quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Pena de morte e religião cristã

* Levon Nascimento

A julgar pelos números da última pesquisa Datafolha (08/01/2018) e forçando uma interpretação "sui generis", 63% dos católicos brasileiros seriam favoráveis à condenação de Jesus à morte na cruz por parte dos poderes públicos do período em que ele viveu, seguidos com o apoio de 50% dos evangélicos para o mesmo fim. Já entre os ateus, mais de 50% seriam contrários.

Observações:

1) Tempos estranhos: a maioria daqueles que seguem o livro que tem como um dos mandamentos "Não matarás" (Êxodo 20,13), defendendo a violência e desejando assassinar através das mãos do Estado.

2) Ateus "mais temerosos a Deus" do que "cristãos"!?

3) Onde ficam os ensinamentos de CRISTO sobre "amai-vos uns aos outros como eu vos amei" (João 15,12) ou "perdoai até setenta vezes sete" (Mateus 18,32) para os que se declaram CRISTÃOS?

Enfim, especialistas em ciências sociais afirmam que em momentos de crise, como o de agora, o desejo por violência e sangue costuma aflorar nas sociedades. As pessoas, especialmente as mais pobres, sentem na pele a violência econômica, do Estado e da marginalidade em suas vidas, com maior intensidade do que as classes ricas. O perigo é que espertalhões da política se apropriem desse sentimento e aproveitem para implantar o terror, como fez Hitler na Alemanha dos anos 1930, o que só viria a agravar ainda mais a situação violenta. Inclusive, já temos um candidato a Hitler no Brasil. Fiquemos mais espertos e prudentes do que as serpentes (Mateus 10,16).

Para fechar, veja o que Jesus disse diretamente às pessoas que se julgavam muito religiosas na época em que ele viveu na Terra: "Em verdade vos digo: os publicanos [cobradores de impostos] e as meretrizes [prostitutas] vos precedem [entram primeiro] no Reino de Deus!" (Mateus 21,31b).

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

O casarão da Fazenda Alegria em Cordeiros

* Levon Nascimento

O município de Cordeiros, situado no sudoeste baiano, perto da divisa com Minas Gerais, tem um tesouro patrimonial histórico belíssimo. Trata-se da antiga sede da Fazenda Alegria.

As terras foram repartidas entre camponeses do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), os quais se organizaram no assentamento Maria Zilda.

No entanto, o velho casarão, muito provavelmente construído no século XIX, permanece a sussurrar na paisagem os dias de fausto da antiga aristocracia.

Residência de José Moreira Cordeiro e, posteriormente, de sua filha Mercedes com o esposo, o caixeiro-viajante, médico-prático e prefeito de Condeúba Joaquim Mutti de Carvalho (Cordeiros fazia parte de Condeúba), o casarão é testemunha viva do passado, além de fiel depositário das memórias de uma miríade de trabalhadores agregados, um sem par de histórias maravilhosas a serem descobertas e recontadas às gerações do presente e do futuro.

Mas está com os dias contados, tragado pelo tempo e devorado pelo esquecimento.

Mas não basta só a crítica. É preciso apontar caminhos. Que tal uma significativa união da associação dos trabalhadores assentados nas terras da antiga fazenda com os representantes do poder público local, estadual, nacional e demais interessados em preservar o patrimônio? Para planejar e executar um plano de recuperação, preservação e uso coletivo daquele espaço.

Se for bem cuidado, a velha sede da Alegria pode, inclusive, atrair visitantes, gerar algum tipo de renda e contribuir com a economia do município. O que não pode, em minha opinião, é deixar morrer aquilo que custou o suor e o sonho de tantos ancestrais.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

2017, por Levon Nascimento

* Levon Nascimento

As crianças de Janaúba, rostinhos tão nossos, gente inocente, vítimas da tragédia humana.

Os jovens de Taiobeiras, marcados e exterminados, vítimas da escravidão entorpecente e da ausência de amor nas políticas de Estado e na sociedade.

No Brasil, a cada dia sete mulheres são mortas por ex ou atuais companheiros por serem consideradas propriedades deles: feminicídio. Inclusive em Santo Antônio do Retiro.

Os direitos trabalhistas dos brasileiros foram vitimados no altar do Congresso Nacional. Sacrificados ao deus-mercado. Saciaram de sangue os gananciosos. Dificultou-se a Justiça. Puniu-se o pequeno.

Condena-se sem provas. Perseguição aos que lutam por um mundo melhor. Indulto aos criminosos lesa-pátria.

Todos esses escândalos clamam aos céus. Nosso passivo é exorbitante.

domingo, 24 de dezembro de 2017

Quando descobri o Natal: Papai Noel e Jesus

* Levon Nascimento(Texto originalmente publicado em 25 de dezembro de 2009. Reformulado e reescrito em partes nesta data)

Em tempos de Natal, resolvi buscar no baú da memória as referências que tenho sobre as personagens/personalidades que fazem parte dessa festa.

Pelo que me lembro, a primeira vez em que ouvi falar e vi o Papai Noel foi no Natal de 1980.

