sexta-feira, 14 de maio de 2010

Tradições de maio em Taiobeiras - Parte 1

A veneração à Virgem Maria se iniciou nos primeiros decênios após a ressurreição de Jesus Cristo. Os primeiros cristãos buscavam ressaltar o modelo de coragem, obediência e fidelidade da mãe de Jesus. Coragem ao assumir-se grávida sem casamento numa sociedade machista, obediência ao projeto salvífico de Deus a ser operado por meio da encarnação de seu Filho e fidelidade a Jesus e à comunidade cristã principalmente nos momentos mais difíceis e nas perseguições.

De lá para cá, Maria foi e é chamada pelos cristãos por diversas nomenclaturas, tais como: “Mãe de Deus”, “Mãe de Jesus”, “Mãe da Igreja”, “Nossa Senhora”, “Cheia de graça”, etc.; além de várias titulações relativas a situações, invocações ou locais onde sua presença e santidade teriam (têm) se manifestado.

Em 1917, na localidade de Fátima (uma palavra árabe de herança do período de dominação muçulmana na Península Ibérica) em Portugal, três crianças pobres afirmaram ver, ouvir e falar com a Virgem Maria, em aparições que se verificaram todos os dias 13 entre os meses de maio e outubro daquele ano. Segundo tais meninos, Maria lhes mandava orar frequentemente, oferecer atos penitenciais pelos pecados humanos e, ainda, os alertara sobre os perigos da guerra e da indiferença religiosa.

Na esteira dos traumas provocados pela primeira guerra mundial, bem como na luta que a Igreja vinha travando contra as ideologias ateias e secularistas, a devoção a Nossa Senhora de Fátima – como passou a ser chamada a Virgem Maria a partir daqueles fenômenos – cresceu e se espalhou por vários países, chegando ao Brasil.

Em 1957, após grande missão realizada pelos padres capuchinhos na recém-emancipada cidade de Taiobeiras, que traziam a imagem visitadora de Nossa Senhora de Fátima aos lugares em que exerciam suas pregações evangelizadoras, o Frei Jucundiano de Kok – frade franciscano e primeiro pároco da Paróquia São Sebastião – mandou construir com a ajuda dos fieis leigos, uma pequena igreja octogonal às margens da cidade (hoje situada na região central da mesma, devido ao crescimento urbano). Ali depositou uma imagem da Virgem (foto), em tamanho natural, que havia importado de Portugal. Iniciava-se a maior tradição festiva, religiosa e cultural, da história do município de Taiobeiras.

A cada ano, desde então, passou a ocorrer nove dias de novena e, um décimo, de festa litúrgica em memória e honra a Nossa Senhora de Fátima, sempre iniciando na primeira sexta-feira que antecede o 13 de maio e encerrando-se dez dias depois. Missas, coroações à imagem da Virgem, rezas do terço, batizados, crismas, casamentos comunitários, procissões (foto), visitas pastorais do bispo diocesano, quermesse e atividades culturais e sociais extra-eclesiais, como jogos de futebol entre os times da cidade ou da seleção local contra times de fora, tudo fazia parte da programação e dos costumes do povo. Era a Festa de Nossa Senhora de Fátima, em sua versão integral – religiosa, social e cultural. O palco disto era o entorno da pequena “igrejinha” de oito lados.

Continua na parte 2, abaixo...

Nenhum comentário: