sábado, 27 de agosto de 2016

Artigo do Levon: O fim do governo da primeira mulher

Dilma e Lula na noite da vitória de Dilma em 2010
Está chegando ao fim o governo da presidenta Dilma Rousseff e os anos do PT no comando central da República. Injustamente, pois este final se dará por um golpe de estado parlamentar, midiático, judicial e institucional. Ela não cometeu crime de responsabilidade e é honesta. Nada se comprovou contra Dilma, que teve sua vida vasculhada de ponta a ponta. Pelo contrário, ofenderam-na desde o dia em que se soube que seria candidata à presidência da República. Na pessoa de Dilma, o machismo estrutural revelou sua face mais torpe e cruel contra todas as mulheres da Nação. Aliás, a primeira mulher a alcançar o mais alto posto do estabilishment brasileiro foi também a nossa chefe de Estado mais vilipendiada de todos os tempos.
Mulher de fibra, fiel aos princípios democráticos e de extremado amor ao povo do Brasil, Dilma Rousseff será deposta na próxima segunda ou terça, 29 ou 30 de agosto. Tristes agostos para a política brasileira!
Chegará ao fim um dos mais belos períodos da História deste país. Época em que, pela primeira vez, os pobres, os pequenos, os negros, as mulheres, os homossexuais, os marginalizados e os trabalhadores tiveram vez e prioridade nas políticas do governo brasileiro. Tempo de ouro que começou em 2002, com a eleição do operário Luiz Inácio Lula da Silva.
Dificilmente veremos, nas próximas duas ou três gerações, um tempo tão belo e frutífero quanto este que a ganância de nossa torpe burguesia, amparada por uma classe média néscia, fez se eclipsar.
Meu registo, nestes dias tão tristes, para a História. Eu vivi os dias de Lula e de Dilma na presidência do Brasil. Nunca houve governantes tão dedicados à causa do Brasil, tão empenhados em fazer melhorar a vida da maioria e tão barbaramente perseguidos nesta terra. Erros, cometeram, muitos. A autocrítica partidária deverá ser feita. Mas isto não apaga o brilho do que foi construído e conquistado. A História nos dará razão. Afinal, estamos do lado certo da História!
Levon Nascimento, 27 de agosto de 2016.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Artigo do Levon: A última carta de Dilma

Dilma Rousseff, primeira mulher a ser eleita presidenta
da República brasileira. Vítima de um golpe de Estado.
A carta proclamada pela presidenta-eleita Dilma Rousseff ao Povo Brasileiro e ao Senado da República, na tarde desta terça, 16 de agosto de 2016, tem tudo para se tornar um documento histórico.

Histórico porque representa a última ação, em favor da manutenção da democracia brasileira, de uma mulher íntegra, honesta, que não cometeu crime de responsabilidade, a primeira do sexo feminino a ser eleita e reeleita para o mais alto cargo do Estado brasileiro, conclamando a Nação a resistir a mais um golpe de estado. Lembre-se de que o Brasil é o país onde este tipo de golpe é a regra e não a exceção.

Dilma Rousseff teve problemas em seus governos, errou muito, mas acertou outro tanto. Buscou governar para os pequenos, os fracos, os pobres e os trabalhadores. Não teve jogo de cintura para lidar com a gula insaciável do mercado e nem com os gangsteres que povoam a política brasileira desde que Cabral pôs os pés em Porto Seguro. Talvez, aí esteja o maior erro de Dilma. Não fez concessões a Eduardo Cunha e sua gangue. Isto lhe custou o mandato conferido por 54 milhões e meio de brasileiros.

O petrolão, a Lava-jato, a piração religiosa em torno da polêmica do aborto, a misoginia, a imbecilidade política da classe média, o machismo e o racismo contra sua política inclusiva fizeram um inferno cotidiano sobre o qual Dilma Rousseff teve que ter estômago mais pródigo do que o de avestruz. Dilma foi duas vezes torturada: na ditadura passada (1964-1985), em favor da democracia; na ditadura midiático-judiciária dos golpistas hodiernos, novamente pelos valores democráticos.

Dilma Rousseff é uma mulher de fibra, como muitas brasileiras anônimas, autêntica e patriota. Pena que milhões de brasileiros levarão umas duas gerações até perceber que crucificaram a pessoa honesta e colocaram livres os verdadeiros bandidos, de quebra, entregando-lhes o poder sobre a Nação!

Na carta, Dilma pede a chance de voltar à presidência para convocar um plebiscito no qual os brasileiros escolheriam em manter o seu mandato até 2018 ou convocar novas eleições. Não acredito que a maioria do Senado, tão subserviente aos interesses do capital financeiro e seus próprios, inconfessáveis e particularistas, se comoverá. O "golpeachment" se efetivará. Dilma Rousseff e os anos de ouro dos governos do PT, nos quais pobre teve vez na agenda pública, ficarão para a História fazer justiça. Num primeiro momento, condenados pelo efeito da manipulação da manada. No futuro, como símbolo do Brasil que quase deu certo, não fosse sua elite perdulária e sua emburrecida classe média.

Hoje, sinceramente, não tenho mais esperanças na política e nem acredito em eleições num regime que depõe uma mulher honesta para entregar o poder a homens brancos, velhos, ricos e corruptos.

domingo, 7 de agosto de 2016

Sobre "fakes" e esperança


Tenho a impressão de que aqui em Taiobeiras há uma fábrica de "fakes" nos porões "elitizados". Gente que tenta desesperadamente passar a ideia de que é ilibada, virtuosa e moralista. Na prática, escondida por detrás dos recursos tecnológicos, e sob anonimato, revela a obscura face degenerada, preconceituosa, racista, ególatra e cínica que a define como criatura humana - e ruge como um celerado infectado pelo vírus da raiva.
Há figuras respeitáveis nessa "elite", pelas quais, mesmo eu discordando das ideias ou da posição política, tenho enorme carinho e consideração. Pena, porém, das figuras pobres, apesar da boa renda e patrimônio. Moralmente, intelectualmente e politicamente pauperizadas e apodrecidas.
A minha esperança é a de que essas figuras do submundo, um dia, cheguem à maturação da civilidade. Apenas isto.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

PT de Taiobeiras definiu pré-candidatos a vereador(a)

Geraldin do Sindicato durante a convenção do PT
No último sábado, 30 de julho, os filiados do Partido dos Trabalhadores em Taiobeiras se reuniram em convenção para decidir e aprovar as pré-candidaturas ao cargo de vereador(a) e a coligação majoritária com os partidos que apoiarão as candidaturas de Carlito Arruda para prefeito e Valmir Pezão para vice-prefeito.


Professora Marileide durante a convenção do PT
Os pré-candidatos a vereador(a) pelo PT são:
* Geraldo Caldeira Barbosa, o Geraldin do Sindicato, presidente-licenciado do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Taiobeiras e morador da comunidade de Manteiga.

* Marileide Alves Pinheiro, professora da rede estadual de ensino e ativista cultural do grupo Arte Em Cena.
* Valdete Rodrigues de Oliveira, estudante secundarista, participante de grupos de jovens e morador do bairro Planalto.


Valdete Oliveira durante a convenção do PT
Durante a convenção, o PT de Taiobeiras também aprovou a resolução na qual sublinha o compromisso de defender as políticas públicas de inclusão social e de defesa das categorias sociais marginalizadas e oprimidas da sociedade taiobeirense.

A coligação de vereadores que o PT integra foi "batizada" com o sugestivo título de "Taiobeiras tem sede de paz". Já a coligação majoritária (de prefeito) ficou oficializada como "Taiobeiras tem sede de mudança".