Nós morávamos em Taiobeiras/MG, tinha um ano, mas meu Pai levou a família para passar o Natal em Cordeiros/BA. Estávamos na casa de Tia Ana, que ficava em frente à Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus da Boa Vida (a igreja velha que foi demolida nos anos 1990 para dar lugar à construção da nova).

Era início da noite. Passou uma caminhonete C10 com um homem vestido de vermelho e com uma barba branca, feita de algodão. Atrás, vinha uma meninada sem fim. Meu irmão, meus primos e eu fomos atrás. Ele jogava balas para todos. Não me lembro se conseguimos apanhar alguma no meio daquele corre-corre, empurra-empurra.

Sei que o destino final do homem fantasiado de "bom velhinho" foi um coreto acoplado aos fundos da igreja. Quem já viu o filme "O Auto da Compadecida" sabe como é o coreto do qual estou falando. Lá continuou a jogar mais balas para a criançada. Não sei se levava presentes para alguém. Naquele tempo eu não me preocupava com isto. Senti uma enorme alegria por estar ali. 

Só depois fui entender que se tratava do Natal. Natal - que significa nascimento. Nascimento de quem? Mas essa pergunta eu só fiz muito tempo após.

E quando a fiz, sobre quem nascera no Natal, é que fiquei sabendo de que se tratava de um certo menino, Jesus, que embora nascera cerca de 2000 anos antes, nessa época do ano continuava menino, no presépio, acompanhado do pai e da mãe.

O primeiro Presépio que vi, aliás, foi em minha casa, creio que naquele mesmo ano do Papai Noel, ou no ano anterior. Não sei ao certo. Eu ainda não ligava uma coisa com a outra. Chamou-me a atenção o colorido das coisas e as diversas imagens que lá foram colocadas. Não somente José, Maria e o Menino Jesus, mas também todos os santos do lar realizaram um tour pela gruta de Belém erguida por minha mãe.

Ai me veio o questionamento, quando foi a primeira vez que eu vi Jesus? E ruminando nas lembranças, percebi que foi em situação bem menos auspiciosa do que naquela em que me encontrei com o Velho Noel.

De novo, foi em Cordeiros. Acho que em 1979. Ainda não havíamos mudado para Taiobeiras, o que só ocorreria em setembro daquele ano.

Era uma sexta-feira santa, também à noite. Mais novo ainda, eu me via caminhando entre uma multidão (procissão). Em outros momentos alguém me carregava nos ombros. Mas eu já era bem grandinho e de novo voltava ao chão.

Num desses instantes vi que uma mulher vestida com uma longa roupa escura, a cabeça coberta por um véu, subiu num banquinho e começou a cantar uma canção triste. Enquanto isso, desenrolava um pano que, ao final, continha um rosto todo marcado e sofrido. Perguntei de quem era o retrato. Disseram-me: "É Nossinhô, que morreu para nos salvar".

Mais tarde é que correlacionei que "Nossinhô" e Jesus eram a mesma pessoa.

E mais, a fé diz que ele morreu, ressuscitou, venceu a morte e continua vivo. Menino, Homem e Ressuscitado!

Dos dois encontros da primeira infância, com o "Bom Velhinho" das balas e com o Jesus de Verônica, só tempos adiante pude tirar as conclusões: o primeiro é o doce desejo de consumir e o segundo, a necessidade de amar e partilhar sem limites.

Feliz Natal para você.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Taiobeiras 64 anos

Há exatos quatro anos, em 12 de dezembro de 2013, conclui o livro "Sexagenarius: reflexões pelos 60 anos de Taiobeiras". Era a comemoração do sexagésimo aniversário da emancipação política e administrativa.

Fiz como esforço para contribuir no entendimento histórico da trajetória taiobeirense, mesmo sabendo que ainda há pouca ou nenhuma massa crítica para o debate acerca de quem somos e do futuro que desejamos trilhar.

No máximo, uma parabenização, de quem gosta mim, ou uma cara feia, de quem nem leu o texto (rsrs). De qualquer forma, nem uma coisa nem a outra eram o objetivo do trabalho, que continua a ser a reflexão crítica, para a qual é o livro apenas um pequeno instrumento despretensioso.

De lá para cá, perdi a paixão política pela cidade, um sinal de maturidade. As coisas nela fluem lentamente, às vezes regredindo, às vezes avançando, mas não deixo de lado o compromisso cidadão e histórico com a edificação da sociedade humana, inclusiva, de desigualdades diminuídas e de preconceitos enfrentados, seja em Taiobeiras ou noutros lugares.

sábado, 9 de dezembro de 2017

Não se deve discutir religião e política?

Abraçar uma luta política, quer num partido ou noutro tipo de organização social, é escolha livre, eticamente direcionada e ideologicamente fundamentada. Isto é para pessoas corajosas e transformadoras, o que não as livra, e às suas organizações e escolhas, de equívocos e contradições.

Um partido político, um movimento social ou uma ONG são formados por gente. Humanos que pensam, divergem, erram, acertam, caem e se levantam.

Diferentemente da religião, que exige uma crença em dogmas (verdades absolutas), onde fé é lei e a dúvida é pecado, a política é o espaço do questionamento, da crítica e da contradição civilizada (ou não).

