sábado, 6 de março de 2010

Igreja, pedofilia, padres casados e sacerdócio feminino

O mais recente escândalo de pedofilia na Igreja Católica – a minha Igreja – envolvendo sacerdotes alemães da região da Bavária, local de origem do Papa Bento XVI, chegando a atingir pessoas que estavam bem próximas a um irmão do pontífice, me fez mais uma vez recordar ideias que, julgo, talvez pudessem minorar este drama e devolver a credibilidade e a respeitabilidade a esta instituição tão combalida, porém tão necessária, nos dias atuais.

As ideias ainda estão em estado bruto, sem muito amadurecimento ou elaboração. São apenas diretrizes para a formulação de um programa futuro a ser construído. Vamos a elas:

1. Impedimento de que crianças, pré-adolescentes e adolescentes sejam aceitos em regime de internato em conventos e/ou seminários, enquanto menores de idade. O acompanhamento vocacional destes jovens, meninos e meninas, seria obrigatoriamente dirigido por uma equipe mista que envolvesse leigos casados, religiosas, sacerdotes e familiares, antes do ingresso em qualquer instituto, o que só poderia ocorrer ao atingirem a maioridade legal, segundo as leis de seus respectivos países.

2. Oferecimento de acompanhamento psicológico a jovens postulantes da vida religiosa e do sacerdócio, bem como aos seus formadores, sobretudo com um enfoque voltado para o aprimoramento da dimensão afetiva e do pleno conhecimento das potencialidades da sexualidade, bem como dos limites que a prática cristã pressupõe para a vivência desta.

3. Oferecimento de apoio especializado àqueles que apresentarem padrões psicológicos que poderiam levar a comportamentos de pedofilia, bem como promover punição eclesial e civil aos eventuais culpados por estes crimes, sem acobertamento.

4. Supressão do celibato obrigatório. Uma vez que esta regra não é preceito bíblico ou dogma de fé, mas uma definição administrativa que foi útil a um determinado período histórico da Igreja e que não se coaduna mais com o momento presente, o celibato seria facultativo. Padres casados, com vida familiar, em geral estariam mais protegidos da possibilidade de cometer atos de pedofilia.

5. A pedofilia na Igreja, para além de desvios de conduta individuais, pode muito bem ser uma patologia social, uma vez que nos meios eclesiásticos a sexualidade e a afetividade são tolhidas e confundidas com o mau ou com o pecado. Desta forma, a transgressão pedófila é a tentativa doentia, desastrada e criminosa de se estabelecer uma relação de afeto por meio da imposição do poder ao mais fraco e da submissão ao “discípulo”. Uma boa formação cristã, que ensinasse que a vida sexual é bem vista aos olhos de Deus, desde que bem vivida no matrimônio cristão, cuidaria de sepultar os caminhos da pedofilia na Igreja. Para tanto, a Igreja teria que gradativamente incentivar o casamento dos seus sacerdotes e não o contrário. Pedro, o primeiro Papa, era casado, pois Jesus curou sua sogra, de acordo com os Evangelhos.

Evidentemente que, a pedofilia é um desvio de comportamento. Em tese, nenhuma das ideias acima seria suficiente para debelar este mal do seio da Igreja. Acredito, porém, que ajudariam a minorar o problema e a devolver a Igreja ao seu leito natural de missão: o anúncio verdadeiro do Evangelho de Cristo e o testemunho fiel de sua Palavra no mundo.

Ah... já ia me esquecendo. O sacerdócio feminino também seria uma boa ação. Dificilmente se houve falar de pedofilia entre freiras. Além do mais, nas várias comunidades eclesiais de base, grupos de oração e demais movimentos de leigos, as mulheres já exercem o ministério da liderança a muito tempo. Falta fazer cair a mentalidade machista e patriarcal no centro da Igreja.

2 comentários:

Anônimo disse...

"Ah... já ia me esquecendo. O sacerdócio feminino também seria uma boa ação. Dificilmente se houve falar de pedofilia entre freiras. Além do mais, nas várias comunidades eclesiais de base, grupos de oração e demais movimentos de leigos, as mulheres já exercem o ministério da liderança a muito tempo. Falta fazer cair a mentalidade machista e patriarcal no centro da Igreja".

Bem Levon, não acha que essa idéia tua entra em contradição com as orientações contidas na Palavra de Deus? "As mulheres devem ficar caladas nas igrejas; porque não lhes é permitido falar; mas estar submissas como também ordena a lei. E se querem aprender alguma coisa, perguntem em casa a seus próprios maridos; porque é indecoroso mulher falar na igreja". I Coríntios 14

"Que a mulher aprenda em silêncio com toda a submissão. Pois não permito que a mulher ensine, nem tenha domínio sobre o homem, mas que fique em silêncio". I Timóteo 2

Como vc intrepreta os versículos acima?

Um forte abraço!!

(Mathes Henriue, mathenri@yahoo.com.br, Taiobeiras, MG)

JOEL LIMA DA FONSECA disse...

A igreja compreende uma longa caminhada no deserto rumo a terra prometida.Não é um caminho obrigatório que se deva passar por dificuldades e sofrimentos, e sim um caminho de libertação, que torna a alma livre de preconceitos, pervecidades,egoismo, e de todos os males. Devolvendo-nos a felicidade, tornando-a cada vez mais leve, para a realização da plenitude da vida segundo a vontade do pai.