A campanha eleitoral de 2016 tem elementos inéditos, definidos pela nova legislação eleitoral, a qual diminuiu pela metade o tempo de campanha, que começa em meados de agosto.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Poema: O lado certo da História

Levon Nascimento


Que estamos do lado certo da História,
Nunca tive dúvidas.
Que isto não nos sirva de consolo,
Nem de desculpas para parar a luta.
A luta continua,
Antes, pelo avanço
Da democracia brasileira.
Agora, para que a democracia
E os direitos não se percam.
Quem é de luta está comigo
E eu com ele(a).
Aos golpistas,
A lata de lixo
E a vala comum.

domingo, 31 de julho de 2016

PT Taiobeiras realiza convenção para eleições 2016

Na tarde de sábado, 30 de julho de 2016, o PT de Taiobeiras realizou a Convenção Municipal que escolheu os candidatos petistas a vereador e oficializou sua participação na coligação majoritária "Taiobeiras tem sede de mudança", composta também pelo PMDB, PDT, PTB, SD, PHS e PSD, a qual lançará o empresário Carlito Arruda (PMDB) e o vereador Valmir Pezão (PMDB), respectivamente, como candidatos a prefeito e vice-prefeito.

Durante a convenção, os pré-candidatos assinaram o Compromisso Partidário do Candidato e da Candidata Petista. Também foi lida a resolução aprovada no Encontro Municipal do PT ocorrido em 20 de julho de 2016.

Dentre os principais pontos da resolução, destacam-se:

"1. Os candidatos e as candidatas do PT de Taiobeiras defenderão publicamente, durante a campanha, os avanços, as conquistas e os direitos garantidos durante os governos do presidente Lula e da presidenta Dilma.
2. Os candidatos e as candidatas do PT de Taiobeiras, sempre que necessário, divulgarão as várias obras e os recursos que entraram no município de Taiobeiras por meio das ações dos governos de Lula, de Dilma e de Fernando Pimentel.
3. Os candidatos e as candidatas do PT de Taiobeiras denunciarão, durante toda a campanha, o golpe jurídico, midiático e parlamentar contra o mandato democraticamente eleito da presidenta Dilma Rousseff."

Ficaram aprovados como pré-candidatos do PT de Taiobeiras ao cargo de vereador(a), os(as) filiados(as) Geraldo Caldeira Barbosa (Geraldinho do Sindicato dos Trabalhadores Rurais), Marileide Alves Pinheiro (professora) e o jovem Valdete Rodrigues de Oliveira.

Papa Francisco: diálogo ao invés de vigança

O papa Francisco, lúcido e cristão, apela ao diálogo fraterno com todas as religiões, ao entendimento e ao amor, mesmo diante de um padre católico degolado por terroristas islâmicos. Não prega o ódio, a vingança ou a guerra. Age como seu Mestre e Senhor, Jesus Cristo.
Triste é ver católicos tradicionalistas criticando o papa por não demonstrar ira ou convocar uma nova cruzada contra o Islã. Essa gente é como os fascistas que querem mais armas nas mãos dos cidadãos ante a violência urbana, reduzir a maioridade penal ou aprovar penas de prisão perpétua ou de morte. Se não forem os mesmos. Eles se nutrem de raiva.
Está certo o papa Francisco por não sucumbir aos sentimentos sanguinários nem vingativos. O autêntico sucessor do apóstolo Pedro, representante de Jesus na Terra, tem de ser ponte (pontífice) entre os homens de diversas raças e culturas, entre a humanidade e o Pai celestial.
Estou contigo, Francisco!

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Artigo do Levon: Os desafios atuais do Partido dos Trabalhadores

* Levon Nascimento

O Partido dos Trabalhadores é a principal força política construída pelas classes trabalhadoras brasileiras. Após alcançar o poder central e nele permanecer por quase quatro mandatos, em 2016 o PT é apeado por um golpe jurídico-parlamentar e precisa encarar os desafios da atualidade para se manter como sujeito ativo na política nacional, dentre eles: superar o pragmatismo excessivo que o deslocou da esquerda para o “centrão”, enfrentar o processo de criminalização de suas ações políticas por parte da mídia e de setores do Ministério Público e do Judiciário e, ao cabo, apresentar-se como força renovada, em ideologia e em lideranças, capaz de dar um novo rumo à luta popular brasileira.

Durante os governos petistas, os critérios rígidos para admissão de novos filiados e de alianças cederam lugar ao pragmatismo nas relações com os demais atores políticos, em nome da governabilidade exigida pelo presidencialismo de coalizão – típico desde a redemocratização. Episódio ilustrativo foi a atuação desencontrada na recente eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, após a renúncia de Eduardo Cunha. Isso afasta a militância e desfigura a essência do partido. Se as direções não encararem com seriedade a recuperação do projeto do PT e valarem-se das boas experiências dos modos petistas de governar e de legislar, readequando-as ao contexto, estarão por acelerar a perda de protagonismo e a dispersão de quadros em futuro breve.

Porém, a ameaça mais grave para o PT é a caçada despudorada empreendida pela grande mídia nacional, em conluio com setores encastelados do Ministério Público e do Judiciário. Eles querem a derrocada eleitoral do PT e a criminalização de suas ações. Iniciou-se com o “mensalão”, em 2005, agravou-se com o julgamento da AP 470 pelo STF, em 2012, e revelou todo o caráter golpista com a operação “Lava-jato”, de 2014 ao presente. Para não ser arbitrariamente suprimido do cenário político brasileiro, o PT precisa voltar ao berço dos movimentos sociais e populares e garantir a legitimidade necessária contra a reação das classes dominantes, representadas pela mídia e pela aristocracia jurídica. Estas o veem como o principal adversário do secular projeto de poder das elites nacionais e estão dispostas a tudo para varrê-lo do mapa político, a exemplo do golpe de estado em curso.

O PT também tem de retomar a sua grande capacidade de se reinventar. É necessário reaproximar-se da práxis – viver o que prega – e recobrar a desenvoltura, na descoberta e formação de novas lideranças do campo de esquerda e dos movimentos sociais. Sem líderes e ideias atuais, fatalmente será tragado para a obsolescência. Figuras como Fernando Haddad e uma miríade de quadros dispersos país a fora, se tocadas por um consistente projeto petista, popular e de esquerda, poderão dar ao partido mais algumas décadas de protagonismo na política do Brasil. Também o PED – Processo de Eleições Diretas – do PT deverá sustentar a possibilidade de que as novas gerações ascendam ao comando partidário.

Os desafios do PT são enormes e podem destruí-lo se não enfrentados com criatividade e devida consciência de gravidade. A perda de jovialidade do partido pesa contra. A favor, sua grande capacidade de sair maior das crises que enfrenta. Historicamente, o PT é a maior revelação do que o movimento popular brasileiro é capaz em termos de organização política. Se se recobrar de seu passado, o PT talvez possa vencer a sua maior crise.

domingo, 17 de julho de 2016

Romaria dos Mártires da Caminhada 2016

Encerrou-se hoje a edição 2016 da Romaria dos Mártires da Caminhada em Ribeirão Cascalheira, no Mato Grosso, local onde o padre João Bosco Penido Burnier foi assassinado pela polícia durante a Ditadura Militar (outubro de 1976), por defender os direitos dos índios, dos pobres e dos ribeirinhos daquela região.
No dia do atentado contra o padre João Bosco (11/10/1976), ele e Dom Pedro Casaldáliga, bispo de São Félix do Araguaia (MT), foram à cadeia interceder por duas mulheres que estavam sendo torturadas. Na verdade, os policiais queriam matar o bispo Casaldáliga, que foi poupado daquela barbárie porque os algozes o confundiram com o padre João Bosco.
Nos dias seguintes ao martírio, o povo destruiu a cadeia, afugentou os policiais criminosos e, no local, ergueu uma igreja, o Santuário dos Mártires da Caminhada, numa evidente declaração de luta contra a ditadura brasileira.
Durante a Romaria dos Mártires da Caminhada, militantes das comunidades eclesiais de base, das pastorais sociais e dos grupos ligados à teologia da libertação católica meditam e celebram a memória de todos os que deram a vida pela causa da justiça, associando-os à causa de Jesus.
Que o sangue dos mártires da caminhada brasileira e latino-americana, unido ao sangue de Cristo martirizado-ressuscitado, nos anime na luta contra a nova ditadura que ora surge do golpe e na construção de um mundo novo, justo, solidário e fraterno! Venha teu Reino, Jesus!