Ainda assim, a religião se organiza no íntimo dos indivíduos, mas se estrutura também em entidades coletivas: as comunidades conhecidas como igrejas, os grupos em torno das sinagogas, das mesquitas, dos terreiros, das casas espíritas, etc.

Assim como na política, igrejas são grupos de pessoas que discordam ou convergem. O problema é que, na maioria das vezes, há um espírito autoritário na religião que vê essas características tão naturais da inteligência humana como coisas negativas e as tenta esconder sob o véu da infalibilidade da fé e como desobediência à vontade de Deus.

No fundo, as organizações religiosas são extremamente políticas e, na maioria das vezes, adeptas das piores formas de se fazer política, a do autoritarismo, da repressão e do ódio. Mas há também os religiosos e as religiões que trabalham pelo bem comum, partilha, fraternidade e justiça.

É incrível como o cristianismo de Jesus se encaixa no viés da libertação humana, da misericórdia e da compaixão, ao mesmo tempo que a história da cristandade ocidental caminha pelo lado oposto, apenas a título de exemplo. E não é exclusividade dos cristãos essa aparente contradição.

Discordo de quem separa o mundo entre uma suposta religião que impera como vontade exclusiva de Deus e a política como o reino do diabo. Quem faz isso, é mais político do que pensa, mais diabólico do que divino, no sentido de que diabo significa dividir. Geralmente serve de fantoche aos que praticam política ruim. Pior, vive uma fé que não esclarece. Ao contrário, emburrece.

Política e religião são universos distintos, mas mentes inteligentes operam e transitam por ambas e em várias outras multiplicidades de vivências possíveis aos seres humanos sem se tornarem fanáticas, sectárias ou alienadas.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

O santo e o fariseu

Eu vejo Francisco como um papa que tenta trazer as pessoas para perto do amor de Jesus Cristo: divorciados, gays, imigrantes, pobres, mulheres, muçulmanos, orientais, etc, sem a necessidade de mutilá-los em sua cultura com nossos dogmas milenares; ao mesmo tempo em que denuncia a sociedade de consumo que desumaniza as pessoas e descaracteriza a criação divina, nossa casa comum.
Estranho mesmo é gente que se diz de Igreja (quaisquer igrejas) pregando o ódio, falando mais no diabo do que em Deus, mergulhando no irracionalismo tipo "shalarilarabá", adorando o vil metal como se fosse bênção e afastando todos aqueles a quem Francisco tenta abraçar.
Essa é a diferença entre um santo e um fariseu aos nossos olhos.

domingo, 26 de novembro de 2017

O Senhor é Rei!

Hoje é a solenidade de Cristo, Rei do Universo, último domingo do calendário litúrgico (2017) católico.

Jesus é rei porque se põe a serviço dos outros, cura em dia de sábado, mesmo aos não-judeus, dá de comer aos famintos, tem compaixão dos órfãos e das viúvas, expulsa os vendilhões do templo, transforma água em vinho para alegria dos festejantes, salva a mulher do apedrejamento patriarcal, deixa fariseus e outras autoridades em saia justa com sua sabedoria, incomoda os instalados no poder em sua época e se entrega individualmente para salvar coletivamente.

Já os "reis" da Terra reinam com mordomias descabidas, lucros exorbitantes, riqueza concentrada à custa da pobreza institucionalizada, manipulação do Estado para interesses privados, jantares suntuosos a quem deveria legislar pelo bem comum em troca da destruição dos direitos dos pobres e dos trabalhadores, instrumentalização da justiça para absolver os aliados da iniquidade e condenar os inimigos do status quo, e deboche perseguidor aos que lutam por um mundo mais fraterno.


A diferença entre a realeza de Cristo e a glória passageira dos homens poderosos está na humanidade de Jesus e no egoismo de quem só tem poder porque dá golpes.


"Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos" (Marcos 9,35).

Àquele que era, que é e que vem, honra e glória. Vem, Senhor Jesus!

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Dias difíceis na profissão

Alunos são filhos dos outros que passam mais tempo com a gente do que nossos próprios filhos.
Embora estejamos ali para lhes mediar o acesso ao conhecimento acumulado da humanidade na forma do currículo escolhido pela escola, acabamos por nos envolver, nos revelar e conhecer a personalidade de cada um.
Nesse emaranhado que é o processo educativo, tomamos contato com suas vidas, suas dores e suas tragédias. E, como pais e mães que não deveríamos ser, compreendemos e somos compreendidos, incompreendemos e sofremos incompreensão.
E não estamos num mundo à parte. A crueldade caminha com nossos alunos, sobretudo com os que vêm de condições vulneráveis.
O que fazer quando aqueles que temos em sala se embriagam figurativa ou literalmente, viciam-se nas muletas ilícitas, entram para o mundo da criminalidade e sofrem de ausência de projeto de vida? Nós vivenciamos juntos. Às vezes, assimilamos a descrença, a raiva, a desesperança, também.
Há dias que são difíceis demais para quem "professa" fé na humanidade, professores...

