando tudo que aprendeu a serviço dos demais semelhantes. Em outras palavras, o conhecimento do jovem de hoje deve ser instrumento para transformar a sociedade e torná-la mais democrática e saudável para o convívio de todos.

Claramente, o jovem que pensa com liberdade é, também, uma pessoa que ajuda a construir um mundo melhor. E o mundo melhor é aquele em que as desigualdades sociais entre ricos e pobres são superadas, o meio ambiente é tratado com o respeito devido e a pessoa humana é mais do que um simples produto de compra ou venda.

Jovem, pense nisto. Não seja uma marionete nas mãos dos sistemas econômico e político. Reflita e busque o saber para alcançar independência, ou melhor, autonomia.

Créditos das fotografias: Arquivos do Projeto Memorial da Juventude de Taiobeiras e acervo da E. E. Pres. Tancredo Neves.

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