sábado, 9 de julho de 2016

Novo FEBEAPÁ: o golpe de 2016

FEBEAPÁ (Festival de Besteiras que Assola o País) é o título de uma série de três livros escritos pelo cronista, escritor, radialista e compositor brasileiro Sérgio Marcus Rangel Porto (Rio de Janeiro, 11 de janeiro de 1923 — 30 de setembro de 1968), mais conhecido por seu pseudônimo Stanislaw Ponte Preta. No FEBEAPÁ, Ponte Preta ironizava as pérolas dos anos iniciais da Ditadura Militar brasileira. Pois não é que com o golpe de 2016, um novo FEBEAPÁ está acontecendo na vida política e social brasileira!
Conta-nos, Stanislaw, que nos anos 60 do século passado, a repressão invadiu um sindicato à procura de todos os livros do "comunista comedor de criancinhas" Karl Marx, o velho filósofo alemão que viveu no século XIX, mas que acabou fichado no DOPS (órgão da ditadura brasileira) como figura muito suspeita que ameaçava o regime. O primeiro livro estranho encontrado foi levado e queimado na rua por ter a capa vermelha. Era uma Bíblia doada aos líderes sindicais do mundo inteiro pelo Papa João XXIII, durante uma solenidade de São José Operário, em algum 1º de maio. Mas, como estava escrita em latim e, ainda, com capa vermelha, só podia ser coisa de comunista ateu (risos). "O Capital", livro de Marx, permaneceu incólume, pois tinha capa preta e edição discreta. Agora, nos tempos do usurpador golpista temerário, do deputado Bolsonaro, que elogia torturadores na sessão do impeachment, de Eduardo Cunha, que apronta todas e nunca vai preso e dos parlamentares obscurantistas, uma professora do Paraná foi afastada da escola - pasmem! - por ensinar as teorias de Karl Marx na aula de sociologia, coisa que consta do curriculum de qualquer escola brasileira, americana, inglesa ou japonesa que preze por oferecer um ensino de qualidade.
A julgar pelo ridículo e pelo desmonte das políticas públicas que o governo golpista está operando em apenas dois meses, todos os professores de História, Ciências, Sociologia, Geografia e Filosofia que se preparem, pois a nova ditadura "temerária" brasileira, que pôs fim à Nova República inaugurada por Tancredo Neves em 1985, vai em breve nos censurar e perseguir por ensinar Paulo Freire, Milton Santos, Guerra Fria, evolucionismo darwinista, cultura afro-brasileira e indígena, teoria do subdesenvolvimento e o artigo 5º da Constituição de 1988, aquele que trata sobre os direitos dos cidadãos e cidadãs do Brasil.
Não bastasse querer elevar a aposentadoria para 70 anos, entregar o pré-sal para as multinacionais americanas, aumentar a jornada diária de trabalho de oito para doze horas, agora é a tal da "Escola Sem Partido", defendida pelo ator pornô Alexandre Frota na visita que fez ao Ministro da Educação do governo golpista de Temer, ainda em maio.
Fora Dilma! Bem-vinda nova ditadura! A história se repetindo, como em 1964. Quantos serão torturados e mortos novamente?

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Sem Dilma não tinha obras em Taiobeiras

Dilma Rousseff e o PT são vítimas de um terrível ódio em Taiobeiras. Ódio artificialmente cultivado e disseminado pela elite política, burocrata e econômica. Mas, a verdade, é que se não fosse Dilma, as obras inauguradas nos últimos dias (na área da saúde) e as em andamento (construção de creches, etc) não existiriam. Sem falar dos programas sociais, que ajudam os pobres e trabalhadores, da cidade e da zona rural, a enfrentarem a crise e alimentam o comércio local. Tudo isto é propositalmente escondido do povo.
Pode-se criticar Dilma em vários aspectos, mas se não fosse o governo dela, a situação de Taiobeiras seria muito mais grave.
Vamos ver quando Michel Temer, o usurpador, conseguir reduzir os gastos com a saúde e a educação - e conseguir aumentar a idade para as pessoas se aposentarem - como que a situação vai ficar.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Texto do Levon: Vingança ou Perdão?

O que escuto ou leio em determinados comentários:

* "Bandido bom é bandido morto".

* " Tá com pena de bandido? Adote um".

O que Jesus disse?

* "Amai vossos inimigos".

* " Dai a outra face".

* "Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra".

O que resume os direitos humanos?

* Garantir que o outro seja tratado com a mesma decência com que se quer ser tratado, ainda que você julgue que ele "não presta".

Não sou a favor de bandidos. Desejo apenas que haja punição com dignidade e, sobretudo, reeducação.

Se eu desejar a morte do bandido, ainda que seja o pior deles, em que serei diferente dele?

terça-feira, 5 de julho de 2016

Texto do Levon: Quem é o inimigo a ser morto?

Bem, o esperado está acontecendo.
Primeiro, demonizaram o PT e esconderam a podridão dos outros partidos (PSDB, PMDB, PP, PTB, etc.), muito maiores do que as do PT. E é fácil provar que são realmente muito maiores. Depois, tramaram contra Lula que, apesar de nem ser réu, não podia ser nomeado ministro, enquanto que o governo golpista está cheio de investigados na Lava-jato e em outras lambanças, sem contar Eduardo Cunha na presidência da Câmara, mesmo com a revelação das contas na Suíça. Em seguida, o impeachment de Dilma, mulher honesta, que não cometeu crime de responsabilidade. Agora, justamente no período eleitoral, bloqueiam a conta do PT. A desculpa, como sempre, é a de combater a corrupção. Mas só tem PT nesse emaranhado de 35 partidos políticos? É só desculpa. O objetivo é cortar o financiamento das candidaturas de petistas e deixar livres os demais. Justamente, os demais!
O tolo que acredita que a corrupção está sendo combatida com a destruição do PT deve achar que, enfim, o Brasil se tornará um mar de rosas. Pobre coitado! Asno!
É um golpe. O PT é apenas o símbolo do inimigo a ser combatido. Só o símbolo. O verdadeiro inimigo a ser "morto", extirpado como um câncer, é o pobre, é o trabalhador, é aquele que vai perder os poucos direitos que conquistou na última década, durante os governos petistas:
* Valorização do salário mínimo,
* "Minha Casa Minha Vida",
* PAC,
* ProUni,
* Fies,
* Brasil Sem Fronteiras,
* Luz para Todos,
* Água para Todos,
* Caminhos da Escola,
* Bolsa Família,
* Cotas para pobres, negros e indígenas,
* Políticas de proteção à mulher,
* Pronaf,
* Previdência social,
* "Mais Médicos",
* Escolas técnicas,
* Institutos federais,
* Concursos públicos,
* 14 novas universidades,
* Integração latino-americana,
* Inclusão de 40 milhões de pessoas retiradas da extrema miséria, etc...
Anos sombrios e terríveis pela frente, só porque você gritou "Fora Dilma e leve o PT junto". Prepare-se para sofrer.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Texto do Levon: Sabia

Sabe quando você luta com a alma e com o coração? Sobretudo porque tem ciência de que está lutando pelo que é certo, justo, bom e digno...
Sabe quando você tem certeza de que está do lado certo, ainda que a maioria lhe diga o contrário?
Pois é! É assim que me sinto na luta contra o golpe no Brasil, a favor da restituição do mandato democraticamente conferido a Dilma Rousseff pelo voto, desafiando as injustiças dos golpistas, dos fascistas e dos ignorantes. Eu estou do lado certo da história! E isto me alegra.
Faço o que a consciência tranquila me manda fazer. Isto é o justo. É pelo bem, mais dos outros do que de mim mesmo. Pouco me importa a rejeição ou os desdizeres dos que me chamam de cego, radical ou outras aberrações. Eu sou honesto e minha luta também. E tenho milhões de companheiros na mesma condição! Somos muitos!