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Já que o assunto é racismo contra "pretos"

* Por Levon Nascimento
Se você pensa que não é racista, mas ainda usa expressões como "cabelo ruim" para se referir ao tipo comum de cabelo de pessoas afrodescendentes, repense suas frases e suas posturas. Não há cabelo melhor do que outro. Existe um padrão de beleza perverso, imposto culturalmente pela colonização europeia, e que precisa ser combatido com educação, para que a diversidade humana seja apreciada e valorizada em toda a sua extensão.
Caso você tenha dificuldade em falar qual é a sua cor de pele ou a de outra pessoa, preferindo eufemismos como morena, escurinha ou cor-de-chocolate, ao invés de dizer preta ou negra, também repense sua postura. Não há nenhum problema em ser negro, dizer que alguém é negro ou que tem aparência negra. A etnia negra é uma das várias que compõem a diversidade humana. Ser negro ou reconhecer que alguém é negro não pode significar um tabu, muitos menos rebaixamento. É tão natural quanto ser oriental (amarelo), indígena, árabe ou caucasiano (branco).
O defeito está em classificar o que é negro como negativo, inferior ou ruim, ou pior, retirar direitos, explorar e destruir a dignidade das pessoas por conta de sua cor de pele, cultura ou tipo de cabelo.
Também não diga que os movimentos que propõem a tomada de consciência negra ou políticas afirmativas para negros são eles próprios racistas, que estão de "mimimi" e que no fundo buscam privilégios para apenas uma parte da sociedade. Não é verdade. Não fossem esses grupos e políticas, estaríamos numa situação de maior atraso nas questões de igualdade racial. Infelizmente, pesquisas apontam que quanto mais a gradação de pele e o fenótipo corporal avançam para a etnia negra, menores são os salários, piores as ocupações e mais sujeitas a vulnerabilidades sociais, como as violências e a pobreza, estão as pessoas. São resquícios da escravidão de 350 anos no Brasil.
Tomar consciência negra não é só para negros, é para toda a sociedade. Políticas afirmativas não geram privilégios, corrigem distorções sociais e quitam dívidas históricas.
Com relação aos negros, são vítimas, além do preconceito, de uma estrutura histórica que nos coloca em situação de desvantagem social devido ao último meio milênio em que africanos foram sequestrados em seu continente e transformados em escravos, propriedades de outras pessoas, em diferentes lugares do mundo, principalmente nos países da América. Desses, o Brasil foi o que mais recebeu homens e mulheres da etnia negra.
Combater o racismo é tarefa complexa e difícil. Começa por quem é descendente de africanos se reconhecer como negro, sentir orgulho e se autoafirmar. Passa pelo respeito das demais pessoas e das instituições de Estado e se conclui com a superação de todas as estruturas sociais e econômicas que promovem as diferentes formas de exploração sobre os seres humanos.
* Levon Nascimento é professor de História, sociólogo e mestrando em Políticas Públicas.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Taioba (Xanthosoma sagittifolium)

* Levon Nascimento


A taioba tem alta concentração de nutrientes e alimento adequado para crianças, atletas e idosos. Pesquisas feitas com a hortaliça ao longo das últimas décadas detectaram em suas folhas grande concentração de vitamina A (superior a brócolis, cenoura ou espinafre) além de vitamina C, ferro, potássio e manganês. Uma planta que é um verdadeiro coquetel vitamínico e que cresce facilmente em qualquer quintal.

A hortaliça se desenvolve com facilidade em climas quentes e úmidos, típicos de áreas tropicais, em temperaturas médias entre 25 e 35 graus. O solo deve ser bem drenado e preferencialmente indica-se o plantio em área de boa incidência de luz natural.


Além de todas as características físicas, a taioba, alimento que por existir em abundancia deu nome a nossa cidade Taiobeiras. Mas como será que anda o conhecimento da população do município de Taiobeiras com a taioba?

Nós perguntamos e os taiobeirenses responderam, confiram nesta matéria o resultado da pesquisa.

A pesquisa foi realizada no período de 1º a 30 de outubro de 2017, utilizando-se formulário eletrônico nas redes sociais. No total foram 3.114 questionários respondidos.

1. QUAL A SUA RELAÇÃO COM O MUNICÍPIO DE TAIOBEIRAS-MG?

2. O QUE É A TAIOBA?

3. ALGUMA VEZ NA SUA VIDA VOCÊ JÁ CONSUMIU A TAIOBA?

4. QUAL OU QUAIS PARTES DA TAIOBA SÃO PRÓPRIAS PARA O CONSUMO?

 
5. A TAIOBA É UM ALIMENTO DE PRESENÇA FREQUENTE NAS PRINCIPAIS REFEIÇÕES DA SUA
CASA?

6. COM RELAÇÃO A FACILIDADE DE ENCONTRAR ESSE ALIMENTO NA SUA CIDADE VOCÊ DIRIA QUE ELE É:

7. VOCÊ CONHECE ALGUMA RECEITA NA QUAL O INGREDIENTE PRINCIPAL É A TAIOBA?

Já que o tema hoje é taioba, que tal fazer essa receitinha fornecida pelo pessoal da EMBRAPA?
Taioba refogada (Tempo de preparo: 15min / Rendimento: 4 porções).

