terça-feira, 30 de março de 2010

CONAE: Conferência da Educação

Está acontecendo esta semana, até a quinta-feira, 1º de abril, em Brasília/DF, a CONAE (Conferência Nacional de Educação), oportunidade em que a sociedade está discutindo com o Governo Federal os rumos da Educação no Brasil.

Não custa nada lembrar que eu cobrei insistentemente da Secretaria de Educação de Taiobeiras, no meu antigo blog, sobre a realização da etapa municipal que levantaria as propostas taiobeirenses e escolheria os delegados para a CONAE. Nenhuma resposta foi dada. Ninguém foi convocado. Se houve tal encontro foi entre quatro paredes bem restritas, de modo que a comunidade escolar nem soube, muito menos participou. Um "exemplo" de democracia!

Veja algumas das discussões da CONAE conforme matéria postada no blog do Luis Nassif. Acho que todos(as) os(as) professores(as), pais e alunos(as) deveriam estar ligados. Disto depende o futuro da educação no país.

Levon

A avaliação na educação
Do UOL
Rankings de escolas pelo Enem ou pelo Ideb prejudicam a educação, diz especialista
Simone Harnik
Em Brasília
Atualizado às 10h46

A divulgação dos rankings do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) ou do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) costumam causar polêmica dentro das escolas. Há sempre alguma instituição que se sente injustiçada pelo resultado. Crítico desse sistema, o professor Luiz Carlos de Freitas, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), defende um novo modelo de avaliação.

“Repassar a responsabilidade para a escola por um mau desempenho, como se fosse culpa do professor, não dá”, disse ele, nesta segunda-feira (29), durante a Conae (Conferência Nacional de Educação), realizada em Brasília. A reunião definirá as diretrizes para um sistema de educação único para todo o país – e debate, entre outros aspectos, a avaliação.

Você é favor ou a contra a divulgação de rankings da educação? Opine

Segundo Freitas, o país precisa de um novo modelo de indicador que leve em conta os conhecimentos do estudante na hora em que ele ingressa na rede de ensino. Ou seja, um índice que possa medir quanto o estudante aprendeu. Ele também afirma que os rankings são prejudiciais para a educação e que podem, até mesmo, afetar o desempenho futuro de uma instituição de ensino. Veja a entrevista:

UOL Educação – Por que os rankings de índices são prejudiciais para a educação?

Luiz Carlos de Freitas – Porque, estatisticamente, eles não se sustentam. Quando se faz o ranking de mil escolas, por exemplo, as flutuações da média das escolas se superpõem. Estas flutuações se chamam, tecnicamente, desvio padrão. E, portanto, se uma média pode flutuar para mais ou para menos, como é que eu digo que uma escola que teve um pouquinho menos de média, mas está na mesma zona de flutuação, é inferior à outra. Por isso, o mundo inteiro abandonou a ideia de ranking.

UOL Educação – E a posição no ranking pode afetar a autoestima de uma escola?

Freitas – Lógico. Imagine uma escola cuja equipe pedagógica compromissada se debruçou o ano inteiro para formar melhor os seus alunos e, de repente, vem um ranqueamento que a coloca como inadequada. Mas o ranking não mostra como os alunos chegaram no primeiro dia de aula.

UOL Educação – E que tipo de índice pode ser confiável para avaliar uma escola?

Freitas – Se não tenho a medida de chegada do aluno, como sei se a escola é boa ou má? Não tenho como saber isso. Mas existem medidas de valor agregado, que mostram o desempenho na entrada e no final de ciclo. O valor agregado é melhor do que as médias medidas ao final de quatro anos, porque toma como base como o aluno chegou. As outras medidas tomam só o final.

UOL Educação – O governo Lula avançou no quesito avaliação?

Freitas – Os oito anos de governo mantiveram a mesma estrutura de avaliação do governo Fernando Henrique Cardoso. Pelo menos, o governo não avançou para outras medidas piores, mas isso não é suficiente. O governo Lula é um governo “rolha”, porque ele impediu, na área da avaliação, que o modelo Fernando Henrique progredisse. Ele congelou. Mas era preciso mais do que isso.

UOL Educação – O que o senhor espera, no quesito avaliação, para o país?

Freitas – Uma reorientação do modelo de avaliação que hoje é a base do sistema nacional de educação. Espera-se uma mudança no modelo. Não sou contra a avaliação, mas temos de ter um modelo que seja a cara do governo Lula.

UOL Educação – E como seria essa cara?

Freitas – A avaliação tem de valorizar e envolver os atores da escola no processo local. Isso não significa deixar de fazer avaliações nacionais, mas vamos dar novo significado a este processo. As escolas precisam consumir os dados da avaliação – o que hoje não acontece. Esses dados têm de ter uma utilidade. Hoje, as escolas recebem relatórios técnicos, difíceis de serem digeridos e não há instrumentos de mediação entre as avaliações e a sala de aula. Precisaria haver uma avaliação institucional participativa, conduzida pela escola. Repassar a responsabilidade para a escola por um mau desempenho, como se fosse culpa do professor, não dá. É preciso indagar qual era a responsabilidade da política pública e da equipe da escola. As duas têm de ser pesadas.

Foto: Alunos da Escola Estadual Presidente Tancredo Neves, de Taiobeiras/MG

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