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Texto do Levon: Tico e Teco

A violência está insuportável: Mais armas para os homens de bem!
A crise econômica apertou: Mais liberdade para o mercado!
Os serviços públicos são ineficientes: Privatização já!
Crise na representação política: Individualismo!
Perdemos a eleição: Menos democracia para os incautos!
As crianças aprendem pouco na escola: Menos matérias críticas!
Uma maçã está podre no cesto: Joguem todas no lixo!
A água após o banho está suja: Joguem-na fora juntamente com o bebê!
Muita criatura humana que pensa e age assim.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Texto do Levon: Dialética

É pobre, é preto, é puta, é branco pobre, é indígena, é quilombola, é mulher consciente, é mulher pobre e preta, é menor, é sem terra, é sem teto, é de esquerda, é petista, é gay, é lésbica, é menor infrator, é empregado, é empregada doméstica: vale menos do que um cachorro de madame.
É rico, é aparentemente rico, é branco, é branco rico, é mulher-objeto, é madame, é empresário, é empreendedor, é dono de casa boa ou apartamento, é hétero, é machão, é menor infrator filho de rico ou de classe média alta, é dono de terras, é dono de imóveis, é patrão: vale mais do que Deus.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Texto do Levon: Ame e lute, apesar das pedras

Ame e lute, apesar das pedras
* Levon Nascimento
A visão, na terra da cegueira, ao contrário do ditado popular, segundo o qual traria a coroa ao detentor, torna-se motivo de disputa e segregação.
A coragem, na terra da covardia, é classificada como loucura.
A disposição para a luta, na terra da acomodação e do conformismo, é tratada como patologia social.
A capacidade crítica, na terra do infortúnio intelectual, é vítima da ditadura da mediocridade.
Mas sem elas - a visão, a coragem, a disposição para a luta e a capacidade crítica -, os cegos, os covardes, os acomodados, os conformados e os intelectualmente desafortunados pereceriam na bocarra da dominação.
É preciso lutar por eles, por amor, sem esperar outra retribuição além das pedras.

Texto do Levon: Seguir

Seguir
* Levon Nascimento
É Jesus...
Não te sigo para ter a benção da prosperidade material. Os bens materiais se enferrujam e apodrecem.
Não te sigo por causa de milagres espetaculosos. Eles só cabem em filmes hollywoodianos.
Não te sigo por causa de uma suposta moral elevada e perfeita, superior à das demais pessoas. Por conta dela, civilizações inteiras foram extirpadas em banhos de sangue.
Não te sigo por medo de morrer. Afinal, a todos ela vem, "ao fraco e ao forte", como disse teu amigo Francisco de Assis.
Então, por que ou para que te sigo?
Para que a adúltera não morra a pedradas;
Para que o cego enxergue;
Para que o filho ingrato volte à casa dos que o amam;
Para que o rico compartilhe seus bens;
Para que o paralítico volte a andar;
Para que a pescaria renda aos pescadores;
Para semear em terra fértil;
Para multiplicar o pão e repartir com a multidão;
Para possibilitar uma vida mais justa ao órfão, à viúva e ao pobre;
Por causa do peso de tua cruz.
Por causa do teu imenso amor.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Artigo do Levon: O oprimido e a opressão

A opressão não seria tão violenta e persistente se não contasse com o conformismo ou, até mesmo, a colaboração dos oprimidos frente aos opressores.

Os 350 anos da brutal e desumana escravidão negra no Brasil não teriam durado tanto se, num dado momento da história, muitos escravizados não tivessem começado a achar que aquilo era destino (sina) e, outros, a navegar no próprio sistema escravocrata, passando a colaborar com seus senhores em troca de pequenos favores, à forma de migalhas: os capitães do mato.

A dominação feminina em diferentes tempos ou em diversos tipos de sociedade, só foi possível graças ao fato da maioria das mulheres aceitarem a condição de submissas ao poder discricionário dos homens.

Igualmente, a exploração da mais-valia dos trabalhadores por seus patrões só se efetiva porque a grande parte do proletariado não toma consciência de classe e, efetivamente, não luta unida pela superação das relações capitalistas de trabalho.

No Brasil dos dias atuais, esta constatação se faz ainda mais evidente. Depois de um período de quatorze anos (curto interregno diante de sua longa história de espoliação pelas oligarquias),no qual um governo de origem popular (ainda que marcado pelo tal presidencialismo de coalizão, o qual desfigurou o projeto original das personagens principais deste período de poder), a população beneficiária de uma série de avanços sociais, que conquistou direitos e alcançou empoderamento real, foi conduzida ideologicamente, por força da grande mídia cartelizada, a desejar o impeachment do governo legitimamente eleito e a ansiar pela entronização no Palácio do Planalto de plutocratas que absolutamente em nada representam seus reais interesses de classe.

Desta forma, jovens foram às ruas contra a corrupção, por mais escolas e saúde. Recebem do novo governo a nomeação de velhos ministros que sempre defenderam justamente o oposto e, de quebra, sinaliza com o desmonte das políticas de inclusão na educação e na cultura. Mulheres com rosto maquiado de verde e amarelo bateram em panelas contra o governo da primeira mulher eleita para a presidência da República brasileira. Como pagamento, veem a extinção do ministério especial que tratava de políticas públicas para o sexo feminino, bem como um ministeriado totalmente composto por homens, fato que nem mesmo o último governo da ditadura militar tinha ousado. Assalariados de carteira assinada bradaram contra o primeiro governo oriundo das classes trabalhadoras. Em troca, veem o novo governo acenar para a flexibilização dos direitos tão arduamente conquistados e contidos na CLT, flertar com as cruéis terceirizações e acenar ao aumento da idade mínima para a aposentadoria, além da possibilidade do trágico fim da política de valorização real do salário mínimo.

Nenhuma das constatações anteriores retira a responsabilidade das costas da classe que historicamente se fez opressora sobre as demais. Atualmente, ela se encontra assentada nos barões da grande mídia, organizada em cartel de poucas famílias; nas grandes empresas dos capitais financeiro (bancos), industrial e comercial; na política tradicional das velhas oligarquias (partidos políticos de direita); e em setores do próprio Estado nacional, tradicionalmente ocupados por estratos da classe média identificados com os interesses da alta burguesia, a exemplo do que ocorre, em grande medida, no Poder Judiciário, no Ministério Público e nas corporações, como a Polícia Federal.

Porém, não invalida a análise de que é necessário investir para que o oprimido não mais se identifique com o opressor que lhe explora. Se isto não vier a ocorrer com urgência, o Brasil estará sempre sujeito a golpes daqueles que não se contentam em esperar as próximas eleições para acender ao poder pelo voto democrático, configurando-se numa gigantesca república bananeira. Esta consciência se fará na Educação: teórica, ofertada nas escolas, e prática, no calor das lutas encampadas pelos movimentos sociais.

Artigo do Levon: Diálogo e fascismo

Vixe! É outro artigo de opinião desse tal de Levon! Eu não vou nem ler! Petralha doente! Só fala de Lula e Dilma! É um cego! Vai pra Cuba!

Calma! Vamos dialogar?

Uma das marcas do período conturbado pelo qual o Brasil está passando é a extrema polarização das posições políticas, as quais deixaram o terreno fértil do diálogo e da liberdade de expressão e adentraram ao pântano das perigosas simplificações, dos dogmatismos e do ódio fascista.

Por quais motivos?

O petismo foi um modo de governo de esquerda moderado, que nada teve de socialista ou comunista, a não ser os aliados e a referência moral, que buscou a conciliação com as elites e patrocinou políticas macroeconômicas tipicamente capitalistas, permitindo imensos lucros aos grandes bancos e aos setores hegemônicos da burguesia nacional e que mexeu pouco na estrutura social do Brasil, propiciando que os setores populares, antes totalmente excluídos, tivessem acesso ao consumo e a alguns direitos sociais. Porém, mesmo este pouco de inclusão, que retirou 40 milhões de brasileiros da condição de extrema pobreza, desagradou à conservadora classe dominante nacional, secularmente beneficiária das desigualdades.