Ingredientes:
1 maço de taioba.
1 colher (sopa) de óleo ou azeite.
Sal e pimenta do reino à gosto.
1 dente de alho picado.
Cebolinha verde picada.
1 cebola média cortada em rodelas.
Caldo de ½ limão.

Modo de preparo:
Lave bem a taioba, folha por folha. Rasgue as folhas em pedacinhos, entre os veios, e lave novamente. Numa panela coloque o óleo, o sal, o alho e a cebolinha verde. Leve ao fogo. Quando estiver quente, acrescente a taioba para refogar, sem tampar a panela, por cerca de 5 minutos, mexendo sempre, ou até que a taioba esteja macia. Se desejar, adicione pimenta. À parte, faça um molho com as rodelas de cebola e o caldo de limão. Derrame este molho sobre a taioba depois que ela estiver pronta. Sugestão: sirva com arroz e feijão.

Créditos: Embrapa


O processo de amostragem realizado para o levantamento de dados foi feito de forma não probabilística e por conveniência.

* Levon Nascimento é professor de História, sociólogo e mestrando em Estado, Governo e Políticas Públicas pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Socias & Fundação Perseu Abramo.

Dados de Taiobeiras: só Educação se destaca


* Levon Nascimento

Quem tiver a oportunidade de observar os índices que são levados em conta para medir o desenvolvimento humano em Taiobeiras (IDHM), encontráveis de forma bem fácil ao entendimento no site do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), perceberá que ainda temos um longo caminho pela frente. Estamos abaixo das médias do estado e do país.

Mas, mesmo na microrregião do Alto Rio Pardo, temos muito a melhorar.

Na renda da população ocupada, o salário médio mensal dos trabalhadores formais, isto é, aqueles com carteira assinada, em dados de 2014, ganha-se em torno de um salário mínimo e meio por mês, enquanto que a soma de toda a riqueza produzida no município (PIB) dividida por cada taiobeirense daria uma renda per capita (por cabeça) em torno de R$ 11.188,70 (Onze mil, cento e oitenta e oito reais e setenta centavos), evidenciando a enorme desigualdade social, certamente uma das causas da vulnerabilidade social crescente e de sua filha mais nefasta, a violência. Dos 17 municípios do Alto Rio Pardo, Taiobeiras ocupa o 5º lugar em renda, resultado ruim, quando se é o segundo em população e se alardeia por meio da propaganda uma suposta posição de destaque na microrregião.

Em saúde, sempre de acordo com o IBGE, a mortalidade infantil é de 4,08 óbitos a cada mil nascidos vivos (2014). Isso põe Taiobeiras na 4.146ª posição entre os 5.570 municípios brasileiros, 571º lugar entre as 853 cidades de Minas e 14º das 17 do Alto Rio Pardo.

Destaque apenas na área de educação. O IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de 2015 revela as notas 6,6 para os anos iniciais do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano) e 5 para os anos finais (6º ao 9º). Isso qualifica Taiobeiras como 1º lugar em ambas as etapas da educação básica no Alto Rio Pardo. Lembrando que 6 é a nota mínima considerada satisfatória para o IDEB, mas a série taiobeirense revela crescimento ininterrupto desde que começou a ser medida.

Portanto, é necessário que o foco dos esforços estatais e da sociedade, públicos e privados, se referencie nesses dados para alavancar o desenvolvimento humano taiobeirense. Talvez uma das formas para se começar a vencer o mal da violência, especialmente entre os jovens, tão massacrante na atualidade.

Outro dado que merece destaque é o quanto a escola e os profissionais em educação, tão relegados a segundo ou terceiro plano, têm sido os artífices do que de melhor Taiobeiras tem produzido em termos de desenvolvimento. Somos primeiro lugar em educação na microrregião, mas ainda temos muito que avançar.

Observação: Todos os dados foram colhidos no site: cidades.ibge.gov.br.

* Levon Nascimento é professor de História, sociólogo e mestrando em políticas públicas pela Fundação Perseu Abramo & Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Saudação de Tânia Ladeia a Lula em Salinas

Tânia Ladeia recepciona Lula em Salinas
* Tânia Ladeia Magalhães


Companheiras, companheiros! Conterrâneos, colegas, amigos das cidades circunvizinhas.

Querido presidente Lula, esperamos 36 anos por sua volta em Salinas. Estamos felizes, honrados e a utopia toma conta do nosso coração, como naqueles dias, princípio de lutas, convicções, trabalho de base, objetos e conquistas.

Lembro-me bem da sua chegada aqui. Meu pai disse, convencido da importância do metalúrgico, do sindicalista arrojado e corajoso: esse homem eu quero ver. Porque ele já sabia através dos jornais, dos programas de rádio, e da própria TV que esse homem não era qualquer um. E naquela expectativa de ver o homem, ele ficou sabendo que não foi possível o comício ou ato público no mercado recém-inaugurado. O delegado mandara impedir. Então meu pai foi para a porta e bradou em alta voz: - “Esse homem é recebido em qualquer país como ministro de Estado e não pode fazer um comício em Salinas, pois faz aqui na porta”.

