sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Artigo do Padre Gledson: O valor da oração

* Padre Gledson Eduardo de Miranda Assis

No mundo hodierno, faz-se mister ratificar, dia após dia, em todo tempo e lugar, o valor da oração, sobretudo em família. A oração não só nos ajuda a perseverar na fé e na aquisição das virtudes, mas também, nos defende contra as ciladas do mal.

Quando os discípulos de Jesus quiseram aprender como rezar corretamente, pediram isso ao Mestre: “Senhor, ensina-nos a orar, como João ensinou a seus discípulos” (cf. Lc 11,1). O Evangelista Mateus apresenta Jesus ensinando aos seus discípulos, dentro do sermão da montanha, a melhor forma de rezar, que não consiste na quantidade de palavras usadas, mas sim na sinceridade do coração (cf. Mt 6,7). De fato, não devemos rezar apenas com o intuito de que os outros vejam que estamos rezando, mas sim para que o Pai do Céu, que vê no segredo, nos dê a recompensa (cf. Mt 6,5-6). E Jesus acrescenta: “Vosso Pai sabe do que tendes necessidade muito antes de lho pedirdes” (cf. Mt 6,8). A partir daí ensina, pois, a oração do “Pai Nosso” como modelo de toda oração, como prece universal (cf. Mt 6,9-13).

Logicamente, muitas outras orações nos permitem fazer uma experiência de proximidade com Deus, seja através d’Ele mesmo, seja através da intercessão dos santos, modelos de seguidores de Jesus para nós cristãos nos dias atuais, quer com fórmulas já prontas ou com expressões que espontaneamente brotam do nosso coração cheio de fé. Enquanto recomendação, diríamos que a Oração do Terço, por exemplo, como qualquer outra oração, deve ser rezada com devoção, atenção e piedade, evitando, enquanto possível, todo tipo de distrações. Ao recitá-lo, devemos meditar sobre os mistérios contemplados. Assim, enquanto se sucedem, em doce harmonia, as Ave-Marias, como proveitosa oração vocal, o nosso espírito se deixa elevar na meditação dos mistérios mais profundos de nossa fé, constituindo-se, também, valiosa oração mental.

Se volvermos nossa memória a um passado não muito distante, constatamos que era um fervoroso costume no seio de nossas famílias a oração diária e conjunta, como sinal de fé e devoção. Isso, sem dúvida alguma, era um dos motivos que sustentavam as famílias na serenidade e na paz, num tempo em que a vida não era fácil, tudo era conseguido com muito esforço, dificuldades, lutas e sofrimentos, mas que, não obstante tudo isso, o mundo ainda não era tão dominado por uma violência escabrosa, por um egoísmo avassalador e por uma falta de fraternidade incomensurável. Na verdade, podemos dizer que, pela oração, nossas famílias sustentavam sua solidificada união entre seus membros e perseverante esperança na providência divina, numa total atitude de confiança e abandono nas mãos do Pai. Belos tempos em que o temor a Deus era reinante, em que vizinho ajudava vizinho sem o interesse de receber nada em troca, comadre partilhava com comadre pelo simples prazer de exercer a fraternidade – como ainda hoje costuma acontecer nas cidades do interior – e todos juntos lutavam por um objetivo comum, acreditando que era possível, já aqui na terra, fazer o Reino de Deus acontecer.

Ainda é bom lembrar que a oração é sempre proveitosa e eficaz. Contudo, quando rezamos em comunidade, temos uma presença especial de Deus. É o próprio Jesus quem disse: “Quando dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles” (cf. Mt 18, 20). Todavia, o valor da oração não está na quantidade, mas sim na qualidade. Ela se torna perfeita e agradável a Deus quando feita com amor e sem pressa. Ao pronunciar com os lábios as palavras da oração, devemos acompanhá-las com o coração, com o sentimento e com a alma. É assim que falamos com os pais, com os amigos e com as pessoas de quem mais gostamos. E é assim também que deveríamos falar com Deus.

* Padre Gledson Eduardo de Miranda Assis é sacerdote da Arquidiocese de Montes Claros/MG, atuando na Paróquia São Sebastião daquela cidade. No seu período de seminarista, fez estágio em Taiobeiras/MG.

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