O ódio fascista foi fomentado

No caso da classe média, imageticamente retratada pelo jocoso termo “coxinha”, pesa o fato dela ser tão classe trabalhadora quanto as demais classes populares, mas ideologicamente identificada, inspirada e desejosa de ser parte da assim denominada burguesia, ou classe opressora. Daí decorre que não deve ser motivo de espanto, pelo menos para quem quiser sociologicamente analisar, o fato de ser a classe média, tão sofredora quanto as demais categorias oprimidas, a contribuir com o maior contingente de indivíduos que defendem e propagam a irracional ideologia do fascismo brasileiro. Some-se a isto o conservadorismo estético, típico dos estratos médios de sociedades que passaram por longos períodos de domínio colonial, e a extrema religiosidade de caráter privado, centrada atualmente no que se denominou chamar de teologia da prosperidade.

Dito isso, se entende o porquê da classe média bradar palavras de ordem que deixariam corados de vergonha quaisquer indivíduos que se dedicassem a um estudo mínimo de História, como, por exemplo, os famosos: “vai pra Cuba”, “petralha é tudo comunista”, “fascismo é ideologia de esquerda” e outras falácias. Quanto a Cuba, qualquer observador da cena internacional sabe que a ilha dos Castro caminha claramente para a abertura de seu mercado. A Guerra Fria dos anos 60 ficou longe. Até Barak Obama e os Rolling Stones já foram dar o seu abraço a Fidel. Supor que o petismo levaria o Brasil para uma ditadura comunista é de fazer o velho Marx ou Stalin se revirarem de raiva no caixão. Em qual comunismo os bancos lucrariam tanto e os pobres receberiam incentivos para comprar, comprar e comprar? E, se o fascismo era de esquerda, por que então as vítimas prediletas de Hitler e Mussolini, depois dos judeus, eram os camaradas esquerdistas, comumente alcunhados de “os bolcheviques” ou “os porcos vermelhos”? Não. O fascismo era uma ideologia de direita. De extrema direita. E que punha em risco os próprios conceitos burgueses de democracia e liberdade de expressão. Por isto foi combatido, ainda que tardiamente, pelos Aliados. Isto, evidentemente, não retira das esquerdas mundiais a responsabilidade de fazerem autocrítica quanto aos massacres perpetrados por regimes como o soviético, o chinês e o norte-coreano. Não se deve tapar os olhos para os crimes da extrema-esquerda, para não se cair no dogmatismo obscurantista da extrema-direita.

Mas a esquerda brasileira também errou, principalmente por não ter disputado a hegemonia ideológica durante os anos dourados do lulismo (segundo mandato de Lula). Houve um raciocínio acomodatício que se conformou apenas com as quatro vitórias consecutivas em eleições presidenciais. O espaço ideológico junto à classe média ficou vazio. A classe média, ela própria, beneficiária de tantas políticas inclusivas dos governos petistas, como o PROUNI, o SISU, o Brasil Sem Fronteiras, a valorização real do salário mínimo, o estímulo aos concursos públicos, o aumento de vagas em universidades públicas e em institutos federais, além das ações de cunho moralizante, como o fortalecimento da Controladoria Geral da União, do MPF e a autonomia de fato da Polícia Federal. De vazio, este campo foi ocupado pelos grupos elitistas que enxergaram no fascismo, ou seja, na manipulação dos medos, da ignorância histórico-conceitual e nos seculares preconceitos de classe, uma porta para a retomada do poder central (fato concretizado com o golpe do impeachment por pedaladas fiscais) e para a extinção das conquistas alcançadas pelas classes dominadas (inclusive da própria classe média, que agora poderá ser vítima do aumento da idade para se aposentar e de outros golpes do governo ilegítimo).

Nos artigos de opinião que escrevo, tenho sido vítima dos xingamentos típicos de indivíduos que foram, involuntariamente, inoculados pela doença do ódio fascista. Gente que não se incomoda de ter Eduardo Cunha como parceiro de suas “lutas”. Antes, eu me afligia e sofria. Tinha raiva. Hoje, vejo que é meu dever de cidadão brasileiro e – por que não? – atitude de cristão, ajudar a estes co-irmãos a avançarem em suas visões de mundo, seja pela leitura crítica ou pelo contradito conceitual.

Talvez pese que, realmente, eu seja um militante das minhas ideias, inclusive político-partidariamente, mas eu não os odeio. Apenas, quero dialogar respeitosamente com eles.

sábado, 2 de abril de 2016

Artigo do Levon: O valor dos líderes

Beatriz Cerqueira, do SindUTE/MG e da CUT/MG
Às vezes fico indignado quando percebo que boa parte das pessoas não é digna do esforço de algumas lideranças que as guiam e defendem. Vou citar dois casos, um da Bíblia e outro da nossa atualidade política brasileira.

Nos tempos bíblicos vemos a luta de Moisés para convencer, organizar e conduzir o povo de Israel na luta contra a escravidão no Egito. E, mesmo depois da espetacular fuga pelo Mar Vermelho, em meio às óbvias dificuldades de travessia do deserto, os hebreus se põem a conspirar contra Moisés, reclamando do racionamento de comida e desejando o retorno à vida dos tempos de escravidão. A liberdade e a autonomia são bens duros de serem conseguidos e vividos. Nem todos estavam amadurecidos para compreendê-las e, delas, usufruírem. “Pau no líder”!

Atualmente, vejo a consistente atuação da professora Beatriz Cerqueira, do Sindicato Único dos Educadores de Minas Gerais (SindUTE/MG) e da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG). Uma baita liderança! Inteligente, coerente e bem articulada. Organizou e lutou bravamente contra os desmandos dos governos tucanos na educação mineira. Tem feito a luta, mesmo com um governo simpático às demandas dos professores, sem abrir mão do essencial aos interesses da categoria. Mesmo assim, tem professor que nem lê o que ela escreve, não sabe o que pensa e, pior ainda, fala mal, acusa com leviandades e prefere dizer que “o Sindicato ou a Beatriz nada fazem por eles”. Vivem da murmuração e se recusam a participar efetivamente das lutas.

Ah, e se tiver alguém que venha me acusar de misturar a história bíblica para dar sustentação a esta narrativa claramente política, digo logo que parem de ser hipócritas e desinformados. Estudem! Em geral, os que assim procederem são aqueles mesmos que conhecem a Bíblia de cabo a rabo quando o assunto é “teologia da prosperidade”, busca de milagres espetaculares ou julgar a vida alheia, mas que sabem como ninguém utilizar o famoso “jeitinho” brasileiro quando se deparam com a passagem na qual Jesus afirma que “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino do céu”. Para essa gente, a agulha era uma grande porta típica das cidades do Oriente Médio. Típico descaramento na interpretação. O mestre Jesus não se valeria de uma comparação que indica dificuldades utilizando exemplos que permitem concluir por facilidades. Agulha é agulha, camelo é camelo, rico é rico, hipocrisia é hipocrisia.

Enfim, há casos em que muitos liderados não fazem jus ao valor, à luta e ao sacrifício de seus líderes. E vice versa!

terça-feira, 29 de março de 2016

Capazes de vender o Brasil e os brasileiros enrolados na Bandeira Nacional

* Levon Nascimento

“A nossa bandeira jamais será vermelha” – gritam os manifestantes da classe média branca pelas ruas das principais capitais brasileiras, vestindo a camisa amarela (ou azul) da corrupta CBF, com os rostos pintados de verde-amarelo e paramentados com todo tipo de enfeite – quando não, com o próprio – que mimetizam o pavilhão nacional (Bandeira do Brasil). Não! Não é uma cena extraída do túnel do tempo, direto de 1964, do contexto de polarização capitalismo X socialismo, típico da Guerra Fria. Ocorre no ano de 2016, em pleno século XXI, tendo como pano de fundo os governos do PT, partido que, mesmo se declarando de esquerda, conduziu um governo genuinamente de estímulo ao mercado capitalista, seja ele o de consumo, através do Bolsa Família e dos demais programas de inclusão social, seja o financeiro, facilitando os altos lucros bancários através de taxas de juros elevadas. Causa espanto ver pessoas supostamente estudadas e bem informadas acreditando que os governos Lula e Dilma tramam a implantação de uma “ditadura comunista” (sic). É a típica ignorância da classe média que, como diz o sociólogo Jessé de Souza, é sadomasoquista, pois prefere mobilizar e vocalizar bandeiras de interesse da alta burguesia financeira e industrial, que a prejudica com altos preços em bens e serviços, do que reconhecer-se explorada e unir-se à luta dos demais trabalhadores. Na ausência de discurso ou de projeto minimamente racional, essa gente prefere se alimentar do vazio das teorias conspiratórias e enxergar no fantasma do comunismo, em plena era da globalização, o sentido para mascarar suas frustrações, medos e preconceitos. Ignorantemente perfilada com o neoliberalismo desnacionalizante, faz isto vestida com a bandeira nacional. Haja contradição! Mas não enxergam.