E aconteceu o maior, o melhor comício que já vi na minha vida. Todos que estavam lá, olhavam para você como se esperassem um milagre. A maioria era jovem, todos acreditando em novas possibilidades, pois o ranço do coronelismo aqui ainda era muito forte, em novas formas de viver, em saídas, em realizações de sonhos.

E todos que estavam lá naquele comício continuam com você. Ali nasceu o PT. Descobrimos então que é preciso, em primeiro lugar, olhar para baixo e não planar sobre as nuvens. Quem não tiver coragem e desejo de olhar para baixo, nunca poderá compreender a verdadeira situação do país.

Você sabe olhar para baixo, para a frente e para os lados. Nós lhe agradecemos, Lula porque você nos coloca no mais alto patamar da esperança. Essa honra, gostaria de dividir com vários companheiros que também gostariam de estar aqui e falar para você: Não sei se sou merecedora, mas tenho certeza de que todos o admiram e a vontade é enaltece-lo e apontar o que estamos esperando e querendo para o futuro do país.

Estamos vivendo agora uma crise hídrica gravíssima.  Setenta e nove municípios aqui da região estão sem água. E a monocultura e as mineradoras continuam invadindo o cerrado, matando as nascentes e violentando a nossa caixa d’água. Em contrapartida temos o Instituto Federal, que por suas mãos veio contribuir muito com a região.

A possibilidade da classe trabalhadora não é mais possível. É com luta que conquistamos. E a conquista através da luta é mais importante que qualquer privilégio.

Em 2002 foi o grande momento da classe trabalhadora com sua vitória. É o momento da história que oportuniza as lutas da classe trabalhadora e essas lutas significam que os trabalhadores melhoram de vida. É difícil para muita gente entender isso, mas quando entende ninguém segura mais.

Foi Karl Marx quem disse: “A humanidade só coloca perguntas que ela mesma é capaz de responder”. E nós sabemos, presidente, o que queremos para nós é para o nosso Brasil. OLHA VOCÊ AI.

* Tânia Ladeia Magalhães é professora aposentada, presidenta do PT em Salinas (Norte de Minas Gerais). Esse é o texto do discurso feito por ela na praça, em recepção ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 26 de outubro de 2017, durante sua passagem por Salinas, na caravana Lula Pelo Brasil - Minas Gerais. O fato narrado por Tânia ocorreu em 1981, quando o operário Lula esteve pela primeira vez na cidade, para fundar o PT, e foi impedido pela ditadura militar de fazer um comício em frente ao Mercado Municipal. O pai de Tânia, Rodrigo Magalhães, abriu as portas de sua casa, situada na praça central de Salinas, para Lula realizar sua conversa com o povo.

domingo, 29 de outubro de 2017

Meus pequenos escritos de outubro

Salinas, 26/10/2017. Foto: Alex Sandro Mendes.
O que é um indivíduo fascista? É aquele que se incomoda com a opinião política, social, filosófica e cultural dos outros. E, além disso, pratica assédios e ataques, virtuais e físicos, aos que pensam e agem diferentemente dele. Em resumo, o fascista é um fundamentalista, um projeto de terrorista.
(29/10/2017)

Perguntar não ofende: O cristão que defende liberação do porte de armas (indiretamente, maior mortalidade), permissão aos agentes da segurança pública para mais matar do que usar as tecnologias de inteligência, inferioridade feminina (machismo), zombaria com quilombolas e indígenas (racismo) e intolerância às pessoas homossexuais (homofobia) age verdadeiramente como seguidor de Jesus Cristo?
(29/10/2017)

Juiz permite que frases desrespeitosas aos direitos humanos não sejam motivos para zerar a nota da redação do Enem. Que justiça é essa que autoriza a promoção da maldade e do ódio? O golpe abriu os portões do inferno no Brasil.
(27/10/2017)

Em 2018 não teremos mais que duas opções, o eleitor se comportará como Hitler ou Mandela, a favor da morte ou defensor da vida digna, ogro ou cidadão, canalha ou companheiro, egoísta ou solidário, boçal ou inteligente, "Minion" ou Humano.
Em tempo, feliz aniversário aos amigos e amigas de hoje, em especial ao grande estadista que se encontra em Montes Claros, Luiz Inácio Lula da Silva.
(27/10/2017)

Durante a visita do ex-presidente Lula ao campus do IFNMG em Salinas reencontrei vários ex-alunos meus que agora estudam lá. Que cabeças boas, esclarecidos, livres das urucubacas preconceituosas!
(27/10/2017)

O deus da bancada que se diz evangélica na Câmara Federal (a que salvou Temer da investigação), invocado no microfone do Congresso, deve ser escrito com inicial minúscula, com o mesmo "d" de dinheiro. Não é o Deus amoroso e justo de Jesus de Nazaré nem de nenhuma outra crença que celebra a justiça e a compaixão. É ídolo. É Baal.
P. S.: Minha crítica é exclusivamente aos deputados que usam a religião evangélica para acobertar suas sem-vergonhices. Respeito o povo evangélico.
(26/10/2017)