A história da Bandeira Nacional é curiosa. Originalmente foi desenha pelo pintor francês Jean-Baptiste Debret – artista que veio nas missões artísticas patrocinadas por dom João VI – por encomenda de Pedro I assim que a independência foi proclamada em 1822. É composta de um retângulo verde, representando a casa de Bragança, família do imperador, e de um losango amarelo, símbolo da casa real austríaca dos Habsburgo, dinastia da primeira imperatriz brasileira, dona Leopoldina. Com a República, o brasão do Império em seu centro foi substituído por uma esfera azul, ornada de estrelas brancas – referentes às unidades da federação –, conforme a disposição das constelações visíveis no céu do Rio de Janeiro durante a noite de 15 de novembro de 1889, e por uma faixa igualmente branca onde está escrita a frase “Ordem e Progresso”, lema do positivismo francês – influência sobre as mentes dos militares brasileiros que deram o golpe republicano – que dava sentido ao imperialismo e neocolonialismo explorador europeu em fins do século XIX. Sim, a frase “Ordem e Progresso” não tem nada de nobre! Os que a inventaram pensavam tão somente na manutenção da “ordem” capitalista e exploratória dos povos brancos europeus sobre o resto do planeta. O “progresso” desejado por eles era o mesmo dos que não se importam em desmatar, poluir ou deixar barragens de rejeitos de minério se romperem sobre povoados desprotegidos e grandes rios de importância regional, como a Samarco fez em Mariana recentemente. Mesmo assim, nada tira a beleza do “símbolo augusto da paz” – como canta o Hino à Bandeira – nem seu sentido afetivo de sinal maior da união de todos os brasileiros. A Bandeira do Brasil não pertence apenas aos que vociferam odientos, favoráveis ao golpe de estado travestido pelo termo anglo impeachment. Ela igualmente é dos trabalhadores, artistas, intelectuais e estudantes que marcham de vermelho pela democracia, bradando “Não vai ter golpe! Vai ter luta”! Ou, mais legitimamente a estes últimos.

As pessoas que se vestem de Bandeira Nacional para gritar “Fora Dilma”, “Fora Lula”, “Fora PT”, “Menos Paulo Freire”, “Somos milhões de Cunhas” ou “Abaixo o Comunismo” acham que são os legítimos e verdadeiros brasileiros. Triste e perigoso engano fascista! Da mesma forma, referem-se a si mesmos como os “cidadãos de bem”. De resto, em seu pervertido raciocínio, os que não embarcaram na degradante aventura golpista do impeachment são “do mal” e antibrasileiros. Aí se justifica a inepta frase “Nossa bandeira jamais será vermelha” ou a idiotice de crer que cada manifestante de vermelho estaria nas passeatas de esquerda porque recebeu trinta reais ou uma merenda de pão com mortadela. Essa gente não percebe que as manifestações majoritariamente de verde e amarelo defendem o retrocesso civilizatório, a destruição da democracia brasileira e os instintos mesquinhos daqueles que em absolutamente nada corroboram com o interesse nacional. As grandes corporações financeiras e midiáticas, que defendem o afastamento de Dilma e insuflam as massas de rua contra ela, subscrevem o aprofundamento da ideologia neoliberal mais selvagem, planejam o sucateamento da Petrobrás e a entrega de mão beijada dos direitos de exploração do pré-sal às petroleiras estrangeiras, anseiam pela redução dos gastos sociais e dos direitos trabalhistas, o que devolverá à miséria milhões de famílias incluídas nos últimos 14 anos de governos petistas e propõem levar a efeito um amplo programa de privatizações que terminará por mercantilizar os nossos já débeis serviços básicos. Querem retomar a integração subalterna à ALCA e aos organismos financeiros internacionais, como o FMI, interrompida pelo governo Lula. Enfim, nada mais antinacional do que os ativistas vestidos de verde e amarelo nas manifestações anti-Dilma. Eles “odeiam” o Brasil, detestam sua gente e cultura popular, idolatram os modos e valores norte-americanos e europeus. Não se envergonham de sofrer da secular patologia social denominada “complexo de vira-latas”, máxima cunhada por Nelson Rodrigues.

Ao contrário, as multidões que saem de vermelho às ruas, da cor da luta dos povos oprimidos em todos os lugres do mundo e tempos da História, que nada têm de fanáticos torcedores de um eterno Fla X Flu político, como imaginam os ingênuos “apolíticos” ou “apartidários”, imbuídas de cívica e verdadeira consciência cidadã e democrática, lutam pela manutenção e ampliação da ainda recente e incompleta democracia brasileira. Defendem que os recursos nacionais estejam sob o controle das instituições do Estado e da sociedade do Brasil. Promovem a politização da sociedade para que os bens e serviços pátrios fiquem a cargo do bem comum, da inclusão social e da igualdade de condições. Expressam seu repúdio à mercantilização dos valores brasileiros para fins do lucro insaciável de apenas alguns, muitos destes estrangeiros. Trágica e ironicamente, as multidões de vermelho são, de fato, nacionalistas e defensoras da soberania brasileira.

É um tempo contraditório e complexo o que o Brasil passa nestes dias. Trajados de vermelho, uma cor internacionalista e sinal da consciência de classe, estão os legítimos defensores da Pátria. Vestidos com a Bandeira Nacional, como se somente a eles pertencesse, estão os que foram seduzidos pela sereia do fascismo e que não pensariam duas vezes antes de vender o Brasil numa bandeja de prata aos interesses ególatras do imperialismo mundial.

* Levon Nascimento é professor de História e mestrando em “Estado, Governo e Políticas Públicas” pela FLACSO Brasil (Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais).

sábado, 26 de março de 2016

Claro como o sol e escuro como a noite

É nítido como a luz que brilha o quadro político brasileiro atual. As forças que perderam o comando do país em 2002, com a eleição de Lula para a presidência do país, querem dar um golpe de estado e destituir a Presidenta Dilma Rousseff. Quando não os mesmos, têm idêntico DNA dos que levaram Getúlio Vargas ao suicídio, tumultuaram o mandato de Juscelino Kubistchek, conclamaram o golpe de 1964 contra João Goulart e as Reformas de Base, deram suporte político e ideológico à ditadura civil-militar (1964-1985) e nunca engoliram a chegada do torneiro mecânico e da guerrilheira mineira ao posto máximo da República. Emprestaram a cadeira que sempre lhes pertenceu, desde que Cabral pôs os pés nesta terra, mas agora querem retomá-la a qualquer custo. Como não conseguiram em 2014, com seu candidato aviador, não se importam em manchar a imagem do país com um novo golpe, desta vez de inspiração hondurenho-paraguaio, midiático-judicial.