- A culpa é do PT que pôs o Temer de vice.
- Na vice, sim, infelizmente. Mas quem o colocou na presidência foram os patos, eleitores de Aécio, que saíram de amarelo às ruas batendo em panelas contra a "corrupsaum" e apoiando o golpe.
- Ah, mas a Dilma acabou com o Brasil.
- Que nada! Todo mundo sabe que ela caiu porque não aceitou que o PMDB roubasse. Então fica com o Temer, que para se livrar das denúncias gastou com os deputados 32 bi, mais do que o orçamento de um ano de todo o programa Bolsa Família.
- Nossa bandeira jamais será vermelha!
- Só que não! Já olhou sua conta de luz? Ficou sabendo que Temer vendeu hidrelétricas da CEMIG para a China da bandeira vermelha?
(26/10/2017)

De que lado deveria estar um afro-ameríndio-descendente, filho, neto, bisneto... de trabalhadores escravos, semi-escravos, analfabetos, semi-analfabetos, que teve a oportunidade de usufruir da política pública da educação e de participar da formação cristã libertadora nas pastorais sociais da Igreja? Do lado da "Casa Grande" que nunca suportou sua gente nem as oportunidades que ele teve? Ou do lado da "senzala", da gente igual a ele, da transformação social e da luta pela redução das desigualdades? Esse sou eu e estou do lado do povo brasileiro.
(25/10/2017)

- As contradições da sociedade brasileira:
* Quando o assassino é "de menor", mas filho de "gente de bem" (leia-se: de classe média ou alta), é tratado como vítima, sofredor de problemas psicológicos, enfim, alguém que merece cuidados e uma segunda chance.
* Quando o "de menor" é filho de pobre, mora na periferia ou é negro, aí a turba clama por redução da maioridade, linchamento ou cadeia.
- Não adianta dizer que não é bem assim. É assim.
- De minha parte, penso que todos deveriam inspirar cuidados e segundas chances de se tornarem pessoas aptas ao convívio cordial na coletividade.
(22/10/2017)

- Pode-se falar de comunismo na escola? Claro que sim.
- Assim como do liberalismo econômico de Adam Smith e dos clássicos da economia, de capitalismo, empreendedorismo, feudalismo, fascismo, darwinismo e nazismo, de escravidão e liberdade, de direitos e deveres, de ditadura, judaísmo, cristandade e homossexualidade, de democracia, drogas, islamismo e religiões, de esquerda e de direita, de algarismos e alfabetos, de gregos e troianos, de incas, astecas e maias, de iorubás, bantos e egípcios, e do que mais existir na vida e nas relações humanas.
- A escola é justamente para se saber das coisas, debater sobre elas, compreendê-las, criticá-las e reconstruí-las. A escola é lugar de acreditar que os seres humanos são inteligentes, de que eles são capazes de pensarem com a própria cabeça e de não se deixarem dominar por outros.
- Ninguém se torna uma planta ao saber que os seres vegetais realizam a fotossíntese, nem vira Einstein ao aprender raiz quadrada.
(19/10/2017)


sábado, 28 de outubro de 2017

Arrebatadores e resilientes: Francisco e Lula

Francisco em Copacabana, Lula em Salinas
* Por Levon Nascimento 

Em quarenta anos de vida, só senti o que vou narrar aqui duas vezes.


Há pessoas que conseguem arrebatar pelo carisma. Na falta de expressão melhor, é como se uma energia poderosa emanasse delas e atingisse todos à volta. Uma onda de euforia, alegria e confiança se propaga.

Não são deuses, santos ou entidades metafísicas. Humanos, imperfeitos e que muitas vezes se equivocam como os demais homens e mulheres. Mas são especiais.

Sua especialidade se encontra na capacidade de liderarem. Não precisam de um exército ou de armas poderosas para imporem vontades. Semeiam ideias. Aliás, sua força e autoridade se concentram justamente na capacidade de se fazerem povo, gente como os outros, demonstrarem suas fraquezas e emoções, mas ao mesmo tempo as transformarem no combustível para a luta, o serviço e o enfrentamento das injustiças.

Arrebatam multidões por onde passam porque não são covardes e, ainda, porque simbolizam a resiliência dos de baixo, dos rostos sofridos, dos escravizados e excluídos, dos explorados, inspirando compaixão, respeito, confiança, esperança e amor.

Um desses resilientes arrebatadores com quem tive a experiência da energia que toca a multidão é o Papa Francisco, na praia de Copacabana, em julho de 2013.

O outro é Luiz Inácio Lula da Silva, em Salinas, Norte de Minas Gerais, na tarde da quinta, 26 de outubro de 2017.

Francisco é a grande voz mundial contra a ganância capitalista (Baal) destruidora da humanidade e da criação. Enfrenta reações desonestas até mesmo de agentes do clero, mas persiste na Revolução do Evangelho, sem esmorecer.

Lula, o grande brasileiro, apesar de toda a perseguição midiática, jurídica e ignominiosa, caminha entre o povo de cabeça erguida. Em tempos de descrédito da política como via preferencial para a resolução de conflitos, reúne multidões nas praças do país para falar e fazer política.