Sim, trata-se de um golpe de estado! E não há como dizer que não é. Dirão que o impeachment está previsto na Constituição de 1988, que já foi usado contra Collor, etc. É verdade. Mas se esquecem de que o impeachment (cassação do mandato do presidente da República) só é permito pela Carta Magna quando há comprovação inequívoca de cometimento de crime de responsabilidade. Com Collor, havia dezenas de provas. Com Dilma, apesar do esforço da mídia, da oposição política e de setores do judiciário, não se provou exatamente nada contra ela. A Rede Globo tenta fazer a população acreditar de que se trata de uma “ladra, vagabunda e desequilibrada”. O juiz Moro quebra seu sigilo telefônico e “vaza a jato” no Jornal Nacional. Mas, tudo o que conseguiram provar é de se trata de uma mulher de fibra, que não se vergou aos torturadores da ditadura nem aos abutres – da atualidade – que a querem fora (viva ou morta) do cargo para o qual foi reconduzida com mais de 54 milhões de votos.

É um golpe, sim! Com dois anos de investigação da Lava-jato, quebra de sigilo telefônico e dezenas de delações premiadas, nada se provou contra a honestidade de Dilma Rousseff. Tanto é um golpe que, apesar de todos os rumores acerca da Petrobrás, para pedir o seu impeachment na Câmara, tiveram que inventar como motivo as tais “Pedaladas Fiscais”. Sim! Dilma não está ameaçada de perder o cargo de presidenta por conta do “Petrolão”. Querem cassar o seu mandato por causa das “pedaladas fiscais”. Aposto que você não sabia! A grande mídia, que manipula e aliena as pessoas, não faz questão de lhe explicar.

Segundo a tese das pedaladas, Dilma teria cometido crime porque, ao iniciar os meses sem dinheiro no caixa do Tesouro Nacional, pegou dinheiro no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal – que são instituições públicas, sob seu comando, inclusive – para pagar os gastos do governo com os programas sociais: Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, ProUni, etc. Posteriormente, quando o dinheiro entrava no caixa, repassava-o de volta aos bancos federais. Em outras palavras, não estão “tirando” Dilma do poder porque ela pegou dinheiro público e pôs no próprio bolso, mas porque, assim como uma mãe, ela preferiu retirar dinheiro dos bancos ao invés de atrasar os compromissos com os programas sociais que tanto contribuem na inclusão de milhões de brasileiros pobres e trabalhadores. É necessário acrescentar que, vários outros presidentes antes de Dilma também realizaram as pedaladas fiscais e não sofreram impeachment, assim como diversos governadores de estado e prefeitos municipais. O vice Michel Temer, quando no exercício da presidência, também praticou as tais pedaladas. Se Dilma deixar de ser presidente por isto, então todos os governadores e prefeitos deveriam ser cassados.

É um golpe de estado! E isto fica claro quando se percebe que a tal planilha ou lista da empreiteira Odebrecht, fruto das investigações da operação Lava-jato, contém mais de 300 nomes de políticos brasileiros, de quase todos os partidos políticos, menos os de Lula e Dilma. Enquanto que as gravações telefônicas dos dois foram divulgadas com estardalhaço pelo juiz Moro e pela Globo, sem nada provar contra eles, sobre a mesma lista, que levaria os “moralistas sem moral” à cadeia, também o mesmo juiz decretou sigilo judicial e o Jornal Nacional fez escandaloso silêncio. Acho que você nem sabia da existência dessa lista!

É um golpe, sim! Pois os que agora tramam a queda de Dilma já negociam como seria o pacto do futuro governo comandado pelo vice Michel Temer. Em acordo com o PSDB, aquele mesmo que foi derrotado nas últimas quatro eleições presidenciais, Temer liquidaria com a Petrobrás, acabaria com o controle brasileiro sobre o pré-sal (por Lula destinado à saúde e à educação) e o entregaria à exploração das petroleiras americanas, daria prosseguimento à política tucana de privatização selvagem, reduziria os direitos sociais conquistados nos governos do PT, acabaria com as políticas públicas de inclusão social, perseguiria os movimentos sociais e a esquerda política e, pasmem!, abafaria a operação Lava-jato, de modo que ela ficasse restrita apenas à punição e execração pública dos petistas, salvando os corruptos e corruptores dos demais partidos políticos.

É um golpe, sim! Uma presidenta sobre a qual, apesar de tanta investigação, não se conseguiu provar nenhum envolvimento em crimes ou roubalheiras, mas que pelo contrário, dá autonomia à Polícia Federal para que investigue a tudo e todos, inclusive os de seu próprio partido e a ela mesma, sendo ameaçada de perder o mais alto cargo da República, conquistado com a aprovação de mais de 54 milhões de votos, por um político mais sujo do que pau de galinheiro, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, com mais de duas dezenas de processos, provas de contas secretas na Suíça, machista declarado, contrário aos direitos sociais e atolado até o pescoço em corrupção. Metade dos deputados escolhidos para compor a comissão que analisa o impeachment de Dilma na Câmara é investigada na Lava-jato ou tem outros processos pesando contra si. São os verdadeiros corruptos posando de bons moços e ameaçando o mandato da presidenta, contra a qual não pesa atos de corrupção.

É um golpe, sim! O país está em crise econômica. A luz, os combustíveis e os alimentos estão caros. O desemprego avança. Mas  grande mídia não explica que é uma crise mundial. E que esta crise afetou o Brasil. Mas que o Brasil, apesar de tudo, passa por ela melhor do que a média dos demais países do mundo. Quem se lembra de outras crises pelas quais o Brasil já foi atingido sabe que havia quadros de fome generalizada. Hoje, apesar da gasolina alta, a maioria dos brasileiros tem carro ou moto e não deixa de rodar. Pode ter reduzido certos hábitos de consumo, mas nem de longe deixa de se alimentar. No passado, antes dos governos Lula e Dilma, quando se falava em crise no Brasil, o quadro era africano. A crise econômica atual é ampliada pela turbulência política. Enquanto não deixarem Dilma governar em paz, ela não passará. O golpe do impeachment só agravará a situação.

É um golpe, sim! Está nítido e cristalino. É tão claro como o sol que raiou pela manhã. Nenhuma pessoa que está calada, apenas observando, poderá dizer no futuro que não tinha conhecimento ou de que fez confusão sobre os lados desta batalha. Embora ninguém seja anjo neste jogo, está muito claro quem são e quem não são os demônios. É de uma clareza insólita qual é o lado certo e qual é o lado errado, quem realmente está do lado povo e quem está contra. Há o golpismo e a defesa da jovem democracia brasileira. Se você não compreender a clareza solar desta situação e não se posicionar, o Brasil será envergonhado internacionalmente por mais um golpe de estado e se transformará numa realidade tão escura quanto a noite. Ficar no muro também é tomar partido, do lado dos golpistas. A História julgará cada um pelo lado que escolher.

* Levon Nascimento é professor de História e mestrando em “Estado, Governo e Políticas Públicas” pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais.

domingo, 20 de março de 2016

Artigo do Levon: Fascismo brasileiro

Inúmeras fontes afirmam que Adolf Hitler, Heinrich Himmler, Joseph Goebbels e outros próceres do nazismo eram pessoas dóceis e gentis no contato íntimo e interpessoal. Poderiam ser definidas como "boas pessoas", amáveis, educadas e, pasmem!, honestas. O problema é que sofriam de uma patologia social chamada "fascismo". Para os fascistas, uma parte da humanidade - a que eles pertencem - é pura, limpa, honesta e boa. Esta, na opinião dos que sofrem a "doença" fascista, é boa e merece viver. "Direitos humanos para humanos direitos" - eles falam. Já os demais, os diferentes, os judeus, os negros, os comunistas, os deficientes físicos e mentais... estes, no modo de pensar fascista, são sujos, impuros, imperfeitos, desnecessários, corruptos e não merecem viver. A ideologia fascista desumaniza e transforma em "demônios" as pessoas aparentemente diferentes ou que não pensam igual aos fascistas.
Acontece que o fascismo é muito bom de propaganda. Antes de chegarem ao poder, eles convencem a maioria da população de que o "outro" - o "diferente" - não presta, é impuro, é corrupto e merece morrer. "Bandido bom é bandido morto" - eles afirmam. Assim, quando têm o poder nas mãos, os fascistas, em nome da bondade e do combate à maldade e à corrupção, praticam todas as crueldades possíveis contra aqueles que não se enquadram em suas ideias. Como já tinham feito a cabeça da maioria do povo, as maldades não são questionadas pela população que, pelo contrário, apoia, aprova e acha "normal" a banalização da violência, da perseguição e do "banimento" dos "impuros".
No Brasil atual, a Rede Globo e outras mídias, setores do Judiciário, da Polícia Federal e do Ministério Público têm feito o papel de estimular o fascismo. Vê-se boas pessoas, pais e mães de família, religiosos, gente cristã e honesta brandindo palavras de ordem com agressividade e violência. São amáveis e dóceis em casa e socialmente, mas quando se toca no tema da política, seu semblante se transforma e elas passam a vociferar ideias, no mínimo, questionáveis do ponto de vista dos avanços civilizatórios dos últimos dois séculos. Os petralhas, como eles chamam a qualquer pessoa que ouse pensar diferente do que eles propagam, ainda que não sejam formalmente filiados ao Partido dos Trabalhadores, são os novos judeus. Na pregação dos fascistas brasileiros, existiriam dois tipos de petistas: os "burros", que seguem as lideranças, e os "bandidos", que formariam uma quadrilha para assaltar o país.
Desta forma, não importa se há provas dizendo que Lula e Dilma não roubaram na Petrobrás. A simples denúncia contra um deles ou contra qualquer petista é repetida na mídia como se já fosse uma comprovação de culpa, de modo a levar as massas a acreditarem que se tratam de pessoas extremamente corruptas, depravadas e imorais. Da mesma forma, qualquer cidadão que ouse defender a democracia, mesmo sendo crítico a certos pontos do governo atual, sofre desde linchamento moral a até mesmo agressões físicas, como as que ocorreram esta semana na Avenida Paulista, contra pessoas que usavam a cor vermelha, símbolo das lutas populares de esquerda no mundo inteiro.
Assim, na escalada perigosa do fascismo brasileiro, os petistas são os novos judeus - sujos, imundos, corruptos e bandidos. Contra eles e seus líderes nacionais - Lula e Dilma - tudo é permitido: grampear, vazar informações, prender sem provas e fazer o impeachment mesmo que a presidenta não tenha cometido crime de responsabilidade conforme reza a Constituição Federal. Já contra os comprovadamente corruptos, como Aécio Neves, Geraldo Alckmin, Eduardo Cunha et caterva, blindagem na mídia, lentidão da justiça e hipocrisia da classe média.
O resultado do fascismo na Alemanha e na Itália, a História já nos deu a conhecer. E no Brasil? Como será?
É preciso que você faça um exame de consciência. Eu estou me deixando conduzir por ideias fascistas? Como faço para restabelecer minha saúde intelectual e social? E, se eu que agora bato palmas para as medidas adotadas contra os petistas for vítima delas daqui a algum tempo?

domingo, 13 de março de 2016

Artigo do Levon: Estradas no deserto, rios em terra seca



Muitos companheiros não creem. Nem é minha intenção fazê-los acreditar. Ainda mais numa época em que a fé tem sido instrumentalizada para alimentar o preconceito desvairado e o fascismo depravado. Quero é compartilhar com vocês como a fé dialoga comigo neste tempo de angústias e incertezas, de modo a atiçar esperanças e a motivar a luta. Sim, a fé também é combustível para os que lutam à esquerda, por uma sociedade mais justa e igualitária. Não é monopólio dos trogloditas do fundamentalismo.

A liturgia (católica) deste tão emblemático dia 13 de março de 2016, 5º domingo do tempo da Quaresma, traz como primeira leitura um trecho da profecia de Isaías (43,16-21). Aos olhos de quem entende a escritura não como um tratado de regras sobrenaturais e anacrônicas, mas como um amparo interpretativo para a humanidade inserida nos contextos históricos, o profeta proclama: “Não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos. Eis que eu farei coisas novas, e que já estão surgindo: acaso não as reconheceis? Pois abrirei uma estrada no deserto e farei correr rios na terra seca (...)” (Is 43,19).

Aos olhos do militante de fé, este texto ilustra muito bem a angústia dos dias atuais. Vemos renascer das sombras o fascismo, a intolerância, a militância irracional (nas ruas e nas redes sociais) dos velhos medos e ódios de classe, incomodada com as conquistas populares alcançadas na última década. Um monstro de ódio que transforma pessoas em zumbis agressivos a reverberar palavras de horror, rancor e destruição. Hoje mesmo, neste de 13 de março, o “demônio” sai às ruas propugnando o retrocesso como novo ídolo para a “salvação” do Brasil. Grita contra a corrupção convocado e ladeado pelos maiores corruptos e corruptores da Pátria. Não se envergonha em clamar contra o direito do pobre, como se fosse ele a causa dos problemas econômicos e sociais da Nação. Não se importa que os poderes do Estado desviem-se para o linchamento moral e o justiçamento daqueles que buscaram, ainda que incipientemente, a inclusão de milhões de irmãos e irmãs “mais fracos”. Não almeja a devida justiça ou correção legítima e ampla de eventuais desvios.

Em que a palavra de Isaías, escrita na velha Palestina, àquela altura como agora, vítima da ocupação imperialista das potências estrangeiras, resistindo a partir de sua fé e cultura, tem a dizer ao militante de fé no contexto brasileiro de 2016? Que tenha esperança! Que não se resigne a acreditar que o passado de golpes se repetirá inexoravelmente, nem se apegue às velhas cartilhas e métodos (“Não relembreis coisas passas, não olheis para fatos antigos”). Claro, isto não é um incitamento à negação da história, nem ao revisionismo. Pelo contrário, é um indicativo para a construção da novidade, ainda que em realidade adversa. Aliás, sempre foi difícil para nós, conforme jargão já vulgarizado. Não é tempo para lamentações ou indicação de culpas. É hora da unidade das esquerdas e de todos os que lutam por um mundo mais justo e fraterno. É momento de verificar as novidades que, assim como do parto dolorido vem à luz a bela criança, nascem neste tempo tão insano (“Eis que eu farei coisas novas, e que já estão surgindo: acaso não as reconheceis?”). Os meninos que ocuparam as escolas de São Paulo contra a “reorganização” neoliberal, os movimentos sociais combativos sem a mordaça institucional dos partidos, a juventude que tem se reconhecido como “de esquerda” ante ao avanço irracional do fundamentalismo e, mesmo os velhos camaradas de lutas, diante do sacrifício imposto pelas Lava-jatos da vida, que se rendam ao novo e inaugurarem uma nova era de lutas. Construamos estradas no deserto da Paulista. Façamos jorrar rios na terra seca das instituições instrumentalizadas pela velha elite egoísta ou por seus lacaios temerosos da perda de privilégios.

A fé indica que há esperança em meio a este mar de angústia. Na mesma liturgia, Jesus rompe com as tradições de justiçamento judaicas ao absolver a adúltera. “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra” (João 8,7b). Palavra certeira para o carola e justiceiro juiz Sérgio Moro, tão rígido e hipócrita como um fariseu daquele tempo. Rígido com petistas. Hipócrita e seletivo para com as inúmeras denúncias a tucanos e congêneres. “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?” – pergunta Jesus a ela em João 8,10. A mulher responde: “Ninguém, Senhor”. Ao que ele lhe afirma “Eu também não te condeno” (Jo 8,11). Vemos que a fé, corretamente vivida, passa longe dos julgamentos sumários ou linchamentos morais de nossos juízes, procuradores, mídia e igrejas bancárias. Contrariamente, é reeducação, compreensão, inclusão e retorno ao convívio da normalidade democrática.

Enfim, também é da palavra da liturgia deste 13/03 que nos vem a certeza, conforme o salmista cantou (Salmo 125): “Os que lançam as sementes entre lágrimas, ceifarão com alegria”. Semeemos, semeemos, semeemos, lutemos... pois a luta continua... com alegria... sempre! Ceifaremos!