Não discuto aqui os feitos desses dois homens. Exalto a necessidade que a conjuntura atual tem de que prossigam vivos e ativos entre nós, por muito tempo. O amor, a solidariedade e o povo que não tem vez nem voz na agenda dos poderosos desta Terra agradecem.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

O que significa a vinda de Lula a Salinas em 26 de outubro?

Visita de Lula a Salinas em 1981
* Levon Nascimento

A presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Salinas na tarde da quinta, 23 de outubro, através da caravana Lula Pelo Brasil em Minas Gerais, será um momento de reencontro. Como em 1981, em sua primeira vinda, ainda operário em busca de organizar o PT, virá como símbolo de resistência da luta contra o golpismo de lesa-pátria.

O povo do Alto Rio Pardo, esquecido pelas tradicionais lideranças que se revezam no poder, amargurado pela seca agravada pela ganância de uns poucos, agredido pela violência crescente e insatisfatoriamente representado nas esferas de poder, terá a chance de rever um velho aliado.

Sim! Um aliado! E dos grandes!

Durante os governos de Lula, pela primeira vez na história a região conheceu o que se pode chamar de políticas públicas. Ao invés de favores, direitos.

A criação do Território da Cidadania do Alto Rio Pardo, como instância aglutinadora de políticas e organizadora da sociedade, foi uma experiência única e produziu frutos. A consolidação da Escola Família Agrícola Nova Esperança, sediada em Taiobeiras, é a joia da coroa dessa brilhante história.

O “Bolsa Família”, que muitos equivocadamente julgam assistencialismo, salvou famílias da fome, empoderou mulheres chefes de núcleos familiares e proporcionou a universalização do acesso à educação fundamental no Alto Rio Pardo.

A integração da antiga Escola Agrotécnica Federal de Salinas à rede dos Institutos Federais de Educação garantiu ensino tecnológico, técnico e superior de qualidade na microrregião, garantindo a jovens de todos os estratos sociais, principalmente das famílias trabalhadoras, o acesso ao conhecimento e à profissionalização.

O “ProUni”, o “Sisu” e a vitaminação do “FIES” garantiram universidade para muita gente que jamais teria a oportunidade caso persistissem as velhas políticas de segregação do ensino superior, anteriores a Lula.

O “Programa de Aceleração do Crescimento” (PAC) deu à maioria das cidades a possibilidade de pavimentação de ruas, de construção de redes de saneamento e esgotamento sanitário, uma velha demanda da saúde pública regional. Só para lembrar, antes de Lula Taiobeiras tinha 0% de rede de esgoto, uma marca vergonhosa para um município que se gaba do planejamento urbano desde tenra idade.

Os financiamentos do “Minha Casa Minha Vida” permitiram o acesso ao sonho da casa própria a muitas famílias.

O “Compra Direta” fez a merenda escolar mais nutritiva e aumentou a renda dos agricultores familiares locais.

As políticas para a agricultura familiar, o “Programa de Cisternas” (caixas para armazenamento de água) e vários outros do mesmo tipo fizeram com que não houvesse uma onda gigantesca de migração, como ocorria no passado, mesmo com a região enfrentando a mais grave seca de que se tem notícia na história.

O “Luz Para Todos” levou iluminação e informação às famílias da zona rural.

Com Lula, o Brasil crescia e o povo tinha esperança. O Alto Rio Pardo se projetou, alcançou melhorias que antes eram apenas sonhos. Claro que não o suficiente, mas inéditas.

Esqueçam do Lula que a velha mídia carcomida por interesses patrimonialistas e imperialistas, antinacional por origem e princípio, apresenta debochadamente. O Lula que sofre lawfare (perseguição jurídica baseada em muitas acusações e pouca ou nenhuma prova) por parte dos luminares de Curitiba mimetiza o povo resistente do Alto Rio Pardo, gente de potencial que resvala na elite tosca que teima em dirigir para o precipício os rumos da microrregião.

E não chamem os que forem a Salinas vê-lo de ignorantes. São de tudo, menos isso. Potencialmente, pessoas atentas ao cenário e que sabem perfeitamente de que lado estão as lideranças e as instituições nacionais, se do povo ou de interesses mesquinhos. São os brasileiros corajosos a ponto de desafiarem as tramas do golpe, a retirada de direitos e a destruição da Nação. São os verdadeiros patriotas de que o Brasil necessita.

O Lula que vem a Salinas é mais do que o homem, imperfeito e frágil. É o símbolo histórico do sertanejo que, apesar da crueza da seca, da ruindade dos coronéis e das agruras da vida, cisma em continuar vivo, pelejando, em romaria pelas estradas da vida, rumo à esperança da dignidade que só os fortes hão de conhecer.

Lula e o povo do Alto Rio Pardo são duas lendas. São vitoriosos por serem justamente quem são, contra toda sorte de exploração e de exploradores.

Bem-vindo, Lula. Pode chegar, a casa é sua.

* Levon Nascimento é professor de História e mestrando em Estado, Governo e Políticas Públicas pela Fundação Perseu Abramo. Mora em Taiobeiras/MG, uma das cidades do Alto Rio Pardo, desde os três anos de idade.